Untoten

Há anos que Renner Sven estuda aquele judeu que morreu e “ressuscitou”, porém suas pesquisas foram infrutíferas para entender tal fenômeno. Nos campos de concentrações ocorreram pelo menos dez casos de judeus e ciganos que morreram e “ressuscitaram” com hábitos canibais; a maioria acabou sendo destruída, ou pelos guardas alemães ou pelos próprios companheiros, apenas dois foram aprisionados e levados para os laboratórios da Renânia e para o laboratório onde Renner trabalha, em Anschluss.

Esses casos ajudaram os cientistas nazistas a entenderem as informações passadas pelos italianos e japoneses, cada um de sua maneira, a respeito de mortos famintos que se levantam do túmulo. Aquelas criaturas só eram abatidas quando suas cabeças fossem destruídas.

A partir dos dois espécimes capturados nos campos de concentração e outros capturados nos campos de guerra na China e Polônia, os cientistas do Eixo puderam pesquisar aquele fenômeno estranhamente natural. Porém, muito pouco descobriram.

Mesmo assim, graças ao contato com tais criaturas, a criatividade mórbida de alguns cientistas borbulharam. Eles pensaram em várias possibilidades de utilização daquele tipo de criatura em batalha. Desde o desenvolvimento de algum “vírus” altamente contagioso para ser espalhado em alguma cidade, até a criação de algum pelotão formado por untoten treinados.

Foi com essas idéias que a equipe de Renner passou a trabalhar, porém, para o cientista, restou por obrigação estudar o fenômeno natural. Como ele e sua equipe dividem o mesmo recanto do laboratório, ele vê como os experimentos de seus colegas dão certos frutos, enquanto o seu não.

Renner acabou nutrindo uma grande inveja para com seus colegas; não que esses tenham conseguido resultados realmente satisfatórios, mas só o fato de terem conseguido criar um untoten, já o deixa irritado. De seu canto do laboratório, ele observa os cientistas quebrando a cabeça em como fazer com que seu espécime obtivesse reações agressivas e instintivas de “sobrevivência” como foram vistas naqueles transformados naturalmente. Mas não. O espécime possui retardos mentais e reflexivos, além de ser altamente “autista”.

Todos da equipe sabem que os untoten, podem ser a chave para o nazismo não ser derrotado. Desde que a URSS e os EUA entraram na guerra, o Eixo tem perdido territórios e, cada vez mais, a pessimista previsão da derrota torna-se mais próxima de se realizar. Este fato é o que faz as experiências com aquelas criaturas serem cada vez mais tratadas com grande intensidade em todos os laboratórios do Eixo que trabalham com o projeto.

Renner observa novamente seu espécime, já um pouco putrefato por causa da falta da alimentação de produtos vivos. Ele encara nos olhos sem brilho da criatura e depois olha seus dentes, sempre a mostra com rosnados e urros o acompanhando.

– Você deve sentir bastante dor, não é mesmo? – pergunta o cientista para seu “afilhado”, porém, a única resposta que ele obtém é um berro gutural e uma ameaça de mordida.

Um clique vem na mente de Renner que o faz rapidamente puxar as tiras de couro que estavam afrouxadas no pescoço da criatura, prendendo-a na cama e começando a erguer o encosto para deixá-la inclinada. Ele pega uma serra e abre a cabeça de sua cobaia deixando seu cérebro intacto a mostra; algo que ele sempre quis fazer, mas tinha medo de perder o espécime por causa de algum possível acidente, o que não o perturba mais dentro das novas condições.

Sabendo que a criatura não sente dor no corpo, o cientista sempre estranhou que eles tivessem aquelas reações aparentemente tão sofredoras. Colocando dois fios condutores no lóbulo pariental do cadáver, ele disparou descargas elétricas para ver a reação do espécime.

A criatura torna-se ainda mais feroz, chegando até mesmo a quebrar um de seus próprios braços ao tentar arrebentar a espessa correia de couro que o prendia. O cientista desliga a bateria e percebe que o espécime diminuí em sua fúria, mesmo continuando com a insanidade natural daqueles seres.

Ele vai até uma gaiola e pega um gato vivo. Ligando novamente a bateria, ele, com uma certa dificuldade, coloca o gato na boca no untoten, que o morde. No momento em que a mordida é dada, Renner retira o gato de perto e,  enquanto o animal ainda está vivo, a criatura se “acalma”, ignorando até mesmo o estímulo cerebral. Entretanto, isso dura pouco. Assim que o gato morre, a criatura volta para seu estado furioso.

– Hey, vocês! – o cientista chama a atenção de seus colegas sorrindo, sentindo-se bem novamente – Sei como tornar seu espécime agressivo como o meu.

Mesmo com o deboche de seus colegas ele não se intimida e caminha até o untoten criado no laboratório. Os outros cientistas tentam pará-lo, mas ele, com toda sua postura confiante e gesticulando para ninguém lhe tocar, chega até o espécime, pega uma serra e abre uma cavidade na cabeça do untoten.

De deboche e raiva, o olhar de seus colegas passam a demonstrar curiosidade. Pegando um fio condutor, Renner insere na cavidade e liga a bateria. De imediato o untoten torna-se insanamente furioso, atacando outro cientista e arrancando um pedaço de sua jugular antes que Renner desligue a bateria.

Ao desligar e puxar o fio, a criatura volta para seu estado semi-catatônico anterior. Os outros cientistas correm para ajudar a vítima caída. Renner, não está preocupado com ele, e sim se sente orgulhoso com sua vitória. Aquela descoberta é essencial para o nazismo como um todo.

Sentindo-se um herói de guerra, Renner pega um bloco de anotações para registrar suas descobertas, quando ouve um berro vindo de um de seus colegas; aquele que havia sido mordido estava agarrado e mordendo um deles. Renner levanta-se por reflexo, assustado, quando escuta um estrondo vindo de sua retaguarda. Logo ao se virar, sente sangue escorrendo em seu peito, a fraqueza tomando seu corpo e cai de joelhos.

Antes de perder a consciência, ele apenas consegue ver soldados entrando no laboratório, com a estrela comunista em seus capacetes, e lamenta a perda que a ciência teria com sua morte.

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  1. Jesus zumbi!!!!!

    Muito bom cara, gostei dessa história.

    • O Nerds que me cobrou uma história na 2ª guerra depois que ele leu o Situação Internacional rs.

      Que bom que curtiu.

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