Arquivo para 26 de abril de 2011

22º Post

Fui comer algo. Hoje é o dia de nos alimentarmos. Nessa casa onde estamos, pelo pouco suprimento que temos, estamos comendo dia sim e dia não, enquanto planejamos como sair dessa situação.

Após sairmos do laboratório viajamos pelas ruas de Campinas procurando algum local que parecesse suficientemente seguro. Encontramos uma residência em uma das ruas do Castelo, onde não tinha immortuos por perto; ou pelo menos aparentemente não tinha. Não comemos no dia que chegamos, não pela falta de suprimentos, mas porque ninguém realmente estava com estômago para fazê-lo.

No dia seguinte fizemos uma reunião para definir como sobreviveríamos e quais seriam nossos próximos passos. Optamos por nos alimentar nesse segundo dia e a partir daí, nos alimentaríamos (apenas almoço) a cada dois dias. Outra decisão que tomamos foi nos preparar para uma possível viagem, portanto, precisávamos de: combustível, alimentos, peças e ferramentas para eventuais concertos que teríamos de fazer e armas. Dessa vez Evandro não me levou em nenhuma das buscas. Ele optou por levar Carla, Marcela, Gustavo e os cientistas – divididos entre as buscas – a fim de que esses aprendessem a lidar melhor com situações de risco.

Eles conseguiram a maior parte do que precisávamos, porém ainda temos problemas com alimentos. Creio que hoje decidiremos o que fazer. Evandro e Marcela foram fazer mais uma ronda para procurar alimentos, assim que eles chegarem iremos fazer uma reunião de planejamento a respeito de nossos próximos passos.

Ontem, quando Evandro e Gustavo chegaram da bem sucedida busca por ferramentas, o policial veio conversar comigo. Ele percebia que sua presença estava me incomodando muito ultimamente, mas parecia não se importar.

“Dr. Sales, precisamos conversar sobre as experiências com humanos que você testemunhou”, disse ele com seriedade, “Tirei você de lá, pois percebi o quão emocionado estava, mas agora o senhor precisa agir como um cientista”. Olhei para ele com um certo asco: “Se você precisa de cientistas, temos três além de mim”, retruquei com rispidez. Ele deu de ombros, nem mesmo me ameaçou com o olhar.

“Você está preocupado com a nossa sobrevivência como seres humanos nesse mundo devastado, eles não. Estão apenas preocupados, inutilmente, em se sentirem seguros”, respondeu ele, “Preciso conversar com você”, finalizou incisivamente. Olhei com espanto para seu rosto. Aquelas palavras me confortavam de certa forma, mesmo me mantendo inseguro em relação às atitudes dele.

“Certo. Vamos conversar então”, respondi para Evandro que começou a falar sobre vários dados que estavam naquele laboratório, dados muito importantes para o arquivo.

Iniciarei pela “classe” dos infectas.

Os cientistas do laboratório tinham feito comparações deles com os bestia infecta e descobriram que na base comportamental, não havia diferença. O que diferenciava, não só os infectas dos bestia infectas, mas também uma espécie de animal para outra, era a forma de agirem, que eles mantinham um pouco (bem pouco) das atitudes de sua espécie. Um gato contaminado, por exemplo, não costuma atacar direto com mordidas, mas iniciaria arranhando seu alvo, para depois agarrá-lo e ai sim mordê-lo. Algo semelhante a essa informação foi observado no primeiro vídeo do espécime 28.

Já, os infectas, talvez pela ancestralidade primata da nossa espécie, costumam usar bastante a mão em confrontos. Algo que foi observado também no comportamento dos immortuos, que costumam agarrar antes de morder. Porém, ambas as “classes” não só agarram, mas também são adeptos da pancada, principalmente os immortuos. Os Infecta, preferem mesmo agarrar, creio que isso seja algum conhecimento instintivo que eles possuam a respeito de seus principais alvos. Um immortuos é capaz de atordoar um ser vivo ou fazê-lo sentir dor, um ser vivo não é capaz de fazer isso a um immortuos.

Outros pontos importantes são: eles perceberam que a tensão muscular nos infectas realmente os deixam mais fortes e que um ser humano seguia o mesmo padrão de tempo de infecção dos outros animais quando deixavam de ser alimentados por carne crua ou mal passada: seu estômago e intestino infeccionam e eles demoram entre 30 minutos a 3 horas para falecerem, dependendo de sua idade, peso e tamanho. Caso um infecta venha a falecer por outras causas, eles demoram entre 1 a 30 segundos para ressurgir como um immortuos, metade do tempo de um não infecta; na prática isso não faz tanta diferença, ambas transformações são extremamente rápidas.

Os infectas – tais como os immortuos – possuem os sentidos apurados, principalmente visão e olfato, enquanto os immortuos possuem principalmente o olfato/paladar (explicarei isso mais a frente) e o tato apurados.

Porém, apesar disso tudo, havia uma desvantagem em relação aos immortuos: os cientistas não catalogaram nenhum infecta, até o momento, que manteve sua inteligência, capacidade de dedução, etc, nem parcialmente. Não havia nenhum “Marcos” entre eles.

Por questões estratégicas, até o momento, era mais útil a utilização de bestia infectas em combate do que humanos, por causa das vantagens fisiológicas; essa observação foi feita pelos militares em um dos relatórios pego por Evandro.

Sobre os immortuos, algumas coisas interessantes foram descobertas.

Evandro me explicou o que eram aqueles diferentes immortuos das jaulas, o porquê alguns estavam em estados diferentes de decomposição e assim por diante.

Catalogarei de forma estruturada:

1 – Alimento e decomposição:

Os immortuos precisam se alimentar de “carne viva” uma vez a cada duas semanas aproximadamente; esse período varia um pouco de acordo com o tamanho da criatura. Caso não o faça, o processo de decomposição se inicia como em um cadáver normal, se estancando assim que ele se alimentar novamente, iniciando-se de onde parou se ele deixar de se alimentar novamente pelo mesmo período. Isso é assustador, afinal, essas criaturas são capazes de “viver” por tempo indeterminado enquanto conseguirem se alimentar.

Caso eles cheguem a ter rigor mortis, que começa 3 a 4 horas após o período de falta de alimentação, e tem seu efeito máximo 12 horas depois cessando apenas 36 horas mais tarde, eles basicamente ficam sem movimento. Importante ressaltar que essas medidas de tempo são variáveis e aproximadas. Durante o efeito moderado, o immortuos fica mais forte e resistente devido a tensão muscular, porém mais lento, duro e sem coordenação motora. No efeito máximo do rigor mortis, o immortuos simplesmente fica paralisado até o relaxamento completo, que vem quando o rigor mortis cessa; nesse ponto o immortuos volta a ter a velocidade e agilidade de antes e também a resistência e força anterior.

Por fim, quando os immortuos vão se decompondo a níveis extremos, seus músculos vão se endurecendo e tencionando novamente. Eles voltam a ficar mais resistentes e fortes, porém, lentos e estabanados.

2 – Percepção:

A maioria deles é cega, porém nem todos. Aqueles que não são, possuem uma percepção visual limitada; é o único sentido defasado deles. Porém, mesmo a maioria deles sendo cegos, seu olfato/paladar, sua audição e principalmente seu tato, permitem que eles se locomovam sem problemas.

Questionei como eles sentiam cheiro e emitiam sons sem respirar, Evandro respondeu: “Pelo que os cientistas perceberam, essas duas funções não possuem grande relação. Eles emitem sons como forma de intimidação e para isso forçam a respiração, tanto que aqueles que não possuem pulmões, são bastante silenciosos. Por outro lado, o olfato deles sofre uma alteração, que o conecta ainda mais ao paladar, os aromas que flutuam no ar tocam seus canais olfativos e suas bocas semi-abertas, e eles ‘saboreiam o cheiro’”.

“Eles se reconhecem pelo cheiro?”, questionei e ele me respondeu: “Pelo que os cientista descobriram, não. Porém, não conseguiram entender como eles se identificam”.

Fiquei ainda mais impressionado com as respostas. Porém, após isso, Evandro veio com uma boa notícia: “Descobriram que algumas substâncias confundem seus olfatos e eles estavam estudando possíveis bombas de gás para ajudar em nossa sobrevivência, mas ainda não tinham finalizado os estudos”.

3 – Destruição:

Já a respeito de como destruí-los, os cientistas não obtiveram nenhuma descoberta nova, infelizmente. Continuamos com o velho: destrua o cérebro, não importa a forma.

4 – Inteligência:

Por fim, sobre o immortuos semi-inteligente, eles não conseguiram descobrir o que os diferenciava fisiologicamente para que alguns desenvolvessem uma inteligência parcial. Na verdade, eles nem mesmo sabiam se essa inteligência parcial poderia ser adquirida posteriormente – algo como Bub no Dia dos Mortos – ou se era apenas algumas pessoas que surgiam como immortuos já com essa faculdade mental diferenciada.

Perguntei para Evandro a quanto tempo aqueles testes eram feitos e ele me respondeu: “Antes de tudo ‘começar’”. Sabia que aquilo estava estranho, mas descartei a possibilidade daquele fenômeno ter se iniciado no Brasil, principalmente em Campinas. “O que você sabe sobre isso?”, questionei.

“Que essas coisas existem há muito tempo. Que temos relatos que remontam à antigüidade”, Evandro me olhava friamente enquanto respondia minha pergunta, aquilo me aterrorizou, tanto a resposta quanto o olhar. Além de terror, minha feição denotava dúvida, e eis que sem perguntar, Evandro me contou: “Eu os caço há vinte anos. Quando surgiam uns ou outros perdidos por ai. Era algo relativamente raro”.

Após conseguir digerir parte da informação, perguntei: “E o que aconteceu?”.

Evandro sorriu. Foi a primeira vez que o vi sorrir espontaneamente, sem parecer forçado: “Eu não sei. Creio que ninguém sabe. Uma semana antes de tudo se espalhar, os índices de ocorrência começaram a aumentar. Nos perdemos agindo para que aquilo não vazasse achando que teríamos tempo para erradicar a ‘doença’, mas não foi possível. Em uma semana, uma estimativa aproximada de um a cada um milhão de falecidos se tornar um immortuos, caiu para um a cada duzentos mil falecidos, e na outra semana já tinha caído de um pra um”.

Fiquei em silêncio, assustado e pensativo. Evandro saiu do cômodo onde estávamos sem dizer mais nada.

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21º Post

Fazem quatro dias que não escrevo nada e muitas coisas perturbadoras ocorreram. Como disse no meu último post estávamos esperando o sinal de Evandro para fugirmos daquele laboratório.

O sinal veio. Conseguimos fugir. Uma fuga tortuosa, sanguinolenta e cruel.

Vou tentar resumir esses quatro dias que se passaram mais para contextualizar, pois como é um arquivo de sobrevivência creio que há poucas informações novas contidas neles; a conversa que tive com o Evandro, aqui na casa onde nos alocamos, é de maior importância no quesito sobrevivência. Porém, tem um questionamento que martela minha cabeça desde que saímos do laboratório: Para sobreviver, devemos realmente sacrificar tantas pessoas? Sei que Evandro nos salvou, guiando nossas ações em vários momentos, porém, pensando em retrospectiva, talvez estejamos agindo de forma equivocada.

Contextualizarei a fuga nesse post. Creio que ficará claro de onde surgiram esses questionamentos, principalmente se nossa fuga do laboratório for comparada à que tivemos do condomínio; post do dia 20/04/2011.

Enquanto aguardávamos o sinal, Evandro conversava com Gustavo, para que ele preparasse veículos para a nossa fuga. Não sabíamos ainda o que Evandro pretendia fazer, mas todos estávamos de acordo em sair dali, afinal, eu já tinha espalhado as informações sobre os experimentos que estavam fazendo com humanos no laboratório para todos do grupo; e principalmente qual era o paradeiro de Ricardo, Sônia e Beto. Além disso, todos confiávamos em Evandro, mesmo temendo-o.

Quando Gustavo retornou, ele nos deu algumas coordenadas superficiais sobre o plano de Evandro. Pediu para que eu conversasse com os outros civis assim que encontrasse uma brecha e dissesse a eles para se prepararem para fugir dali. Se fosse necessário, ele liberou que eu contasse o que vi naquele laboratório.

Assim que os vigias nos deram uma trégua, conversei com aqueles que pareciam ter maior influência no grupo dos “civis”; o complicado de ficar dividindo as pessoas em grupos, é que isso nos distancia delas, ficou ainda mais comprovado isso com as experiências que tivemos desde que tudo aconteceu. Eles me escutaram com atenção e pareceram determinados a fugir conosco, mesmo que temerosos, já que o local era mantido por militares armados.

Voltei para o meu grupo e aguardamos. O sinal veio ao entardecer não como eu esperava – da boca de Evandro – mas como um alarme soando dentro do laboratório. Os vigias ordenaram que não saíssemos da área em que estávamos, ou seja, da área dos civis, e foram até a porta ver o que estava acontecendo. Ouvíamos gritos e tiros no laboratório, o que nos aterrorizava. Sem mais delongas agimos como estava no plano de Evandro, porém desde o começo as coisas começaram a dar errado.

Eu me aproximei para ver o que estava acontecendo e criar uma situação de discussão com os vigias. Estava sendo bem sucedido, mesmo com muito medo, não só daquilo que estava ocorrendo, mas também da tensão na qual o vigia se encontrava. Lúcia e Gustavo se aproximaram dos vigias furtivamente, porém, não foram tão furtivos quanto deveriam. Um dos vigias virou-se para atirar neles e Lúcia reagiu, desviando a arma do vigia – um fuzil – que atingiu outras pessoas. Lúcia conseguiu atingir dois golpes de sua arte marcial no militar que caiu desacordado, ela era realmente forte. Gustavo e eu agarramos com dificuldade o outro militar, um garoto de no máximo 20 anos, e conseguimos desarmá-lo também, porém o problema já fora causado.

Com as armas dos militares em mãos, ouvimos gritos vindo das pessoas na sala. Carla e Marcela se juntaram a nós rapidamente, seguidas pelos outros civis, que corriam aterrorizados. Consegui ver dois vultos agarrando um homem que caiu ao chão e teve partes de seu corpo devoradas. Lúcia ordenou que todos saíssem da sala e fossem para o corredor, mas escutávamos gritos de lá também. O caos havia se instalado no laboratório.

Fui o primeiro a sair com o revolver que peguei do vigia – o fuzil ficou com Gustavo – e assim que vi a situação do corredor, já tive que usar a arma. Um militar, por reflexo, atirou na minha direção, por pura sorte ele não me atingiu e eu atirei nele. Não, não o acertei, mas ele percebeu que eu não era um immortuos e gritou: “Pare com isso! O que você está fazendo com uma arma? Volte para sua área que é mais seguro!”. Respondi que havia immortuos na nossa área e que os vigias haviam sido mortos por eles; os dois vigias ainda estavam vivos, mas um deles, provavelmente só acordaria quando estivesse sendo devorado. Ele então gritou: “Então corra até aqui!”.

Quando o último civil conseguiu sair da nossa área, corremos em direção do militar. Ele estava só no fim do corredor que se bifurcava. Haviam portas trancadas, que preferi não saber o que continham. Quando chegamos próximo dele, seu olho esquerdo estourou, quando uma bala atravessou sua cabeça. Todos paramos e recuamos momentaneamente, mas para nossa sorte era Evandro. “Por que você fez isso?”, perguntei a ele, que me respondeu friamente: “Por que ele queria usá-los como isca para conseguir chegar até seu pelotão”. Não sabia como estava a situação, portanto não o questionei, mesmo duvidando das palavras dele, apenas o acompanhamos quando nos chamou, porém a merda estava feita.

Um dos civis pegou a arma do militar morto e gritou para Evandro: “E como saber se vocês não estão querendo nos usar como isca também? Por que confiaríamos em vocês, que tiveram tratamento bem melhor que o nosso em menos tempo de estadia?”. Lúcia tentou acalmar o homem, mas esse não a escutava. Quando ela se aproximou para desarmá-lo, a nuca dele estourou, Evandro “O Psicopata”, havia agido novamente. Lúcia olhou para ele indignada e ele disse: “Não se preocupe com peso morto, temos que sobreviver”, porém nem ele, nem qualquer um, viu que outro civil, horrorizado com o que estava presenciando, pegou a arma do homem que Evandro executou e atirou gritando: “Vocês são loucos!”. Ele não tinha a mínima idéia do que estava fazendo, e antes que Evandro o executasse, ele atingiu três pessoas aleatórias, duas pertencentes ao seu “grupo de amigos”, uma pertencente ao nosso: Lúcia.

A cena me paralisou. Estava chocado e incrédulo. Podia ter alguns desentendimentos com ela, mas eu a respeitava muito. Muita de nossa – ou melhor, da minha – esperança de sobrevivência estava depositada nela. Fiquei sem reação, apático, olhando para tudo aquilo como se fosse um filme. Porém, isso foi muito mais do que apenas uma cena triste, foi um grande azar. Dos três atingidos, apenas Lúcia teve um ferimento fatal fulminante, o tiro a atingiu na área do coração, provavelmente estourando ele. Os outros dois foram atingidos no abdômen.

Ela caiu no chão, ensangüentada, sem tempo de dizer nada. Evandro estava longe, mas percebeu exatamente o que acontecera e tentou se aproximar, provavelmente com a intenção de estourar a cabeça de nossa colega. Entretanto, a multidão estava polvorosa, gritando e empurrando qualquer um no caminho. Lúcia levantou rápido e o desespero de todos se ampliou, principalmente o nosso, pois sabíamos que mais do que um mero immortuos, tínhamos que lidar agora com uma desmorta capaz de nocautear o Mike Tyson com um soco. Exageros a parte, a força dela, como já disse, era realmente impressionante.

Eu a vi atordoando três pessoas com pancadas e estraçalhando o pescoço de uma quarta, em poucos segundos. Comecei a sentir desespero e olhei ao meu redor, vi Evandro se movimentar sendo seguido pelos meus outros companheiros e sem pensar duas vezes fiz o mesmo, abrindo espaço no meio de todas aquelas pessoas. Por máximo que o cara tivesse um sério perfil de psicopata, ainda assim nós dependíamos dele; e, sinceramente, não vou dizer que tive qualquer pensamento altruísta naquele momento, queria apenas sobreviver.

O reboliço todo atraiu alguns immortuos para aquele corredor. Vimos os outros civis se desesperarem ainda mais. Nós também estávamos aterrorizados, mas tínhamos um guia que sabia o que fazer.

Evandro abriu uma das portas do corredor no qual escolhemos correr. Fomos parar na cozinha, que dava passagem para o elevador. Porém, ao abrirmos a porta que nos levaria ao elevador, nos deparamos com alguns cientistas. “Agente Paiva?”, disseram eles. Evandro respondeu um mero “sim” e continuamos, agora acompanhados pelos cientistas. Eles estavam segurando cães, Bestia Infecta, com coleiras. Marcela, Carla e Gustavo estranharam aquilo, mas não disseram nada.

Adentramos o elevador. “Preparem-se”, disse Evandro, apontando o revolver para a porta. “Preparem-se pra que?”, Carla perguntou, mas a resposta veio quando a porta se abriu. Achei que Evandro já tinha mostrado todas as suas cruéis artimanhas, mas sempre há surpresas vindas do diabo, não é mesmo?

Assim que a porta do elevador se abriu, fomos surpreendidos pela presença de alguns militares que também se preparavam para fugir. Não daríamos conta de todos, mas eles também foram pegos de surpresa. Evandro, sagazmente, percebeu quais eram as maiores ameaças para nós no momento e atirou em suas gargantas. Eram quatro. Sim, ele não estourou o cérebro deles. E logo saiu dizendo para acompanhá-lo. Nos escondemos atrás de um carro enquanto os militares atiravam em nós. Um dos cientistas que estava com os cães, foi morto pelos militares e os cães escaparam.

Eles farejaram os quatro militares mortos, que estavam se levantando para atacar seus companheiros, e foram se alimentar. Vendo aquilo, nosso “agente do manicômio” pediu para os outros cientistas soltarem os cães também. Quando os Bestia infecta se aproximaram dos militares, Evandro com precisão atirou nos cães, atingindo seus peitos – provavelmente o coração – e esses levantaram segundos depois como bestia immortuos, já atacando os militares.

Os outros cães contaminados do estacionamento correram para pegar suas presas e os militares estavam sem saber o que fazer, perdidos em meio a confusão. Aproveitando esse momento, entramos na pickup preparada por Gustavo e abrimos o portão.

Fugimos.

Alguns tiros rasparam em nosso veículo, mas nada significativo. Os militares não nos seguiram, pois o mecânico havia sabotado a maioria dos outros automóveis. Ao sair da garagem a ficha caiu: Evandro tinha planejado que sairíamos apenas nós daquele laboratório.

Mesmo sobrevivendo, meu coração se apertou.

Eu me sinto culpado por todas aquelas mortes.

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