17º Post

Sem delongas.

Após o segundo vídeo resolvi não questionar a cientista e tentei formular melhor as perguntas que borbulhavam em minha cabeça. Enquanto isso ela preparou o terceiro vídeo.

O terceiro vídeo era extremamente curto. Nele havia a inscrição no canto da tela: “Setor 1: Bestia Infecta; espécime 28; Melanosuchus niger (Jacaré Açu); 26/03/2011; 14:26hs”. O jacaré estava encurralado e alguns cientistas o cutucavam com longos pedaços de pau. O espécime reagia rapidamente e destroçava os pedaços de pau com facilidade, mas ainda assim não atacava os cientistas. Parecia-me que ele estava mais preocupado em acabar com a ameaça imediata, do que com a fonte; ou não era capaz de conectá-las a fonte. Assim que os cientistas pararam, ele não reagiu mais. Um dos cientistas que estava cutucando, se aproximou do espécime e o acariciou, enquanto era ignorado por ele.

“O que aconteceu com o espécime 28?”, perguntei a cientista e essa pediu para que eu a acompanhasse. A porta do setor 2 foi aberta, o que gerou um grande alvoroço em ambos os setores. Assim que entramos, na sala ainda mais fétida – quase vomitei –, a cientista fechou a porta e os ânimos se acalmaram, no setor 1, pois a nossa presença no setor 2 era suficiente para que os espécimes que lá estavam continuassem excitados.

No setor 2 haviam apenas animais immortuos. Alguns com ferimentos horríveis, outros demonstrando um certo grau de decomposição, enquanto outros em perfeito estado, sem nenhum ferimento aparente. Na última jaula estava o espécime 28, com olhos leitosos e fixos, sem se mover, apenas a espreita.

“O que aconteceu com ele?”, perguntei sem esconder minha grande curiosidade. “Nós passamos duas semanas sem alimentá-lo com carne crua ou mal passada. A mordida que ele havia recebido na cauda infeccionou levando-o a morte após 4 horas”. Eu tinha na minha frente um jacaré immortuo, o que já anulava qualquer teoria de que apenas mamíferos complexos tornavam-se immortuos quando morriam.

“O que vocês já descobriram aqui no laboratório?”, questionei e ela não exitou a responder brevemente: “Os Bestia Infecta não precisam se alimentar mais de uma vez por semana, porém tem que ser de ‘carne morta’ crua ou mal passada. Eles são imunes a infecção causada por ferimentos de immortuos. Os Bestia Immortuos, por enquanto demonstraram atitudes semelhantes aos immortuos humanos, apenas o espécime 14 que demonstra ações e reações mais ‘normais’; ele parece ter um nível de inteligência diferenciado dos outros”.

Aquilo me deixou intrigado, pois confirmava muitas coisas que já postei nos meus arquivos. Antes que eu pudesse fazer outras perguntas – que não eram poucas – a cientista disse que não tínhamos mais tempo e pediu para que eu e Evandro nos retirássemos.

Sai de lá pensando sobre o que vi. Perguntei ao Evandro: “Você sabe onde eles conseguiram aquele jacaré?”, e ele me respondeu: “Doação do Bosque dos Jequitibás”. Aquilo me causou um estranhamento: “Doação? Eles adquiriram o espécime antes de tudo acontecer? Pra que? Afinal, esse laboratório era um laboratório farmacêutico para animais domésticos”, Evandro deu um sorriso misterioso e nada respondeu, foi quando caiu a ficha que está me perturbando desde lá: o primeiro vídeo datava de uma semana antes de tudo “começar”.

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