27º Post

Atualmente, com todas as minhas responsabilidades, tem sido difícil eu parar para escrever aqui no blog. Estou trabalhando como psicólogo para os moradores de nossa Necropoli. Há muitas histórias difíceis aqui dentro. Muitas pessoas precisando se reestruturar internamente.

Entretanto, vamos ao que interessa realmente para esse arquivo de sobrevivência. No post anterior contextualizei historicamente esse tempo que fiquei sem escrever e expliquei por cima como estamos vivendo nas Necropolis aqui em Campinas. Porém, não disse nada do que vimos lá no Laboratório Médico. Já considerava o que eu havia testemunhado no outro laboratório algo avançado nos estudos sobre esses seres que nos aterrorizam, porém, os arquivos que os militares do Laboratório Médico possuem é de se espantar. Evandro estava certo quando disse que havia arquivos que remetiam a “antigüidade”.

No primeiro mês que estive aqui na Necropoli Militar, eu e Alessandra fizemos amizade com alguns cientistas. Contei a eles sobre meu arquivo de sobrevivência e sobre o que já tinha observado a respeito dos immortuos. Porém, não revelei nada a respeito de minhas experiências no outro laboratório. Com o tempo, demonstrando minha curiosidade e reflexões, além do carisma e conhecimentos biológicos de Alessandra, conseguimos a simpatia deles e eles nos permitiram ler um ou outro arquivo mais superficial sobre o assunto. Foi apenas quando eu citei o “agente Paiva” e seus comentários, e Alessandra contou sobre seu trabalho no outro laboratório, que eles nos viram como “iguais”; porém, sem o direito de entrar nos laboratórios, eles apenas nos permitiram ver os arquivos.

Sei que foi arriscado abrir o jogo de tal forma, mas era o que nós podíamos fazer; e valeu a pena. Li registros que soariam para mim, antes disso tudo acontecer, como folclore ou coisas do gênero. Histórias sobre mortos que se levantavam do túmulo por ter um funeral “pagão”, ou pessoas que faziam pactos com espíritos malignos e se tornavam canibais longevos, mas extremamente malignos e inumanos. Entre outras coisas.

Me questionei: Como tudo isso chegou no estado que chegou? Como permitiram que esse fenômeno, muito antes conhecido, saísse do controle? Foi apenas quando reli meus posts que retomei algo que Evandro tinha dito sobre as proporções. Aqueles que detinham o conhecimento sobre esse fenômeno o viam, inicialmente, como algo extremamente raro e o tratavam assim. Foi em questão de uma semana que tudo mudou: que uma proporção de um para um milhão, caiu para um por um. Acredito que, quando eles perceberam que as coisas estavam mudando, já era tarde demais.

Fora essa proporção quantitativa, houve uma mudança na questão temporal da transformação. Li arquivos que estabeleciam o tempo de transformação de um cadáver em um immortuos como sendo de 1 a 3 dias – o que talvez explique a prática de longos funerais, com o intuito de garantir que o cadáver não voltaria, suponho – e em questão do mesmo período de ampliação dos immortuos, o tempo baixou, segundo os poucos arquivos que trataram disso, para de 6 a 12 horas, posteriormente caindo para o que conhecemos atualmente de 2 a 60 segundos. Algo extremamente rápido.

Outro fator importante é que: há muito tempo que os pesquisadores descartaram a idéia de que era uma doença virótica ou bacteriológica. Muitos acreditam que seja algo genético; mas isso não passa de uma crença, não há comprovações. Ela não é contagiosa como mostram nos “filmes de zumbis”. Não é a mordida que passa a “doença”, como eu já disse anteriormente. Esse foi um outro ponto que pegou os conhecedores do assunto de surpresa. Por não ser “contagioso”, eles não tinham como imaginar que o número desses seres aumentaria de uma hora para outra.

Pelo que parece, esse fenômeno era conhecido por muitos países do mundo e todos tinham estabelecido monitorias em seus devidos territórios. Eles sabiam que as pessoas teriam dificuldade de lidar com tal fenômeno, principalmente porque ele colocava em cheque várias explicações científicas além de que esses seres são mortíferos, altamente perigosos. Por essas razões, dizem, eles mantiveram as informações escondidas. Esses países mantinham contatos periódicos a fim de trocar informações, descobertas e formas de alertar o público sem alardear; talvez daí tenham surgido alguns “filmes de zumbis”.

Por esse motivo também, os arquivos continham nomenclaturas iguais as que vi no outro laboratório: Infectas, Immortuos, Bestia Infecta, Bestia Immortuos. Porém, aqui há sub-divisões, ou sub-classes desses seres. Os infectas e Bestia infecta, “infelizmente”, mantinham-se sem subdivisões, pois todos possuíam os mesmos traços comportamentais. Já os Immortuos e Bestia Immortuos possuíam diferenças comportamentais em seus próprios grupos.

Immortuos: Insanus Immortuos, Debile Immortuos, Sapien Immortuos. Respectivamente: aqueles immortuos insanos, sem nenhuma capacidade intelectual; os immortuos com capacidade intelectual mediana, porém o suficiente para utilizarem até mesmo armas de fogo, mesmo que com pouca precisão; e os com capacidade intelectual idêntica a que tinham quando eram vivos. Ou seja, finalmente eu vi algo que confirmou minhas suspeitas sobre o caso “Marcos”.

No caso dos animais há apenas duas subdivisões: Insanus Bestia Immortuos e os Bestia Immortuos. Sobre os primeiros não há necessidade de explicação. Os segundos são animais desmortos que mantém seus hábitos táticos. Às vezes é muito difícil de diferenciar um do outro, mas segundo os experimentos realizados no Laboratório Médico, eles perceberam que havia diferenças comportamentais bem sutis entre os bestia immortuos.

Creio que sejam importantes essas definições e delineamentos dos comportamentos desses seres, para entendermos a variedade de situações que podemos ter de lidar. É importante saber que são raras, segundo as pesquisas, a existência dos debile immortuos e muito raras as dos sapiens immortuos. No Laboratório eles nunca tiveram nenhum espécime da sub-classe mais inteligente. Tudo que eles possuem são relatos de campo.

Tudo isso na verdade, me deixa ainda mais apreensivo a respeito do que está acontecendo. Onde estão esses immortuos? Como sumiram tantos?

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