Arquivo para maio \31\UTC 2011

O Rei e O Cadáver – 3º ATO – Cena 2 da 2ª PP (As Filhas do Brâmane)

Cadáver: Meses se passaram e o fogo da paixão nos três corações, não se extinguiu. As três filhas do Brâmane continuaram a observar aquele que amavam tanto, até chegar o fatídico dia.

(A cortina se abre. O Aluno está deitado em uma esteira no chão, coberto com uma manta. Ao seu lado há uma cumbuca com água, panos úmidos, jarra com algum líquido e xícara; nesse lado se encontra o Brâmane. Do outro lado estão as três filhas muito apreensivas).

Brâmane: Não creio que ele agüentará. Já faz quase um mês que ele está muito doente.

Filha 1: Por favor pai! Faça alguma coisa!

Brâmane: (Calmo, para tranqüilizar a filha). É o karma dele, minha filha. Ele deve passar por isso. O que tenho para fazer, estou fazendo, mas se o karma dele for para que morra, assim será.

Filha 2: E o que será de nós?

Brâmanes: A vocês restará aceitar a lei natural e fazer preces para que esse jovem tenha um bom renascimento em vidas futuras. Quem sabe, assim, vocês criarão karma para ficarem juntos.

Filha 3: Mas eu não quero esperar tanto para ficar junto a ele.

Brâmane: (Firme). Filha! Você terá de esperar. Nessa vida vocês não ficariam juntos de qualquer forma enquanto eu ainda estivesse vivo. Não deixaria que, em seu egoísmo, você magoasse suas duas irmãs. (Nesse instante o Aluno tem uma reação. Ele segura a mão de seu guru, que está passando um pano umedecido em sua testa, e dá seu último suspiro. O Brâmane junta as mãos em oração). Rama, Rama, Rama, Rama.

(As filhas, vendo a ação do pai, entram em desespero e choram. O Brâmane, bastante triste, cobre o jovem aluno).

Cadáver: Então, o corpo do jovem Brâmane foi devidamente preparado para ser cremado após todos os ritos funerários que seu guru faria. (As luzes diminuem). A tristeza das três jovens foi tanta, que as levaram a atitudes extremas, as quais, seu pai, fora incapaz de impedi-las.

(As luzes retornam e no palco está apenas a Filha 1).

Cadáver: A filha mais velha, com a dor da perda de seu amado, deu todas as suas coisas e partiu pelo mundo como uma peregrina mendicante.

Filha 1: (Pega suas coisas, joga para fora do palco e começa a andar errante pelo palco até sair de cena).

Cadáver: A filha do meio, (Entra a Filha 2) pegou, das cinzas, os ossos do jovem e partiu em viagem até o Ganges, para mergulhá-los nas águas sagradas.

Filha 2: (Com um embrulho no colo, vai até a beira do palco e faz como se mergulhasse o embrulho nas águas do rio Ganges, levanta-se com o embrulho e sai de cena).

Cadáver: Por fim, a filha caçula (Entra a Filha 3), ficou ao lado de onde seu amado foi cremado, onde estavam suas cinzas. Lá ela montou uma cabana onde passou a morar.

Filha 3: (Termina de colocar a cabana do lado do local onde o jovem brâmane estava. E dorme por lá. A luz diminui).

Cadáver: Porém, um dia, algo prodigioso aconteceu. A filha mais velha, aquela que vagueava como peregrina mendicante, presenciou um milagre.

(A luz aumenta. No palco está uma mulher recitando um livro e das cinzas uma criança ressuscita).

Cadáver: Após ver a criança ressuscitar, ela se aproveitou da distração da mãe (A mãe coloca o livro de lado e vai abraçar a criança. A Filha 1 rouba o livro e vai embora). Com a esperança de fazer o mesmo com seu amado.

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O Rei e O Cadáver – 3º ATO – Cena 1 da 2ª PP (As Filhas do Brâmane)

Cadáver: Um jovem brâmane foi morar com seu professor, para aprender todos os ofícios de sua casta. Instruir-se sobre os livros sagrados, astrologia e tudo o mais que um brâmane deve saber.

Brâmane: Escute bem, meu aluno: “Assim como os rios que correm vão descansar no oceano e lá deixam para trás seus nomes e formas, assim também o Conhecedor, liberto do nome e da forma, vai a esse Homem divino que está além do além”.

Aluno: As escrituras dizem que devemos ser ninguém para conseguir contemplar a face de Brahmam?

Brâmane: (Ri de forma descontraída). Não jovem. Isso quer dizer que devemos perceber nosso corpo, nosso nome e nossos pensamentos como eles realmente são. Como uma vestimenta. Não devemos nos agarrar a esse receptáculo provisório, como se isso fosse realmente o Eu.

(O Brâmane continua como se ainda estivesse ensinando ao seu aluno).

Cadáver: O Brâmane tinha três filhas que moravam com ele e o servia junto ao seu aluno durante as aulas, trazendo-lhe chás e pães. (As três filhas entram em cena. A Filha 1 com uma bandeja com chaleira e duas xícaras. A Filha 2 com uma cesta de pães. A Filha 3 com uma toalha. A que está com a toalha, forra o chão para que as outras duas depositem sua bandeja e sua cesta. A que carrega o chá serve ambos: o Brâmane primeiro e o Aluno em seguida. A todo momento elas paqueram o Aluno).

Brâmane: Obrigado, filhas.

Aluno: (Um pouco constrangido por estar sendo paquerado pelas três filhas de seu professor). Muito obrigado.

Cadáver: Como o jovem brâmane era um rapaz muito bonito, foi inevitável que as filhas de seu professor se apaixonassem por ele. Alguns dias se passaram e o que era previsto ocorreu: as três foram falar com seu pai.

Filha 1: Pai, estou apaixonada por seu aluno, gostaria que o senhor o convencesse de se casar comigo.

Filha 2: Não faça isso, pai! Pois eu o amo!!!

Filha 3: Não e não! Eu o vi primeiro! Sou eu quem realmente o amo!

(As três começam a discutir. O Brâmane as separa as três e intervem).

Brâmane: Não posso fazer o que me pedem, minhas filhas. Como poderia agradar uma sem que ferisse o coração das outras duas?

Filha 2: Mas pai!! Eu estou amando! O senhor não pode fazer isso comigo!

Brâmane: E poderia magoar minhas outras filhas?

Filha 1: Pai! Escolha uma de nós então! Prometemos que não nos magoaremos se não formos escolhidas pelo senhor.

(O Brâmane fica pensativo, mas desconfiado).

Filha 3: Isso pai! Por favor! (Suplicando).

Filha 2: Sim, sim! Escolha uma!

Brâmane: Não farei isso. Vocês mentem ao dizerem que não se magoarão. A paixão de vocês é tanta que não percebem como estão frágeis e como isso poderá criar desarmonia em nossa família. A resposta definitiva é não. Sem mais discussões a respeito.

Cadáver: Após a decisão de seu pai, só restou às três irmãs contemplar a beleza de seu amado enquanto ele vivesse em sua casa.

Taboos

Manolo Bellucci observa o cadáver que se encontra deitado em cima da mesa de estudos de seu amigo e recém iniciado irmão de seita: Bruno Húngaro, um famoso e bastante respeitado médico da cidade de Mantova, no norte da Itália. Foi graças aos seus conhecimentos de anatomia e medicina que Bruno recebeu o convite para ser membro da “Ordine di Tutti i Santi”.

– Descobriu algo, Bruno?

O médico simplesmente balança a cabeça negativamente em resposta, sem tirar seus olhos analíticos do espécime em sua mesa. Eles estavam a mais de três horas naquela sala, sentindo o odor rançoso de podridão que impregnou tudo que se encontrava naquele ambiente. Logo que Manolo trouxe o espécime, esse já se encontrava imóvel, pois o soldato, durante o embate com o “cadaveri ambulanti”, cravou seu sabre entre os olhos de seu oponente, trespassando seu crânio.

Manolo já era membro da ordem a mais de dez anos e não havia sido o primeiro “cadaveri ambulanti” que ele enfrentou e com certeza que não seria o último, mesmo assim, os raros encontros com aquelas criaturas não deixavam de ser perigosos e nem de causar uma certa repulsa.

– Catso! – praguejou Bruno – Nenhuma diferença! É como se eu estivesse estudando um cadáver qualquer, morto a aproximadamente uma semana.

Bruno larga seus instrumentos e continua observando o cadáver. Ele viu aquela criatura ser derrubada por Manolo. Viu como ele se movimentava e como agia, além de ter testemunhado todo o estrago que causara a pelo menos três famílias em um pequeno povoado vizinho de Mantova. Se não fosse isso, com certeza o médico não acreditaria que aquele espécime fosse de algo diferente de um cadáver humano comum, e não insistiria tanto em estudo.

– Não é possível.  Deve haver a…

– Não só é possível, como é! – Bruno irritado interrompe a fala de seu veterano, olhando para ele frustrado e irritado, levantando vigorosamente a mão enquanto fala.

Manolo apenas o olha piedosamente. Bruno se envolveu com tudo aquilo a muito pouco tempo, menos de dois anos. Enquanto Manolo já investiga, pesquisa e caça os “cadaveri ambulanti” a muito mais tempo. Manolo sabe o quão difícil é se acostumar com a idéia de cadáveres que voltam a vida – ele mesmo ainda não se acostumou – e não culpa de forma alguma Bruno por sua irritação.

O soldato espera mais alguns instantes, para que o médico se acalme, antes de perguntar:

– Você quer parar por hoje?

A raiva abranda no olhar de Bruno, mas não perde sua seriedade e cansaço.

– Manolo, não creio que descobriremos qualquer coisa com um desses “inanimados”. – ele dá uma pausa para um longo suspiro, olhando novamente para o espécime – Me desculpe pela irritação.

– Não se preocupe, Bruno. – responde Manolo, se aproximando do cadáver na mesa de estudos – Mas se esse “inanimado” não serve, o que você propõe?

Bruno observa atentamente o cadáver, refletindo sobre a pergunta do amigo. Manolo fica em silêncio olhando para os detalhes daquela sala rústica, mórbida e fria. Há várias estantes com livros e recipientes contendo órgãos, animais e fetos.

– Penso que devemos adquirir um “animado”. – Bruno finalmente quebra o silêncio, surpreendendo Manolo não só por ter falado, mas pelo conteúdo de sua proposta.

– Mmmm… – Manolo passa a mão em sua barba rala, pensativo e preocupado. Ele sabe que desde que a ordem foi fundada em 2 de novembro de 1247, a 583 anos atrás, eles nunca optaram por aprisionar um dos “cadaveri ambulanti”. Isso sempre pareceu extremamente profano até mesmo para ser pensado, quanto mais sugerido. Além do mais, a incursão de médicos na ordem só ocorreu em 1697, algo muito recente. – Nós nunca fizemos isso. Essa ação comporta grande dificuldade, principalmente burocrática. – responde finalmente Manolo – Mas farei meu melhor.

Bruno sorri e dá um abraço em Manolo.

– Grato! Infelizmente essa é a única maneira de encontrar algo de útil.

Manolo olha para o rosto do cadáver e sente seu estômago embrulhar momentaneamente. Aquela sala já lhe dá náuseas com um desses “inanimados”, imagine com um “animado”. “Que Deus nos proteja”, pensa ele enquanto segura com força o terço que guarda em seu bolso.

O Rei e O Cadáver – 2º ATO – Cena 5 PC

(No cemitério).

Cadáver: No reino da Donzela, os pais dela imaginaram que sua filha havia morrido na floresta e não suportaram a perda. Eles faleceram uma semana depois de desgosto. Agora me responda: quem foi culpado pela morte dos pais dela? Se souber a resposta e não der, voltarei para a árvore.

Rei: (Cautelosamente). O casal não teve culpa porque estavam cegos de paixão. O filho do chanceler também não foi o culpado, pois ele não agia sobre sua própria responsabilidade, mas sim para ajudar o seu senhor. O único culpado foi o rei daquelas terras, pois não conseguiu perceber a armadilha preparada pelo falso asceta. Nunca investigou as atividades dos dois forasteiros em sua capital, nem mesmo percebeu a presença deles. Portanto, ele é culpado por falhar em seu dever real, pois como rei ele deveria saber de tudo que ocorre em seu reino e proteger seu povo.

Cadáver: Hahahahhahaha! Excelente resposta! Mas…

Rei: (Suspira e balança a cabeça sabendo que será um longa noite).

Cadáver: … Não basta para mim. Como eu disse, a primeira seria fácil. Vamos ver como se sai com o próximo conto?

Rei: (Nada responde, apenas aguarda).

Cadáver: Ótimo!

O Rei e O Cadáver – 2º ATO – Cena 3 da 1ª PP (O Príncipe e A Donzela)

Cadáver: Entretanto, havia algo que a Donzela nem mesmo seria capaz de imaginar. A inteligência do filho do chanceler era descomunal. Antes mesmo do Príncipe ter partido para o encontro, seu Amigo já havia pensado na possibilidade da Donzela descobrir seu envolvimento naquele romance.

(Abre a cortina. Quarto do Amigo. Esse está sozinho. Pensativo).

Cadáver: Ele sabia da honestidade do Príncipe e que esse contaria sobre o que seu Amigo sabe, se a Donzela perguntasse. Deduzindo que ela tentaria fazer algo contra ele e, ainda assim, se preocupando com o bem estar do Príncipe, ele pensou em um plano.

Amigo: (Pensativo). E se eu… (Pensa mais um pouco e balança negativamente a cabeça). Não, não vai dar certo. (Pensa). Mas se eu… não, não. (Senta-se com a mão no queixo. Fica um tempo e se levanta bruscamente). JÁ SEI! Eu irei armar contra ela! Primeiro envenenarei o filho recém nascido do rei desse reino em que estamos. Depois, irei aproveitar-me do desespero dele para, fantasiado de asceta, dizer-lhe que seu filho morreu por conta da maldição de uma bruxa! (Pausa pensativa). Assim, com certeza ele me perguntará se sei quem é a bruxa, ai darei a descrição, de forma nebulosa, porém exata, da Donzela! Sim! É isso que farei! Começando agora mesmo! (Ele pega algumas coisas e sai de cena. A Luz diminui).

Cadáver: O filho do chanceler, colocou seu plano em prática. No dia seguinte, enquanto o Príncipe estava em outro encontro com a Donzela, ele foi ter a conversa com o rei, fantasiado de asceta, e esse acreditou em sua farsa. (Ainda no quarto a luz retorna).

Amigo: (Retirando a roupa de asceta). Pronto! Ele até mesmo já sentenciou a Donzela! Agora preciso esperar o Príncipe para que possamos salvá-la.

Príncipe: (Entrando no quarto, contente). O encontro foi maravilhoso, meu Amigo.

Amigo: (Fazendo uma cara extremamente preocupada, olha para o Príncipe).

Príncipe: (Ansioso). O que foi meu Amigo? O que aconteceu de tão horrível que te impede de dividir essa minha alegria?

Amigo: Sua Donzela foi condenada à morte no exílio.

Príncipe: (Assustadíssimo). Como assim? Conte-me tudo!

Amigo: Ouvi nas ruas que ela é uma bruxa e que foi responsável pela morte do filho do rei local!

Príncipe: Isso é mentira! Ela não é uma bruxa!

Amigo: Sei que você não se apaixonaria por esse tipo de pessoa, e por isso acredito também que ela não seja uma bruxa, mas a sentença foi dada.

Príncipe: Irei falar com o rei.

Amigo: Não! Você perdeu a razão, meu senhor? Se fizeres isso, sujará o seu nome e de sua família. Nós adentramos esse reino sem nem mesmo nos apresentar. (Breve Pausa). Majestade me ouça. O melhor será salvarmos a donzela do exílio e a levarmos ao seu reino.

Príncipe: Ótima idéia! Mas, para onde ela foi exilada?

Amigo: Para uma floresta próxima, que fica a oeste. Ela ficará lá até morrer pelas garras de algum animal.

Príncipe: Vamos então, não podemos perder tempo. (Os dois amigos começam a pegar suas coisas enquanto o cadáver fala).

Cadáver: Eles arrumaram suas coisas e partiram. (Os dois saem de cena). Salvaram a Donzela, levando-a ao reino do Príncipe e lá eles se casaram.

O Rei e O Cadáver – 2º ATO – Cena 2 da 1ª PP (O Príncipe e a Donzela)

Cadáver: Ao chegarem no reino onde a Donzela vivia, os dois amigos procuraram um local para dormirem e se alimentarem. Depois de algumas horas, encontraram uma hospedaria, onde uma velha senhora era dona. Em menos de um dia, os dois amigos passaram a pagar a Velha Senhora, para que ela servisse de mensageira para o Príncipe e sua Donzela.

(Abrem as cortinas. Amigo e Príncipe em um quarto. Príncipe sentado na cama. Amigo de pé indo a direção da porta. Há alguém batendo).

Amigo: (Abrindo a porta para a Velha Senhora). Bom dia, senhora! Está bela como sempre! Seja bem vinda! Traz notícias?

Velha Senhora: (Sorrindo). Como é bom ser tão bem recebida logo de manhã! Você é muito gentil, meu jovem. Trago notícias sim! Tenho uma carta para o Príncipe.

Príncipe: (Levantando-se com ansiedade). Você me faz muito feliz, gentil senhora!

Velha Senhora: (Rindo). Não, meu jovem! Não sou eu quem faço você feliz! Mas essa carta que traz notícias de seu amor! (Ela entrega a ele, que a abraça e a beija no rosto).

Príncipe: Muito obrigado por todo o trabalho que está fazendo por mim.

Velha Senhora: Não se preocupe, aceitei fazer esse trabalho, não é mesmo? (Ela se vira para sair do quarto). Agora vou deixá-los a sós para que você leia a carta em paz, Príncipe.

Príncipe: (Abrindo a carta). Grato. (Ele tentar ler, mas não consegue). Não consigo entender. (Entrega a carta ao amigo).

Amigo: (Observa a carta por um tempo). Mmm… Está em código. Talvez ela esteja fazendo isso para manter segredo sobre a relação que quer ter com você.

Príncipe: (Pensativo). Faz sentido. Afinal, sou um Príncipe e ela, filha de mercadores.

Amigo: (Lendo a carta). É. Pode ser (Termina de ler a carta). Ela está marcando um encontro. (O Príncipe desperta de sua reflexão ansioso por detalhes. Eles conversam sem fazer sons, pois a voz do Cadáver sobrepõe).

Cadáver: Sabendo dos detalhes de como adentrar os jardins da casa da Donzela e de como chegar ao seu quarto sem ser notado, o Príncipe partiu para seu encontro.

(A luz diminui no palco. Sai o Amigo de cena. Todas as mudanças do cenário são feitas rapidamente. No quarto da Donzela está apenas ela, a luz volta a ser forte. A donzela está ansiosa, aguardando o Príncipe).

Cadáver: Seguindo todas as instruções corretamente, o Príncipe chega ao quarto de seu amor. (O Príncipe entra em cena).

Príncipe: (Apaixonado). Finalmente nos conhecemos meu amor.

Donzela: (Apreensiva, se aproximando dele e segurando suas mãos). Pensei que não conseguiria passar pelos guardas do portão, meu amado.

Príncipe: (Sorrindo e a abraçando). Faria de tudo para poder vê-la!

Donzela: (Mesmo estando gostando do abraço, a Donzela se afasta um pouco, como se estivesse incomodada com algo).

Príncipe: (Preocupado). O que foi?

Donzela: Ainda nem o conheço direito, – mesmo que eu sinta que já nos conhecemos a anos -, ainda assim devo saber mais de você…

Príncipe: (Solta uma breve risada e relaxa).

Donzela: … e você mais de mim.

Príncipe: O que você quer que eu lhe conte?

Donzela: Diga-me de onde vem, qual sua casta, o que faz em sua vida.

Príncipe: Venho de… (Eles continuam interpretando como se estivessem conversando quando entra a voz do Cadáver).

Cadáver: Então o Príncipe lhe contou seus antecedentes. Deu-lhe detalhes do que já fez, do que fazia e de seus planos.

Príncipe: Creio que isso é tudo. E você? O que tem a me contar?

Donzela: (Ficando preocupada). Bem… eu estou prometida em casamento para um nobre que não conheço. (Se aproximando do Príncipe e segurando suas mãos). Não quero isso para mim, quero ficar com você.

Príncipe: (Empolgado). Fiquemos juntos então!

Donzela: (Negando com a cabeça. Com tristeza). Não posso! Meus pais ficariam arrasados!

Príncipe: (Condescendente). Pensaremos em algo.

Donzela: (Animada). Sim meu amor! Nós somos inteligentes! Juntos ainda mais! (O Príncipe ri, a Donzela sorri). Não estou brincando. Criei códigos que achei que você não decifraria. Na verdade, fiquei muito preocupada que você não decifrasse! E você decifrou!!!

Príncipe: (Rindo sem graça). Faltou eu lhe contar uma coisa. (Diz envergonhado soltando a mão da princesa e olhando para outra direção dando uma pequena pausa). Não fui eu quem decifrou seus códigos, foi meu amigo e conselheiro. (Sem que o Príncipe veja, ela o olha com grande preocupação, ela se recompões um pouco antes dele se virar para ela). Espero que isso não afete o amor que você sente por mim.

Donzela: (Com sinceridade). Não meu amor! Não afetou! (Eles se abraçam).

Príncipe: (Afastando um pouco seu abraço). Creio que é melhor eu ir. É perigoso eu ficar aqui por tanto tempo, seus pais podem desconfiar de algo.

Donzela: Você tem razão.

Príncipe: Combinaremos um novo encontro em breve, minha amada. (Ele beija as mãos da Donzela e vai até a janela pela qual entrou). Até mais.

Donzela: Até mais, meu amado! (A Donzela fica um tempo olhando para a janela com olhar apaixonado e suspira). Finalmente encontrei o amor da minha vida. (Mas logo seu olhar apaixonado começa a mudar para uma feição muito preocupada). Mas o amigo dele está sabendo sobre nosso relacionamento. E se ele estragar tudo? E se ele contar algo aos meus pais ou a qualquer outra pessoa? (A preocupação torna-se quase um desespero). Não posso deixar que isso aconteça! (Quase chorando). Ele não pode viver…

Cadáver: Preocupada, e ao mesmo tempo apaixonada, ela não conseguiu dormir aquela noite e passou toda a madrugada, planejando como matar o amigo do seu amado, sem que esse soubesse de seu envolvimento nesse ato tão vil.

O Rei e O Cadáver – 2º ATO – Cena 1 da 1ª PP (O Príncipe e a Donzela)

Cadáver: Em um reino não tão longe, um jovem Príncipe saiu para caçar com vários nobres. Acompanhado de seu Amigo, filho do chanceler, o Príncipe resolveu se separar de todos e descansar próximo a um rio.

(Abre as cortinas. Na floresta os dois amigos descansam. O Amigo está encostado em uma árvore olhando para a extensão do rio enquanto o Príncipe olha para a outra margem).

Amigo: (Tranqüilamente e observando o horizonte). Príncipe, creio que daqui a pouco devemos voltar para o grupo de caça, eles já devem ter percebido nossa ausência.

Príncipe: (Rindo levemente). Percebo sua preocupação disso ter acontecido. Vamos descansar mais um pouco ai partiremos. Não se preocupe que tomarei a responsabilidade para mim e direi que te obriguei a se afastar deles comigo.

Amigo: (Rindo também). Mas a idéia realmente foi sua.

Príncipe: (Rindo um pouco mais). Melhor, assim não precisarei mentir. (Ambos começam a rir e, de repente, o príncipe se silencia e se levanta surpreso, se aproximando do rio). Quem é aquela deusa?

Amigo: (Se levantando e vendo sobre o que o Príncipe esta falando). Quem?

Príncipe: (Com ênfase). AQUELA DEUSA!

Amigo: Não sei, mas parece que ela te notou. (Olhando curioso). Ela está fazendo sinais.

Príncipe: Você tem razão! O que ela está dizendo? Não consigo entender.

Amigo: Ela está perguntando seu nome.

Príncipe: Sério? Como você sabe?

Amigo: Consigo compreender seus gestos. Quer que eu responda?

Príncipe: Ainda não. Diga a ela que quero saber seu nome antes de dizer o meu.

Amigo: (Fazendo alguns gestos). Ela disse que lhe contará tudo sobre ela se esse é seu desejo.

Cadáver: E assim a Donzela contou ao jovem Príncipe qual o seu nome, sua casta, de que reino ela vinha, aonde morava, porque estava naquele rio, entre outras tantas coisas. (Escurece o palco). O Príncipe foi embora, com aquela maravilhosa imagem vívida em sua mente. No dia seguinte, o Príncipe convenceu seu Amigo, filho do chanceler, a retornar com ele até aquele rio, na esperança de se reencontrar com a Donzela.

Príncipe: (Procurando na outra margem). Nada dela! Como farei para me encontrar com ela novamente?

Amigo: Não se preocupe Príncipe, ela nos deu todas as informações que precisamos para encontrá-la.

Príncipe: Você está sugerindo para irmos ao reino onde ela vive e visitá-la?

Amigo: Se essa for sua vontade, sim.

Príncipe: Claro que é minha vontade, meu Amigo! Avisarei meu pai que sairei em viagem e partiremos.

Cadáver: Ansioso, o Príncipe retornou ao seu reino e preparou-se para a viagem.

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