O Rei e O Cadáver – 4º ATO – Cena 3 da 3ª PP (O Filho Póstumo do Ladrão)

Cadáver: A filha seguiu seu sonho e deixou seu filho recém nascido, junto com o que restava do tesouro do Ladrão, em uma carroça que levava mercadorias para o palácio do rei, mas ela não era a única a ter tido sonhos proféticos. (As cortinas se abrem. No palco está um rei inquieto). O rei aguardava ansiosamente a carroça com a qual sonhara, pois lá estaria a solução de um de seus maiores problemas: a falta de um herdeiro.

Tesoureiro: (Entrando no palco, com um pacote em mãos e um saco de moedas e jóias). Majestade!

Rei: (Ansioso). Não me deixe mais esperar! Dei-me as notícias!

Tesoureiro: A carroça que o senhor descreveu, chegou! E nela, estava… (O Tesoureiro estica os braços, entregando o pacote ao seu rei. Do pacote, vem um choro de bêbe).

Rei: (Assombrado). Não acredito! (Pega o pacote e olha dentro do embrulho). É um bebê! Um menino! Meu sonho não me enganou! O deuses conspiraram para que eu tivesse um herdeiro!

Tesoureiro: (Alegre). Sim meu rei! E junto com ele estava todo esse dinheiro! Tem o suficiente para dar uma boa criação a essa criança!

Rei: (Bastante contente e com a criança cuidadosamente em seu colo). Eu o criarei como um verdadeiro príncipe! Ele será um grande rei, como um filho legítimo meu seria!

(A luz diminui).

Cadáver: Assim o rei criou a criança de seu sonho. E essa herdou o trono, vinte anos depois, quando o rei faleceu.

(A luz do palco retorna e lá está o Filho com uma cesta de frutas e sedas na frente de um altar com um sacerdote ao lado).

Cadáver: No período em que as almas dos mortos são honradas, no início da primavera, o jovem príncipe foi, pela primeira vez após a morte do rei, fazer as oferendas e orações devidas ao seu falecido pai.

Filho Póstumo: Ó meu pai, que seu espírito alcance a paz onde quer que esteja, na forma em que se manifeste. Que todas as virtudes que eu cultivar em vida tragam alegria ao seu coração. Que ao cumprir com meus deveres, o contentamento preencha todo seu ser, iluminando seu caminho para a verdadeira luz de Brahma!

(O Filho faz três prostrações diante do altar. Depois caminha até uma cesta com frutas e sedas, a pega, retorna à frente do altar e a ergue na altura do seu coração).

Filho Póstumo: Por favor, pai. Aceite essa oferenda, para dar-lhe forças em seu caminho. Para que o senhor tenha um bom renascimento.

(Quando o jovem estica os braços com a vasilha para entregar as oferendas, no altar surgem três mãos e saem três vozes).

Vozes: Essa oferenda é minha!

Sacerdote: (Olha para o altar assustado e se afasta).

Filho Póstumo: (Confuso e assustado se afasta do altar e fica sem saber o que fazer com a cesta).

Cadáver: O filho, sem saber que tinha três pais, se encontrou em uma situação inusitada…

Anúncios
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: