O Rei e O Cadáver – 6º ATO – Cena 9 PC

Cadáver: …e não sabiam definir o parentesco que possuíam. Pois o Filho do caçador havia se casado com a mãe da Princesa. (A cortina se abre. Estão o Rei e o Cadáver no palco). Enquanto a filha da Rainha havia se casado com o Pai de seu padrasto. Responda-me, majestade: Qual era o exato parentesco entre os dois meninos que nasceram? Diz com precisão: o que eram e não eram um do outro? Se souber a resposta e não disser, eu voltarei para a árvore e nunca mais sairei de lá.

Rei: (Fica em silêncio, pensando por um bom tempo. Quando ele se dá conta de que não tem a resposta para aquela pergunta, seu rosto se ilumina de alegria e sua postura torna-se ereta).

Cadáver: Hahahahaha! Finalmente percebeu que é limitado? Que não tem a resposta para tudo e é suscetível a falhas?

Rei: (Balançando a cabeça, voltando de seu devaneio). Como?

Cadáver: Não percebeu que todo o tempo que gastou aqui foi guiado por sua arrogância?

Rei: (Abaixa a cabeça envergonhado, como se tivesse entendido o que o Cadáver queria mostrar-lhe).

Cadáver: Me agrada a sua determinação e o amor que tem por sua filha. Pode ficar com esse cadáver. Vou deixá-lo levar. Mas antes, devo lhe avisar. (O tom se torna muito sério. O Rei olha o Cadáver nos olhos). O Asceta é um impostor muito perigoso. Com poderosos encantamentos vai forçar-me a retornar a esse cadáver, que transformará em um ídolo. Ele pretende me colocar no centro de seu círculo mágico, venerar-me como uma divindade, e, durante essa cerimônia, oferecer você como sacrifício. (O Rei demonstra preocupação). Foi ele que amaldiçoou tua filha, para que você fizesse parte do ritual assim como está fazendo!

Rei: Como pude participar disso?

Cadáver: Foi sua soberba que trouxe você a esses campos. O mesmo sentimento de prepotência que faria você perder sua filha.

Rei: Por que não me disse antes que eu estava sendo enganado por estar cego pelo meu orgulho?

Cadáver: Ahahahah! Com toda sua arrogância, você acreditaria em um asceta ou em um cadáver? Hahahahhah

Rei: (Fica sem resposta e vira-se envergonhado). O que faço agora?

Cadáver: Para retirar a maldição de sua filha, você deve matá-lo. Saiba como será seu sacrifício: ele vai ordenar que você faça prostrações em reverência, primeiro de joelhos e depois prostrado na mais servil atitude de devoção, tocando o chão com a cabeça, mãos e ombros. Tentará então matá-lo em um só golpe com sua própria espada. Pense!

(Há um grande silêncio e o Cadáver cai próximo a árvore).

Rei: (Preocupado). Cadáver? (O Cadáver não responde. Ele espera um tempo e se aproxima do corpo). Cadáver? Responda-me mais uma coisa, por favor. (Nenhuma resposta vem do corpo). Por que, ele quer fazer esse ritual? (Não há nenhuma resposta).

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