O Rei e O Cadáver – 1º ATO – Cena 4 PC

Narrador: (Sons fantasmagóricos). O cemitério é lar de criaturas horríveis, tais como fantasmas, zumbis, carniçais, entre outras tantas. (A cortina se abre. No palco a luz está pálida. O Feiticeiro está de pé, arrumando os preparativos). Mas isso, em momento algum, foi um obstáculo para que o Rei chegasse ao seu destino. (O Rei entra no palco, atento ao que o cerca, mas sem demonstrar nenhuma sombra de medo).

Feiticeiro: (Sorrindo). Que bom que veio, majestade.

Rei: Não deixaria minha filha na mão. (Curioso). Para que tudo isso?

Feiticeiro: Lembra-se do que falei para o senhor em seu palácio?

Rei: (Após uma pausa). Sim, lembro-me. (Breve pausa). Você está diferente.

Feiticeiro: Procedimentos diferentes requerem pequenas mudanças.

Rei: Entendo.

Feiticeiro: Então, preparado para cumprir sua primeira missão do ritual que desfará a maldição que impuseram em sua filha?

Rei: (Confiante, porém estranhando o ambiente e as parafernálias do Asceta). O que for preciso para salvá-la.

Feiticeiro: (Voltando a atenção aos seus atos preparatórios do ritual). Então lhe direi qual o seu dever. O senhor deve ir até a árvore que fica a oeste de onde nós estamos. Ela é a única árvore que teria um enforcado pendurado, mas a corda arrebentou com o tempo, e o corpo agora jaz encostado em seu tronco. É o cadáver de um criminoso. Pegue-o e traga-o a mim.

Rei: (Mesmo estranhando a imposição na voz do Asceta). Assim será feito. (Vira-se para partir).

Feiticeiro: (Interrompendo a partida do Rei). Tome cuidado, majestade. O cemitério é cheio de perigos.

Rei: (Confiante, sem se virar). Não se preocupe. Eu sou um rei! (E parte).

Narrador: (A luz escurece e o Feiticeiro sai da cena). E confiante, o Rei partiu. Caminhou na direção oeste por um longo, loongo, looongo teempo até avistar a arvore do enforcado. (Quando a luz retorna, está apenas o Rei no cenário do cemitério com a árvore e o cadáver encostado em seu tronco).

Rei: (Se aproxima da árvore, onde o enforcado está encostado, como se estivesse descansando. Ele tenta pegar o corpo, mas esse nem mesmo se mexe).

Cadáver: Hahahahahahaha!!

Rei: (Surpreso e se afastando). Como? Você está rindo?

(A resposta não vem. O Rei se aproxima cautelosamente. Ele tenta mover o cadáver do lugar, mas não consegue. Ele se esforça e continua não conseguindo).

Cadáver: Hahahahahhaha!!

Rei: (Se assusta e cai para trás, levantando-se rapidamente e disfarçando como se nada tivesse ocorrido, recuperando sua postura nobre). Oras! Que brincadeira de mal gosto é essa?

Cadáver: (Sem se mover). Não há brincadeira nenhuma aqui, majestade.

Rei: (Encarando o cadáver. Com orgulho ferido). Então, por que você riu?

Cadáver: (Mexe-se um pouco e encara o Rei). Vossa majestade nunca conseguirá me tirar daqui. Para isso ser feito, você deve me provar que é sábio.

Rei: (Arrogante). Haha. Isso é ridículo! Eu sou um rei! Um bom rei. Não é possível ser um bom rei, sem ser sábio, meu caro defunto!

Cadáver: Ah, sim! Claro! (Comenta ironicamente o cadáver). Bem, então você não se importaria em ser testado?

Rei: (Arrogante). Vá! Teste-me! Se é apenas assim que conseguirei levá-lo comigo, então seja breve.

Cadáver: Hahahha! Sua impaciência pode nublar sua sabedoria, majestade.

Rei: (Contrariado). Seja breve com essa conversa sem sentido. Faça logo o teste!

(O Cadáver se levanta. O Rei dá um passo para trás e aproxima lentamente a mão de sua espada).

Cadáver: Não adianta me atacar, Rei. Pois se me ferir, voltarei para aquela árvore e lá ficarei em silêncio. Assim você nunca mais poderá me carregar.

Rei: (Dissimulado). Não pretendia atacá-lo.

Cadáver: Claro que não, majestade. Apenas comentei, para caso você considerasse que eu estou apenas brincando com você.

Rei: Não pensaria isso. Comece logo o teste, por favor.

Cadáver: Sente-se então, majestade, pois o teste será longo. (O Rei se senta). O teste é simples: contarei histórias e após cada história lhe farei perguntas. O seu papel é tentar respondê-las.

Rei: Isso é simples.

Cadáver: Sim, é. As regras também são simples. A primeira é que você não poderá dizer nada além das respostas, se assim o fizer, o teste estará encerrado e voltarei para a árvore.

Rei: (Pensativo). Mmm… Prossiga.

Cadáver: A segunda regra: se você souber a resposta, seja ela certa ou errada, e não disser, eu voltarei para a árvore.

Rei: Certo.

Cadáver: Por fim, você só passará no teste, quando demonstrar a devida sabedoria.

Rei: Que sabedoria é essa que você espera que eu demonstre?

Cadáver: No momento certo vossa majestade saberá. Ainda assim aceita fazer o teste?

Rei: É claro que sim! Afinal, tenho outra escolha?

Cadáver: NÃO!! Hahahahhahaha!

Rei: (Desconcertado). Então comece logo!

Cadáver: A primeira história é bem simples majestade…

Anúncios
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: