Arquivo para 21 de abril de 2011

19º Post

Conversei com Evandro, ele ficou de descobrir o que aconteceu com nossos companheiros, mas não me contou nada do que sabe sobre toda essa situação pela qual estamos passando.

Assim que tiver notícias, sejam quais forem, eu as postarei.

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18º Post

Dormi quase a tarde toda após o último post. A enxaqueca no momento parece ser apenas uma lembrança distante, uma fotografia velha, mesmo que ela esteja perdida em algum recanto do meu cérebro, ainda assim dá para senti-la presente.

Assim que acordei, Lúcia e Marcela me trouxeram uma notícia estranha: elas não viram Ricardo, nem Beto e nem Sônia durante todo o dia. Perguntei para elas sobre Gustavo e Carla, e elas me disseram que estavam vistoriando o funcionamento dos veículos a pedido dos militares; em si, Carla estava ajudando Gustavo, e provavelmente, o mecânico não confiava nas pessoas daqui para deixar sua esposa sozinha, principalmente depois do atentado ao pudor do qual Sônia foi vítima.

Preocupa-me a notícia de Lúcia e Marcela não terem visto nossos outros amigos, pois não sei exatamente o que pensar. Sei apenas que o pessoal daqui esconde muitas coisas e Evandro também. Talvez eu possa falar com Evandro e descobrir algo.

17º Post

Sem delongas.

Após o segundo vídeo resolvi não questionar a cientista e tentei formular melhor as perguntas que borbulhavam em minha cabeça. Enquanto isso ela preparou o terceiro vídeo.

O terceiro vídeo era extremamente curto. Nele havia a inscrição no canto da tela: “Setor 1: Bestia Infecta; espécime 28; Melanosuchus niger (Jacaré Açu); 26/03/2011; 14:26hs”. O jacaré estava encurralado e alguns cientistas o cutucavam com longos pedaços de pau. O espécime reagia rapidamente e destroçava os pedaços de pau com facilidade, mas ainda assim não atacava os cientistas. Parecia-me que ele estava mais preocupado em acabar com a ameaça imediata, do que com a fonte; ou não era capaz de conectá-las a fonte. Assim que os cientistas pararam, ele não reagiu mais. Um dos cientistas que estava cutucando, se aproximou do espécime e o acariciou, enquanto era ignorado por ele.

“O que aconteceu com o espécime 28?”, perguntei a cientista e essa pediu para que eu a acompanhasse. A porta do setor 2 foi aberta, o que gerou um grande alvoroço em ambos os setores. Assim que entramos, na sala ainda mais fétida – quase vomitei –, a cientista fechou a porta e os ânimos se acalmaram, no setor 1, pois a nossa presença no setor 2 era suficiente para que os espécimes que lá estavam continuassem excitados.

No setor 2 haviam apenas animais immortuos. Alguns com ferimentos horríveis, outros demonstrando um certo grau de decomposição, enquanto outros em perfeito estado, sem nenhum ferimento aparente. Na última jaula estava o espécime 28, com olhos leitosos e fixos, sem se mover, apenas a espreita.

“O que aconteceu com ele?”, perguntei sem esconder minha grande curiosidade. “Nós passamos duas semanas sem alimentá-lo com carne crua ou mal passada. A mordida que ele havia recebido na cauda infeccionou levando-o a morte após 4 horas”. Eu tinha na minha frente um jacaré immortuo, o que já anulava qualquer teoria de que apenas mamíferos complexos tornavam-se immortuos quando morriam.

“O que vocês já descobriram aqui no laboratório?”, questionei e ela não exitou a responder brevemente: “Os Bestia Infecta não precisam se alimentar mais de uma vez por semana, porém tem que ser de ‘carne morta’ crua ou mal passada. Eles são imunes a infecção causada por ferimentos de immortuos. Os Bestia Immortuos, por enquanto demonstraram atitudes semelhantes aos immortuos humanos, apenas o espécime 14 que demonstra ações e reações mais ‘normais’; ele parece ter um nível de inteligência diferenciado dos outros”.

Aquilo me deixou intrigado, pois confirmava muitas coisas que já postei nos meus arquivos. Antes que eu pudesse fazer outras perguntas – que não eram poucas – a cientista disse que não tínhamos mais tempo e pediu para que eu e Evandro nos retirássemos.

Sai de lá pensando sobre o que vi. Perguntei ao Evandro: “Você sabe onde eles conseguiram aquele jacaré?”, e ele me respondeu: “Doação do Bosque dos Jequitibás”. Aquilo me causou um estranhamento: “Doação? Eles adquiriram o espécime antes de tudo acontecer? Pra que? Afinal, esse laboratório era um laboratório farmacêutico para animais domésticos”, Evandro deu um sorriso misterioso e nada respondeu, foi quando caiu a ficha que está me perturbando desde lá: o primeiro vídeo datava de uma semana antes de tudo “começar”.

16º Post

A enxaqueca voltou a dar uma trégua.

Vou continuar exatamente de onde parei, sem mais delongas, para aproveitar bem o tempo que tenho com a enxaqueca abrandada.

Fui até o computador próximo da cientista e ela colocou três vídeos curtos para eu assistir. No primeiro vídeo estava um outro cientista dentro da jaula de um jacaré: mais pálido, com os olhos mexendo como se tivessem procurando algo, não parecia ter a “paciência” de um desses animais, porém de resto não demonstrava nada de diferente de um jacaré normal; não que eu fosse capacitado para analisar corretamente a aparência de um deles. No canto do vídeo estava escrito: “Setor 1: Bestia Infecta; espécime 28; Melanosuchus niger (Jacaré Açu); 08/03/2011; 10:25hs”. As imagens eram de um cientista próximo do tal jacaré, acariciando-o, tocando na boca dele, e o jacaré ignorando-o. “Nada! Ele age como se eu nem estivesse aqui”, dizia o cientista no vídeo, “Agora tragam a ‘carne’”, nesse momento eles não colocaram uma tigela com carne crua e sim um immortuos humano lá dentro. Como era de se esperar, o immortuos correu para tentar agarrar o cientista, que estava parado do lado do jacaré.

Tenho certeza que o cientista sujou as calças, pois o rosto dele estava completamente aterrorizado, provavelmente por não ter certeza do que iria ocorrer. O jacaré, nesse momento, agiu como um jacaré normal, com os olhos focados em sua presa ele esperou a aproximação do immortuos e quando esse estava quase agarrando o cientista, ele deu o bote. Mordeu a perna da sua presa e girou o corpo, como um jacaré de verdade, derrubando a criatura. Depois disso foi uma briga entre o immortuos e o jacaré. Os cientistas intervieram com medo de perder o espécime – que havia sido mordido violentamente em sua calda, o que acabou ferindo o réptil – e estouraram a cabeça do immortuos, antes que esse causasse mais dano.

O vídeo acaba ai. Fiquei impressionado com o que vi e perguntei o que aconteceu ao espécime, e a cientista nada respondeu, apenas colocou o outro vídeo.

O vídeo 2 – que tinha escrito no canto da tela: “Setor 1: Bestia Infecta; espécime 28; Melanosuchus niger (Jacaré Açu); 10/03/2011; 11:45hs” – começava com um cientista conversando com a câmera: “Fazem dois dias que o nosso espécime, da classe Bestia Infecta, número 28 foi mordido pelo immortuos. Ele só perdeu sangue no momento da mordida, não houve mais sangramento, o que consideramos um fato a ser analisado. Além disso, temos comprovado cientificamente, que a infecção causada pela mordida de um immortuos em qualquer ser vivo pesando entre 150 a 300 kg, equivalente ao peso aproximado do espécime 28, leva entre 6 a 10 horas para matá-lo. O espécime 28 já está a aproximadamente 48 horas, sem apresentar nenhuma infecção”.

O cientista sai da frente da câmera e essa foca no jacaré que está atrás de onde estava o cientista. Ele está do mesmo jeito que no vídeo anterior. O cientista se aproximou dele novamente e o acariciou, e como da outra vez, foi ignorado pelo jacaré. E assim terminou o vídeo.

Tudo aquilo já estava me trazendo vários questionamentos na mente: será que tal como esses “contaminados” ignoravam outros seres vivos, os immortuos ignoravam outros mortos e por isso não se atacavam? Será que tínhamos ai um campo de estudo que poderia nos possibilitar o desenvolvimento de alguma ‘cura’? Ou pelo menos algo que poderia nos tornar imunes às bactérias dos immortuos? O que poderia advir desses experimentos?

Muitas perguntas e poucas respostas. Descansarei mais um pouco minha vista e retorno mais tarde para encerrar esse relato.

15º Post

Acabamos de almoçar.

A enxaqueca está bem mais fraca, o remédio já fez efeito. Nem consegui terminar o último post, mas prefiro deixar daquele jeito a editá-lo. Só para finalizar a frase: “enfermidades causadas pelas mordidas das criaturas”.

Agora, antes que minha enxaqueca piore novamente, vou relatar o que vi no “Laboratório I: Bestia”.

Há dois setores no laboratório que visitei, que eram separados por um vidro fume com visibilidade do setor I para o II. O laboratório tem uma única porta e para passar de um setor para o outro, primeiro adentra-se o setor I, e através de uma outra porta, bastante segura, adentra-se no setor II. Nas placas do setores lê-se: Setor I: Bestia Infecta e Setor II: Bestia Immortuos. O que poderia ser traduzido para: animais infectados ou contaminados e animais “mortos vivos” (imortais) ou animais immortuos, respectivamente.

Isso já me causou uma certa surpresa, afinal, não seriam os animais immortuos a mesma coisa que animais infectados? Pelo que vimos, qualquer mamífero complexo (o que inclui o ser humano) que morre por qualquer causa, torna-se um deles, então efetivamente, não estariam todos contaminados? Seriam, portanto, os “Bestia Infecta”, animais vivos simplesmente? Todas essas questões surgiram em minha mente como um lampejo. Fiquei muito curioso com tudo aquilo.

Quando adentrei o primeiro setor, o cheiro lá dentro não era tão agradável quanto imaginei que seria; o lugar cheirava carniça, mas era tolerável. Era um local grande e havia jaulas com cães, gatos e sagüis, mas não dava para considerá-los normais. Tais como aqueles cães do estacionamento, eles tinham uma aparência doentia, em alguns pontos de seus corpos faltavam pêlos, seus olhos eram vidrados e avermelhados – não como efeito de cannabis sativa e sim como se tivesse tido um derrame – os poucos espaços “brancos” de seus globos oculares tinham cor amarelada. Seus músculos eram tensos o que dava a eles a aparência de serem maiores e mais fortes. Eles mostravam as presas para “alvos invisíveis” a quase todo momento, mostrando seus dentes amarelados e suas gengivas extremamente avermelhadas, agindo como se procurassem algo.

Perguntei a cientista “amiga” de Evandro o que era tudo aquilo. Ela explicou com cautela, sabendo que eu estava lá para adquirir informações e posteriormente publicá-las em meu arquivo. Não sei se ela me contou tudo, mas já são informações aterradoras o suficiente – e de grande importância para nossa sobrevivência – para se ter arquivadas no momento.

“Aqui no setor 1”, disse ela, “Estão os espécimes que denominamos comumente como contaminados”. Pedi, com uma certa ansiedade e arrogância, para ela explicar melhor isso, afinal, essa informação era dedutível pela própria placa do setor. Eis que ela, após sorrir para mim com um pequeno desafeto, provavelmente fruto de seu incomodo, respondeu: “Tenha calma, explicarei. É importante entender algumas coisas, Dr. Sales”, Evandro provavelmente tinha falado sobre mim a ela, “De certa forma, todos estamos ‘contaminados’, se pensarmos no fato de que qualquer um que morra, sem ter sua cabeça ou seu cérebro destruído, voltará como um immortuos. Porém, ao invés de vermos isso como uma contaminação, já que até o momento não conseguimos provar a existência de nenhum vírus ou bactéria nos seres vivos atualmente que causaria isso, optamos por definir esse fenômeno – erguer-se como um immortuos – como um efeito ‘natural’ da morte”.

Olhei com estranheza ao escutar aquele raciocínio. Percebendo isso a cientista retrucou meu olhar com palavras: “Isso é uma definição momentânea, até que tenhamos algo mais concreto com o que trabalhar, Dr. Sales”, em sua voz foi perceptível que seu incomodo aumentou, mas ela não se estendeu no assunto, “Esses animais estão contaminados com algum tipo de bactéria neuroestimulante, presente na ‘carne morta’. Alimentando-se de carne crua, não importa se veio de um immortuos abatido ou de um ser vivo abatido, eles desenvolvem uma espécie de histeria psicótica, além de um vício profundo por ‘carne morta’. A sua histeria é estimulada pela visão ou cheiro da fonte de seu vício – principalmente por immortuos, porém ainda não descobrimos o motivo disso – e a todo momento ficam em estado de vigília, procurando algo para saciar sua ‘fome’”.

Enquanto ela explicava, fiquei observando aqueles animais e eles pareciam realmente me ignorar. Arrisquei até mesmo a colocar minha mão próxima da jaula, bem na frente do focinho de um cachorro, e ele não reagiu de nenhuma forma diferente das reações “paranóicas” que estava tendo desde nossa chegada. Perguntei então: “O quanto isso é perigoso?”, e ela respondeu: “Depende para quem você está se referindo”. Fiquei olhando para ela esperando que ela complementasse, mas ela continuou em silêncio e começou a mexer em seu computador: “Venha ver isso”.

Gostaria de continuar a escrever agora, mas não estou em condições. A enxaqueca está voltando a ficar forte. Continuo mais tarde.

14º Post

Não dormi muito bem essa noite. Estou com uma baita enxaqueca, está até difícil de escrever. Pelo menos minha vista ainda não escureceu.

Tomei remédio… espero que faça efeito logo.

Essa é uma das coisas que não tratam muito nos filmes de zumbis: enfermidades. Na nossa fuga da casa do sr. Fábio até chegarmos aqui no laboratório, tivemos nossas cotas de doentes no caminho. A coisa fica bem mais difícil. Por máximo que nossa vontade de sobreviver seja imensa, é muito difícil fazê-lo quando se está com: enxaqueca, enjôo forte, fraqueza devido a febre, diarréia; e acredite, tudo isso é muito comum em situações insalubres como a qual nós nos encontramos. Por sorte não ficamos muito tempo nas ruas para vivenciar algum “acidente”.

Nos filmes, normalmente eles tratam mais de problemas físicos ou enfermidades causadas por

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