O Rei e O Cadáver – 3º ATO – Cena 2 da 2ª PP (As Filhas do Brâmane)

Cadáver: Meses se passaram e o fogo da paixão nos três corações, não se extinguiu. As três filhas do Brâmane continuaram a observar aquele que amavam tanto, até chegar o fatídico dia.

(A cortina se abre. O Aluno está deitado em uma esteira no chão, coberto com uma manta. Ao seu lado há uma cumbuca com água, panos úmidos, jarra com algum líquido e xícara; nesse lado se encontra o Brâmane. Do outro lado estão as três filhas muito apreensivas).

Brâmane: Não creio que ele agüentará. Já faz quase um mês que ele está muito doente.

Filha 1: Por favor pai! Faça alguma coisa!

Brâmane: (Calmo, para tranqüilizar a filha). É o karma dele, minha filha. Ele deve passar por isso. O que tenho para fazer, estou fazendo, mas se o karma dele for para que morra, assim será.

Filha 2: E o que será de nós?

Brâmanes: A vocês restará aceitar a lei natural e fazer preces para que esse jovem tenha um bom renascimento em vidas futuras. Quem sabe, assim, vocês criarão karma para ficarem juntos.

Filha 3: Mas eu não quero esperar tanto para ficar junto a ele.

Brâmane: (Firme). Filha! Você terá de esperar. Nessa vida vocês não ficariam juntos de qualquer forma enquanto eu ainda estivesse vivo. Não deixaria que, em seu egoísmo, você magoasse suas duas irmãs. (Nesse instante o Aluno tem uma reação. Ele segura a mão de seu guru, que está passando um pano umedecido em sua testa, e dá seu último suspiro. O Brâmane junta as mãos em oração). Rama, Rama, Rama, Rama.

(As filhas, vendo a ação do pai, entram em desespero e choram. O Brâmane, bastante triste, cobre o jovem aluno).

Cadáver: Então, o corpo do jovem Brâmane foi devidamente preparado para ser cremado após todos os ritos funerários que seu guru faria. (As luzes diminuem). A tristeza das três jovens foi tanta, que as levaram a atitudes extremas, as quais, seu pai, fora incapaz de impedi-las.

(As luzes retornam e no palco está apenas a Filha 1).

Cadáver: A filha mais velha, com a dor da perda de seu amado, deu todas as suas coisas e partiu pelo mundo como uma peregrina mendicante.

Filha 1: (Pega suas coisas, joga para fora do palco e começa a andar errante pelo palco até sair de cena).

Cadáver: A filha do meio, (Entra a Filha 2) pegou, das cinzas, os ossos do jovem e partiu em viagem até o Ganges, para mergulhá-los nas águas sagradas.

Filha 2: (Com um embrulho no colo, vai até a beira do palco e faz como se mergulhasse o embrulho nas águas do rio Ganges, levanta-se com o embrulho e sai de cena).

Cadáver: Por fim, a filha caçula (Entra a Filha 3), ficou ao lado de onde seu amado foi cremado, onde estavam suas cinzas. Lá ela montou uma cabana onde passou a morar.

Filha 3: (Termina de colocar a cabana do lado do local onde o jovem brâmane estava. E dorme por lá. A luz diminui).

Cadáver: Porém, um dia, algo prodigioso aconteceu. A filha mais velha, aquela que vagueava como peregrina mendicante, presenciou um milagre.

(A luz aumenta. No palco está uma mulher recitando um livro e das cinzas uma criança ressuscita).

Cadáver: Após ver a criança ressuscitar, ela se aproveitou da distração da mãe (A mãe coloca o livro de lado e vai abraçar a criança. A Filha 1 rouba o livro e vai embora). Com a esperança de fazer o mesmo com seu amado.

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