28º Post

Hoje, aproximadamente duas horas atrás, tivemos a visita de um grupo numeroso de immortuos em um de nossos portões. Estavam todos decompostos quase ao extremo. Alguns deles se arrastavam, outros caminhavam lentamente. Nossos vigias nos avisaram e nos mantivemos longe dos portões, com a intenção de não atiçá-los.

Eles se permaneceram por lá tentando derrubar o Portão 3 até a chegada dos militares, que com lanças longas de metal perfuravam suas cabeças. Cada lança era manuseada por dois militares através do portão, pois esses immortuos apodrecidos eram muito fortes e resistentes. Alguns deles, por reflexo, tiravam a lança de sua direção com tamanha força que as entortavam. Mesmo assim eles foram executados, um por um; infelizmente, não antes de deixar o portão 3 levemente danificado.

Talvez soe estranho eu mencionar que os militares utilizam lanças, mas isso é um fato por aqui. Atualmente, cada militar anda com apenas uma pistola com um único pente e uma tonfa ou cacetete de ferro que são ineficientes quando se entra em contato com um número grande dessas criaturas; as armas mais pesadas ficam para proteger a Necropoli Militar.

Na situação atual é muito difícil produzir armas de fogo, portanto retomamos práticas antigas. Os arcos e bestas de mão, além de flechas e setas estão voltando a serem produzidas de forma artesanal. Além disso, também estão sendo feitas azagaias, fundas, lanças longas, bastões de madeira, boleadeiras e facões. Futuramente, acreditamos, que voltaremos a desenvolver tecnologias bélicas que nos protejam com mais eficiência, porém no momento é isso que temos.

Em comparação, não são apenas os nossos armamentos que retrocederam a um “período” medieval. Nossa forma de subsistência também. Nós, da Necropoli Civil e da Necropoli Militar, utilizamos um vasto terreno comunitário, também protegido por muros e guaritas, onde há plantações de verduras, legumes e frutas, além de criação de galinhas, coelhos e ratos de laboratório; fontes de carne que não ocupam muito espaço.

Porém, até mesmo criar esses animais dá muito trabalho. Eles são monitorados constantemente, para que não haja problemas com mortos em seus viveiros. Além disso, a preparação da carne é sempre muito cuidadosa, para que não criemos infectas acidentalmente.

Esses cuidados também são estendidos para nossos próprios mortos. Adotamos uma prática que nossa sociedade cristã consideraria bárbara: mutilação do cadáver. Como os cadáveres agora são fonte de combustível, todo recém falecido tem seu cérebro destruído imediatamente, depois ele é mutilado e suas partes são levadas aos laboratórios.

Com essa nova prática funerária, as alas hospitalares tiveram que passar por mudanças, além de nós todos estarmos passando por um processo de reeducação: necessidade versus crenças e taboos.

Os doentes graves são amarrados nas camas. Até mesmo no caso de cirurgias, eles amarram o paciente anestesiado, para o caso de, acidentalmente, eles falecerem durante o processo. Afinal de contas, cuidado nunca é demais.

Já tivemos problemas de pessoas que tiveram mortes fulminantes em casa, mas a situação foi rapidamente resolvida, por sorte. Os próprios moradores da república destruíram o immortuos recém erguido.

Retornando ao caso que me levou a escrever esse post. Após a destruição dos immortuos que estavam em um de nossos portões, os militares pegaram os corpos e levaram para seus laboratórios. Agora, o que levou essas criaturas a se aproximarem de nossa Necrópoli em grande número ainda não descobrimos. Talvez nosso cheiro voltou a atraí-los.

Quem sabe?

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