O Rei e O Cadáver – 4º ATO – Cena 2 da 3ª PP (O Filho Póstumo do Ladrão)

Cadáver: Após encontrarem o tesouro do Ladrão, a velha mãe e sua filha foram morar em um reino próximo da floresta onde ele morreu. Naquele lugar, puderam recomeçar suas vidas como mercadoras, graças a imensa riqueza do tesouro que receberam. Após um ano morando lá, a filha conheceu um jovem Brâmane pelo qual se apaixonou. (Abrem as cortinas. No palco está a Filha e o Brâmane em uma sala).

Brâmane: Percebo em seu olhar a paixão que sentes por mim, mas você não esconde que é viúva, não é mesmo?

Filha: Sim, sou viúva. Não mentiria sobre isso. Mesmo assim, quero viver com você, brâmane. Faça de mim sua esposa.

Brâmane: (Com um certo ar de arrogância). Não posso casar-me com você, mas posso aceitá-la junto a mim em meu lar. Porém, por você já ter sido casada, terá de pagar a mim um dote, pela sua impureza. Pelo favor que estou fazendo em aceitá-la.

Filha: (Submissa). Aceito o que for para estar ao seu lado.

(A luz do palco diminui).

Cadáver: A jovem foi morar junto com seu amado. Após dividirem por nove meses o mesmo teto, o brâmane caiu doente, no mesmo instante em que a jovem deu a luz ao seu filho. (O palco volta a ser iluminado. O Brâmane está deitado no chão com uma criada cuidando dele. A filha entra no palco e, de longe, montra o Filho ao Brâmane).

Brâmane: Esse é o nosso filho! Será ele que fará oferendas e orações, para que minha alma receba as bênçãos dos deuses?

Filha: (Confusa). É… (Uma pequena Pausa). Será ele…

(A luz do palco diminui novamente).

Cadáver: Naquela noite, o brâmane faleceu. (A luz do palco retorna. A Filha está deitada em um colchonete, tentando dormir. Ao seu lado, em uma espécie de berço improvisado, está seu filho). A jovem teve dificuldade para dormir, pois não sabia como criar seu filho sozinha, já que não mais podia contar com sua velha mãe.

Filha: (Tentando dormir, rolando “na cama”, até que ela senta-se com as duas mãos na cabeça, em desespero). Minha mãe já está muito velha para poder me ajudar. (Preocupada). Ainda tenho muito dinheiro, o suficiente para a criação de meu filho, mas não o suficiente para nós dois. Como terei que trabalhar, não terei tempo para cuidar corretamente de meu filho. (Põem a mão no rosto, quase em desespero). AAAHHH!! O que eu faço?!

Cadáver: As palavras dela foram como mágica. No mesmo instante, ela caiu no sono e sonhou com o que deveria fazer.

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