O Rei e O Cadáver – 2º ATO – Cena 3 da 1ª PP (O Príncipe e A Donzela)

Cadáver: Entretanto, havia algo que a Donzela nem mesmo seria capaz de imaginar. A inteligência do filho do chanceler era descomunal. Antes mesmo do Príncipe ter partido para o encontro, seu Amigo já havia pensado na possibilidade da Donzela descobrir seu envolvimento naquele romance.

(Abre a cortina. Quarto do Amigo. Esse está sozinho. Pensativo).

Cadáver: Ele sabia da honestidade do Príncipe e que esse contaria sobre o que seu Amigo sabe, se a Donzela perguntasse. Deduzindo que ela tentaria fazer algo contra ele e, ainda assim, se preocupando com o bem estar do Príncipe, ele pensou em um plano.

Amigo: (Pensativo). E se eu… (Pensa mais um pouco e balança negativamente a cabeça). Não, não vai dar certo. (Pensa). Mas se eu… não, não. (Senta-se com a mão no queixo. Fica um tempo e se levanta bruscamente). JÁ SEI! Eu irei armar contra ela! Primeiro envenenarei o filho recém nascido do rei desse reino em que estamos. Depois, irei aproveitar-me do desespero dele para, fantasiado de asceta, dizer-lhe que seu filho morreu por conta da maldição de uma bruxa! (Pausa pensativa). Assim, com certeza ele me perguntará se sei quem é a bruxa, ai darei a descrição, de forma nebulosa, porém exata, da Donzela! Sim! É isso que farei! Começando agora mesmo! (Ele pega algumas coisas e sai de cena. A Luz diminui).

Cadáver: O filho do chanceler, colocou seu plano em prática. No dia seguinte, enquanto o Príncipe estava em outro encontro com a Donzela, ele foi ter a conversa com o rei, fantasiado de asceta, e esse acreditou em sua farsa. (Ainda no quarto a luz retorna).

Amigo: (Retirando a roupa de asceta). Pronto! Ele até mesmo já sentenciou a Donzela! Agora preciso esperar o Príncipe para que possamos salvá-la.

Príncipe: (Entrando no quarto, contente). O encontro foi maravilhoso, meu Amigo.

Amigo: (Fazendo uma cara extremamente preocupada, olha para o Príncipe).

Príncipe: (Ansioso). O que foi meu Amigo? O que aconteceu de tão horrível que te impede de dividir essa minha alegria?

Amigo: Sua Donzela foi condenada à morte no exílio.

Príncipe: (Assustadíssimo). Como assim? Conte-me tudo!

Amigo: Ouvi nas ruas que ela é uma bruxa e que foi responsável pela morte do filho do rei local!

Príncipe: Isso é mentira! Ela não é uma bruxa!

Amigo: Sei que você não se apaixonaria por esse tipo de pessoa, e por isso acredito também que ela não seja uma bruxa, mas a sentença foi dada.

Príncipe: Irei falar com o rei.

Amigo: Não! Você perdeu a razão, meu senhor? Se fizeres isso, sujará o seu nome e de sua família. Nós adentramos esse reino sem nem mesmo nos apresentar. (Breve Pausa). Majestade me ouça. O melhor será salvarmos a donzela do exílio e a levarmos ao seu reino.

Príncipe: Ótima idéia! Mas, para onde ela foi exilada?

Amigo: Para uma floresta próxima, que fica a oeste. Ela ficará lá até morrer pelas garras de algum animal.

Príncipe: Vamos então, não podemos perder tempo. (Os dois amigos começam a pegar suas coisas enquanto o cadáver fala).

Cadáver: Eles arrumaram suas coisas e partiram. (Os dois saem de cena). Salvaram a Donzela, levando-a ao reino do Príncipe e lá eles se casaram.

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