Arquivo para julho \29\America/Sao_Paulo 2011

Untoten

Há anos que Renner Sven estuda aquele judeu que morreu e “ressuscitou”, porém suas pesquisas foram infrutíferas para entender tal fenômeno. Nos campos de concentrações ocorreram pelo menos dez casos de judeus e ciganos que morreram e “ressuscitaram” com hábitos canibais; a maioria acabou sendo destruída, ou pelos guardas alemães ou pelos próprios companheiros, apenas dois foram aprisionados e levados para os laboratórios da Renânia e para o laboratório onde Renner trabalha, em Anschluss.

Esses casos ajudaram os cientistas nazistas a entenderem as informações passadas pelos italianos e japoneses, cada um de sua maneira, a respeito de mortos famintos que se levantam do túmulo. Aquelas criaturas só eram abatidas quando suas cabeças fossem destruídas.

A partir dos dois espécimes capturados nos campos de concentração e outros capturados nos campos de guerra na China e Polônia, os cientistas do Eixo puderam pesquisar aquele fenômeno estranhamente natural. Porém, muito pouco descobriram.

Mesmo assim, graças ao contato com tais criaturas, a criatividade mórbida de alguns cientistas borbulharam. Eles pensaram em várias possibilidades de utilização daquele tipo de criatura em batalha. Desde o desenvolvimento de algum “vírus” altamente contagioso para ser espalhado em alguma cidade, até a criação de algum pelotão formado por untoten treinados.

Foi com essas idéias que a equipe de Renner passou a trabalhar, porém, para o cientista, restou por obrigação estudar o fenômeno natural. Como ele e sua equipe dividem o mesmo recanto do laboratório, ele vê como os experimentos de seus colegas dão certos frutos, enquanto o seu não.

Renner acabou nutrindo uma grande inveja para com seus colegas; não que esses tenham conseguido resultados realmente satisfatórios, mas só o fato de terem conseguido criar um untoten, já o deixa irritado. De seu canto do laboratório, ele observa os cientistas quebrando a cabeça em como fazer com que seu espécime obtivesse reações agressivas e instintivas de “sobrevivência” como foram vistas naqueles transformados naturalmente. Mas não. O espécime possui retardos mentais e reflexivos, além de ser altamente “autista”.

Todos da equipe sabem que os untoten, podem ser a chave para o nazismo não ser derrotado. Desde que a URSS e os EUA entraram na guerra, o Eixo tem perdido territórios e, cada vez mais, a pessimista previsão da derrota torna-se mais próxima de se realizar. Este fato é o que faz as experiências com aquelas criaturas serem cada vez mais tratadas com grande intensidade em todos os laboratórios do Eixo que trabalham com o projeto.

Renner observa novamente seu espécime, já um pouco putrefato por causa da falta da alimentação de produtos vivos. Ele encara nos olhos sem brilho da criatura e depois olha seus dentes, sempre a mostra com rosnados e urros o acompanhando.

– Você deve sentir bastante dor, não é mesmo? – pergunta o cientista para seu “afilhado”, porém, a única resposta que ele obtém é um berro gutural e uma ameaça de mordida.

Um clique vem na mente de Renner que o faz rapidamente puxar as tiras de couro que estavam afrouxadas no pescoço da criatura, prendendo-a na cama e começando a erguer o encosto para deixá-la inclinada. Ele pega uma serra e abre a cabeça de sua cobaia deixando seu cérebro intacto a mostra; algo que ele sempre quis fazer, mas tinha medo de perder o espécime por causa de algum possível acidente, o que não o perturba mais dentro das novas condições.

Sabendo que a criatura não sente dor no corpo, o cientista sempre estranhou que eles tivessem aquelas reações aparentemente tão sofredoras. Colocando dois fios condutores no lóbulo pariental do cadáver, ele disparou descargas elétricas para ver a reação do espécime.

A criatura torna-se ainda mais feroz, chegando até mesmo a quebrar um de seus próprios braços ao tentar arrebentar a espessa correia de couro que o prendia. O cientista desliga a bateria e percebe que o espécime diminuí em sua fúria, mesmo continuando com a insanidade natural daqueles seres.

Ele vai até uma gaiola e pega um gato vivo. Ligando novamente a bateria, ele, com uma certa dificuldade, coloca o gato na boca no untoten, que o morde. No momento em que a mordida é dada, Renner retira o gato de perto e,  enquanto o animal ainda está vivo, a criatura se “acalma”, ignorando até mesmo o estímulo cerebral. Entretanto, isso dura pouco. Assim que o gato morre, a criatura volta para seu estado furioso.

– Hey, vocês! – o cientista chama a atenção de seus colegas sorrindo, sentindo-se bem novamente – Sei como tornar seu espécime agressivo como o meu.

Mesmo com o deboche de seus colegas ele não se intimida e caminha até o untoten criado no laboratório. Os outros cientistas tentam pará-lo, mas ele, com toda sua postura confiante e gesticulando para ninguém lhe tocar, chega até o espécime, pega uma serra e abre uma cavidade na cabeça do untoten.

De deboche e raiva, o olhar de seus colegas passam a demonstrar curiosidade. Pegando um fio condutor, Renner insere na cavidade e liga a bateria. De imediato o untoten torna-se insanamente furioso, atacando outro cientista e arrancando um pedaço de sua jugular antes que Renner desligue a bateria.

Ao desligar e puxar o fio, a criatura volta para seu estado semi-catatônico anterior. Os outros cientistas correm para ajudar a vítima caída. Renner, não está preocupado com ele, e sim se sente orgulhoso com sua vitória. Aquela descoberta é essencial para o nazismo como um todo.

Sentindo-se um herói de guerra, Renner pega um bloco de anotações para registrar suas descobertas, quando ouve um berro vindo de um de seus colegas; aquele que havia sido mordido estava agarrado e mordendo um deles. Renner levanta-se por reflexo, assustado, quando escuta um estrondo vindo de sua retaguarda. Logo ao se virar, sente sangue escorrendo em seu peito, a fraqueza tomando seu corpo e cai de joelhos.

Antes de perder a consciência, ele apenas consegue ver soldados entrando no laboratório, com a estrela comunista em seus capacetes, e lamenta a perda que a ciência teria com sua morte.

Rolando Dados Fora do Ar

Olá pessoal,

Esse post é apenas para informar que o blog Rolando Dados, onde posto o fan-fic Outcasts está fora do ar por algum tempo. Assim que retornarmos á ativa, postarei um novo aviso.

Grato pela compreensão.

Atenciosamente.

Max

PS: Esse blog continua funcionando normalmente. rs

Vidas III

Vidas III

Vidas III - Xilogravura - 2007

Vidas II

Vidas II

Vidas II - Xilogravura - 2007

Vidas I

Vidas I

Vidas I - Xilogravura - 2007

Situação Internacional

– Isso é inacreditável. – comenta amargamente a primeira oficial do secreto “Immortuos Project”, ex “Undead Project”, da área de investigação e combate ao terrorismo e crimes contra a segurança pública da Interpol ao seu superior, sem tirar os olhos da tela do computador, onde a imagem de uma ampliação do mapa europeu está a mostra. No mapa vários pontos vermelhos, que representam “focos da epidemia”, tomam quase toda a área.

– Concordo que seja impressionante a velocidade com que isso se espalhou em tão pouco tempo. Algo que aparentemente estava sob-controle. – responde o superintendente do projeto, fazendo-a olhar para ele.

A Interpol criou o “Undead Project”, em 1946, quando o quartel general da polícia internacional era em Paris, graças às notícias a respeito de experiências feitas pelo Eixo com cadáveres reanimados e uma possível arma biológica que faria cidades inteiras se extinguirem em uma onda de canibalismo intenso. Posteriormente, os resultados de alguns experimentos foram extraviados e caíram nas mãos dos EUA e URSS, que iniciaram seus próprios experimentos durante a Guerra Fria. Eles, tanto a Interpol, quanto o governo dos EUA e URSS, nunca souberam exatamente como o Eixo conseguiu desenvolver tais experimentos, mesmo que a maioria, por sorte, não tenha dado certo. Todas essas informações nunca chegaram ao grande público, porém, em 1963, durante a Conferencia Geral que ocorreu em Monrovia, Libéria, eles receberam “ilustres” visitantes que exigiram uma reunião privada com os membros da polícia internacional. Foi nessa reunião, que eles souberam que a situação era mais obscura do que poderiam imaginar.

Christine Swan discorda de seu superior com a cabeça.

– Nunca esteve sob-controle, senhor. – sua voz não esconde seu nervosismo e tristeza – Agora muito menos…

James Stevenson se mantém em silêncio. Ele realmente não sabia o que responder, sabia que, de certa forma, a oficial Swan estava certa, e prefere deixá-la desabafar.

– Há quanto tempo aquelas instituições sabem a respeito dos immortuos? Não é a um ou dois séculos, mas a mais de um milênio! – sua fala é alta, quase gritando, e lágrimas escorrem por seu rosto – Faz mais de um milênio que nós, seres humanos, sabemos da existência desses seres e não descobrimos NADA! Nada que nos fizesse ter real “controle” sobre a situação!

James desvia o olhar do rosto de sua subordinada e observa a grande tela do computador por de trás dela, refletindo sobre as perguntas que ouviu enquanto vê a tela com grandes áreas vemelhas.

– Oficial Swan, se acalme. – sua voz é suave – Tente entender que tudo isso não é tão simples assim. – Christine ameaça retrucar, mas a lembrança de com quem ela estava falando a fez se controlar – Por vários milênios o ser humano foi muito supersticioso, isso influenciou muito os resultados das pesquisas. Além disso, as questões políticas, disputas de poder, e todas essas coisas, atrapalharam qualquer ação conjunta que elas pudessem ter feito. Em todo o mundo várias instituições foram responsáveis por manter esses fatos e outros em segredo, além de proteger as pessoas, e elas em sua maioria eram religiosas. Sem nenhuma capacidade de fazer uma pesquisa científica correta até aproximadamente o começo do século XIX.

Christine inspira profundamente e se controla virando-se para olhar a tela, vendo os pontos vermelhos aumentarem no computador. Ela se levanta e vai pegar um copo para beber água.

– Entendo o que você quer dizer, mas e durante a Segunda Guerra, senhor? Ou durante a Guerra Fria?

James aperta um botão no teclado para diminuir o mapa e ver a situação mundial, o que torna a situação ainda mais desesperadora. Graças a informações das bases da Interpol localizadas em outros países, as marcações cobrem os continentes como se fossem núvens cobrindo o céu. Não há sequer um país que não esteja tingido de vermelho.

– Os casos sempre foram raríssimos. Nessas épocas, nossos cientistas ainda viam os “boatos” a respeito de “motos-vivos” como lendas. – James da uma pausa para refletir – Lembre-se que fundamos o “Undead Project” apenas após o Eixo ser derrotado quando, ao invadirmos laboratórios deles na Renânia, Boemia, Áustria e Japão, descobrimos seus experimentos. O que me impressiona, na verdade, é que nenhum governo tinha informações sobre esses seres, ou pelo menos, nenhum expôs tal conhecimento.

– Mas o Eixo sabia da existência desses seres. – retrucou a oficial Swan recebendo um severo olhar de advertência – Desculpe, senhor.

– Prosseguindo. A policia internacional ainda desconhecia a existência daqueles desmortos que surgem a milênios entre os vivos. Compreenda que tanto durante a Segunda Grande Guerra quanto durante a Guerra Fria, os governos estavam preocupados com os experimentos feitos pelo Eixo, EUA e URSS. Nunca tivemos prova de que esses experimentos deram origem a alguma “doença”… – nesse ponto houve um fraquejo na voz do superintendente que não passou despercebido pela primeira oficial – As pesquisas que encontramos, foram fracassadas em criar uma arma biológica tão terrível, porém, sabemos que os Nazistas destruíram algumas pesquisas desse projeto, antes de colocarmos as mãos nelas. Além disso, tanto os EUA quanto a URSS mantiveram suas pesquisas extremamente bem escondidas.

Um silêncio mórbido tomou conta da sala por um tempo.

– Você acha que o problema que estamos enfrentando no mundo seja resultado de alguma falha desses experimentos, senhor? – a oficial quebra o silêncio com a mesma pergunta que James se fazia mentalmente.

Ele reflete por algum tempo e responde afirmativamente com um balanço de cabeça e um olhar triste.

– As informações que as “instituições” nos trouxeram na Conferência Geral de 1963, nos falavam da existência de seres que “espontaneamente” tornavam-se “immortuos” após a morte. Porém, eles não mencionavam nada a respeito de que aquilo era uma doença contagiosa. Isso aparecia apenas nos relatos folclóricos e lendários, mas nada além disso.

A desesperança torna-se ainda mais presente nos olhos de Christine.

– O que faremos agora, senhor? – pergunta com um profundo desânimo na voz.

– Vamos nos preparar para o que está ocorrendo. Dê as ordens para a abertura do terceiro abrigo. Reúna um contingente e leve o máximo de civis possíveis para lá. Eu contatarei o exército para saber como estão indo as operações de sobrevivência.

– Sim, senhor! – responde a oficial Swan passando uma toalha em seu rosto e parte. Mais uma vez James releva a falta de trato da oficial e se aproxima do computador.

Vendo o mapa mundi ele se espanta mais uma vez com a quantidade e velocidade de “contágio”, e mais uma vez acredita em sua teoria de que algo deu errado com algum experimento. Até a última semana a proporção de immortuos eram de um para um milhão de mortos, logo no começo dessa semana essa proporção caiu para um pra cada quinhentos mil mortos, e hoje a proporção está estabelecida de um pra um.

Ao fim de sua reflexão, uma forte melancolia toma conta. Nunca sua arma esteve tão pesada em seu coldre.

A Legião dos Mortos – Capítulo 12

Olá a todos,

Após um pouco mais de 2 meses, finalmente estou publicando mais um capítulo da saga Outcasts, de D&D.

http://www.rolandodados.com.br/2011/07/20/a-legiao-dos-mortos-capitulo-12/

Espero que gostem.

Atenciosamente.

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