Arquivo para 30 de maio de 2011

O Rei e O Cadáver – 3º ATO – Cena 1 da 2ª PP (As Filhas do Brâmane)

Cadáver: Um jovem brâmane foi morar com seu professor, para aprender todos os ofícios de sua casta. Instruir-se sobre os livros sagrados, astrologia e tudo o mais que um brâmane deve saber.

Brâmane: Escute bem, meu aluno: “Assim como os rios que correm vão descansar no oceano e lá deixam para trás seus nomes e formas, assim também o Conhecedor, liberto do nome e da forma, vai a esse Homem divino que está além do além”.

Aluno: As escrituras dizem que devemos ser ninguém para conseguir contemplar a face de Brahmam?

Brâmane: (Ri de forma descontraída). Não jovem. Isso quer dizer que devemos perceber nosso corpo, nosso nome e nossos pensamentos como eles realmente são. Como uma vestimenta. Não devemos nos agarrar a esse receptáculo provisório, como se isso fosse realmente o Eu.

(O Brâmane continua como se ainda estivesse ensinando ao seu aluno).

Cadáver: O Brâmane tinha três filhas que moravam com ele e o servia junto ao seu aluno durante as aulas, trazendo-lhe chás e pães. (As três filhas entram em cena. A Filha 1 com uma bandeja com chaleira e duas xícaras. A Filha 2 com uma cesta de pães. A Filha 3 com uma toalha. A que está com a toalha, forra o chão para que as outras duas depositem sua bandeja e sua cesta. A que carrega o chá serve ambos: o Brâmane primeiro e o Aluno em seguida. A todo momento elas paqueram o Aluno).

Brâmane: Obrigado, filhas.

Aluno: (Um pouco constrangido por estar sendo paquerado pelas três filhas de seu professor). Muito obrigado.

Cadáver: Como o jovem brâmane era um rapaz muito bonito, foi inevitável que as filhas de seu professor se apaixonassem por ele. Alguns dias se passaram e o que era previsto ocorreu: as três foram falar com seu pai.

Filha 1: Pai, estou apaixonada por seu aluno, gostaria que o senhor o convencesse de se casar comigo.

Filha 2: Não faça isso, pai! Pois eu o amo!!!

Filha 3: Não e não! Eu o vi primeiro! Sou eu quem realmente o amo!

(As três começam a discutir. O Brâmane as separa as três e intervem).

Brâmane: Não posso fazer o que me pedem, minhas filhas. Como poderia agradar uma sem que ferisse o coração das outras duas?

Filha 2: Mas pai!! Eu estou amando! O senhor não pode fazer isso comigo!

Brâmane: E poderia magoar minhas outras filhas?

Filha 1: Pai! Escolha uma de nós então! Prometemos que não nos magoaremos se não formos escolhidas pelo senhor.

(O Brâmane fica pensativo, mas desconfiado).

Filha 3: Isso pai! Por favor! (Suplicando).

Filha 2: Sim, sim! Escolha uma!

Brâmane: Não farei isso. Vocês mentem ao dizerem que não se magoarão. A paixão de vocês é tanta que não percebem como estão frágeis e como isso poderá criar desarmonia em nossa família. A resposta definitiva é não. Sem mais discussões a respeito.

Cadáver: Após a decisão de seu pai, só restou às três irmãs contemplar a beleza de seu amado enquanto ele vivesse em sua casa.

Anúncios
Anúncios
%d blogueiros gostam disto: