Arquivo para setembro \30\America/Sao_Paulo 2011

Outcasts – Livro I: Párias – Capítulo 1 (Parte 4)

O cheiro forte daquele ser era nauseante. Ela já o havia seduzido o suficiente, não era muito difícil de prever o que aquele tipo de criatura iria fazer. A jovem drow se afasta do corpulento orc caolho que se aproxima sedento por satisfazer seus desejos. “Não posso ter medo. Isso só atrapalha”, pensa a pequena drow enquanto procura seu sabre com o canto dos olhos. Sorrindo de forma sedutora ela prossegue suas artimanhas.

– Hey, vai com calma. Eu já sou sua. – seu olhar provocante atinge o único olho funcional do orc que se atiça, principalmente quando toca de forma provocante seu próprio corpo nu.

– Não! Eu quero! Quero agora! – rapidamente o orc dá o bote e mesmo com sua grande agilidade a Drow não consegue escapar a tempo. “Burra! Você sabia que ele iria fazer isso, por que foi tão mole?” ela se repreende enquanto tenta se desvencilhar do forte abraço do orc.

Não teria sido difícil esse trabalho para a jovem, mas a falta de experiência se mostrou muito presente em sua tática. Ele é um guerreiro de Grumsh, o deus fétido dos orcs e estava pretendendo unir sua raça – que vive como escravos no Braeryn – para se rebelarem e formarem uma comunidade nas cavernas do Underdark. Era seu dever e obrigação impedi-los. Ela sabia que se algum tipo de rebelião fosse feita, chamaria a atenção das grandes Casas de Menzoberranzan para o sujo distrito dos parias e seu culto poderia ser descoberto. Sua mãe sempre disse para ela ser o mais discreta possível, porque os drows ainda não estavam preparados para o reinado que se formaria, e poderiam ser um grande empecilho em seus objetivos divinos. Mas para impedir aquela possível rebelião a melhor forma seria eliminar seu líder. Sabendo que em combate direto ela não teria a menor chance, preferiu apelar para suas melhores habilidades, sedução e assassinato. Conseguiu seduzi-lo, mas deixou seu nojo e medo atrapalharem no principal momento da investida.

Lamentando-se, a drow sente os braços do corpulento orc a espremerem contra seu peito. O nojo percorre seu corpo e ela cospe em sua cara. O orc gargalha enquanto, sem afrouxar o abraço, começa a deslizar uma de suas mãos pelo corpo da drow.

Controlando-se para não entrar em pânico, a jovem apenas tenta afastar a boca do orc de seu rosto. Mas esse é muito mais forte e quando se aproxima a larga com um berro gutural. Rapidamente a pequena se recupera e percebe a flecha de besta cravada naquele que era o único olho bom da criatura. Sem perder a chance ela encontra seu sabre com o canto dos olhos e pula para agarrá-lo, desferindo um ataque mortalmente preciso logo em seguida.

Com seu rim, pancreas e estomago perfurado pelo ataque da Drow, o orc cai agonizando até sentir a lamina do sabre deslizando em seu pescoço e desfalecer não muito tempo depois banhado em seu próprio sangue.

– Tome mais cuidado da p’óxima vez. Você é uma deusa. Não é pa’a te’ medo. – diz o seu guardião goblin surgindo das sombras.

“Burra, burra, burra!”. Extremamente decepcionada consigo mesma a drow pega sua roupa no chão e começa a se vestir com o rosto emburrado.

– Foi um pequeno deslize. – responde ela tentando tornar sua falha mais branda, por máximo que não acreditasse que isso seria possível.

– Que pode’ía custá sua vida. – retruca seu guardião como um professor dando uma lição. – Sua mãe qué falá com você.

– Ela estava assistindo? – nesse momento a drow perde sua feição emburrada, dando lugar a uma feição arrependida e amedrontada. – Ela vai achar que estou sendo fraca para o que sou. Talvez ache que criou a criança errada.

– O que sua mãe vai achá ou não eu não sei, mas você tá deixando o medo lhe tomá novamente. Você é uma deusa Lolth! Aja como uma!

Outcasts – Livro I: Párias – Capítulo 1 (Parte 3)

Ainda estupefato Sol’al tenta diminuir sua euforia através de práticas respiratórias para finalmente poder descansar. Nunca esse mago drow havia ficado tão maravilhado e contente quanto naquele dia. Há muito que o jovem Sol’al queria ver um drider livre pessoalmente.

Mesmo sendo de uma Casa menor, ele conseguiu ingressar em Sorcere e lá estava já há dois anos. Em todo esse tempo ele procurava em tomos e pergaminhos algo sobre esses amaldiçoados drows, que lhe trouxesse algum novo conhecimento ainda não possuído por sua Casa.

Toda a sociedade drow sempre ostracisou esses seres como aberrações e exemplos da incapacidade de alguns de servir sua própria deusa. Porém a maldição que Lolth impunha àqueles que não foram capazes de passar em seu misterioso teste, tinha um outro significado aos olhos do jovem mago: poder.

Muitos estudos mostravam que os driders se tornavam fisicamente mais fortes e muitas vezes mais hábeis no trato com magias do que os drows não “amaldiçoados”. Sua Casa, – a Casa Teken’th’tlar -, sempre estudou todas as espécies conhecidas de aracnídeos e de criaturas que possuíam algum parentesco com eles. Sua curiosidade por driders vem desde a infância, antes de ser aceito no Sorcere. Sabia como eles eram. Conhecia bem sua ecologia, sua forma de sobrevivência, sua fisiologia, suas forças e fraquezas, mas não era suficiente, ele queria mais. Até aquele dia, nunca havia visto um pessoalmente e isso, – ele acreditava -, poderia trazer muitas compreensões que livro algum traria.

Como um dos ajudantes e aprendizes do Mestre Orghz Q’Xorlarrin, Sol’al acompanhou-o em uma expedição para conseguir materiais raros e importantes ao uso de magias de Conjuração e principalmente para magia estudadas por Arachnomantes. O Mestre Q’Xorlarrin, desde o começo do aprendizado do jovem, se interessou por ele graças ao seu grande empenho em buscar conhecimento sobre os aracnídeos e tudo aquilo que se envolvia com esses seres, o que facilitou para que Sol’al conseguisse convencer seu Mestre para poder viajar junto.

No dia em que sua expedição começou, o jovem mago estava muito nervoso. Ele sabia que a área na qual os ingredientes dos feitiços se encontravam era possivelmente habitada por um drider. A viagem até o local também seria bastante perigosa, pois o caminho atravessava um grande enxame de mantos negros. Entre os viajantes havia apenas um guerreiro e vários aprendizes.

Ao entrar em Sorcere, Sol’al optou por aprender magias das escolas de Conjuração, Encantamento e Evocação, escolas que o ajudariam a lidar com aracnídeos especificamente e a se defender em casos de extrema necessidade. Seus pequenos conhecimentos nessas áreas somados ao seu conhecimento sobre driders acabaram por ajudar em seu argumento do porquê seria positivo para o Mestre deixá-lo ir junto.

A viagem, como previsto havia sido árdua. Sol’al mostrou sua eficiência e desejo de auxiliar o Mestre Q’Xorlarrin muitas vezes durante a expedição. Em um desses momentos que o experiente mago chamou o jovem de lado e aconselhou severamente:

– Não demonstre demais suas capacidades, jovem. Isso acaba tornando suas fraquezas evidentes demais.

Com certeza o jovem Teken’th’tlar aprendeu muito nesse período. Muito mais do que aprenderia apenas vendo um drider aprisionado em uma grade, pois quando eles chegaram na área habitada pelo drow amaldiçoado, não demorou muito para que um dos aprendizes menos experientes chamasse a atenção da aberração que atacou o grupo com velocidade e presteza imensas. Muitos morreram, antes que o Mestre Q’Xorlarrin conseguisse conter o drider, que paralizado nada podia fazer enquanto os drows saqueavam seus tesouros e colhiam os ingredientes necessários.

– Mestre Q’Xorlarrin, por que o senhor não mata esse monstro de uma vez? Não é perigoso mantê-lo paralisado apenas? – perguntou o único guerreiro que acompanhava a expedição.

O experiente mago não demonstrou sequer irritação pela audácia do guerreiro por questioná-lo e respondeu brevemente:

– Meu aprendiz tirará muito mais proveito desse monstro vivo. – e logo em seguida olhou para Sol’al, que de princípio ficou sem saber como agir, até que ao perceber o olhar do Mestre se tornando severo, se aproximou da aberração e começou a estudá-lo. – Ajude-o se ele precisar de algo, guerreiro. – finalizou o Mestre.

Sol’al estava muito tenso, mas vasculhou todas as partes do corpo do Drider. Observou a espessura de sua carapaça, a constituição da parte drow de seu corpo e por fim pediu para que o guerreiro abrisse o monstro para estudos internos. Mesmo isso tendo sido pedido na frente do drider esse nem mesmo demonstrou receio, seu olhar demonstrava apenas o mesmo ódio.

O retorno a Menzoberranzan foi bem mais calmo que a ida, o que não quer dizer muita coisa tendo em mente o que ocorreu na viagem. Porém ninguém mais morreu. Assim que Sol’al chegou em seu alojamento passou a escrever compulsivamente tudo o que havia aprendido.

Agora, respirando calmamente, Sol’al consegue acalmar sua euforia. Ele se posiciona em sua almofada ao chão e entra em Reverie. Suas anotações já estão feitas, e, agora que seu coração agitado se acalmou, só resta descansar.

Rabiscos – Rostos 2

Rabiscos - Rostos 2

Rabiscos - Rostos 2 - Esferográfica sobre papel

Outcasts – Livro I: Párias – Capítulo 1 (Parte 2)

– Você sabe que sua mãe e suas irmãs não confiam em sua força, Senhora Sabal. Não acreditam que você durará mais que um mês no Arach-Tinilith. Isso não te preocupa? – um forte guerreiro drow se dirige a uma jovem fêmea que parece absorta em pensamentos enquanto observa o presente que acabou de receber.

Ainda de joelhos no chão, sem tirar os olhos dos pés de Sabal e percebendo que a resposta não viria ele prossegue:

– Senhora, acredito que seja mais correto que treine formas de esconder aquilo que consideram ser suas fraquezas. Eu lhe ensinei bastante a respeito de combate e da utilização de certas armas, mas não seria capaz de lhe ensinar algo extremamente importante para nossa raça: astúcia.

Sabal, mesmo ainda sendo muito jovem, demonstra total compreensão a respeito do que o guerreiro de sua casa está tentando lhe dizer. Em seu íntimo ela sente uma pitada de orgulho ferido por um macho estar lhe dando conselhos, logo, em sua mente, surgem imagens das variadas formas de castigá-lo. Porém, ela opta por sua forma habitual de agir.

– Meu querido Mariv. Eu sei o que pensam ou deixam de pensar sobre mim, mas prefiro manter minha postura. – ela toca no queixo do guerreiro e ergue seu rosto para que ele a encare – Sendo amigável com os machos e escravos, consigo mais respeito e poder do que muitas dentro de nossa Casa, não concorda?

Mariv tenta desvencilhar do toque de Sabal para desviar o olhar de seu rosto. Mas não consegue. Percebendo que ela faz questão de encará-lo cara a cara, ele apenas fecha os olhos. Nesse momento o guerreiro sente a aproximação da morte. Aos poucos ele abre os olhos e se depara com os olhos vermelhos de Sabal Dyrr, futura clériga de Lolth. Seu corpo treme involuntariamente. “Como posso ter medo dela?” se pergunta surpreso o guerreiro “Como posso ter medo de uma fêmea tão…” as palavras fogem de sua mente, “amigável” soa muito estranho para um drow. Não conseguindo encará-la, seus olhos passeiam pelo rosto da jovem. Para os padrões drow, Sabal possui apenas uma aparência comum, se confundiria facilmente em uma multidão em Mezoberranzan, mas seu jeito de tratar os outros e de agir, – mesmo não sendo sensual -, atrai eficazmente os machos e aqueles de raça inferior; o que gera grande inveja em algumas fêmeas, que preferem considerá-la fraca por suas atitudes. Mariv reconhece isso, mas não consegue se desfazer da teia de confiança e amizade na qual foi o primeiro a ser preso. Sabendo que esses conceitos não pertencem ao seu povo, a muito ele se pergunta: “Até quando?”.

– Você já me ensinou algo muito importante Mariv: nunca depender de nada e ninguém. Eu vou sobreviver. – diz a fêmea finalizando a conversa e beijando Mariv na testa.

Com o corpo ainda abalado, o guerreiro a cumprimenta respeitosamente à distância e se retira do recinto. “Insolente” diz Sabal para ela mesma enquanto se prepara psicologicamente para sua mudança. Em poucos dias ela mudará de sua casa para o Arach-Tinilith e começará a ser treinada oficialmente como clériga; aquilo que sempre quis.

Em suas reflexões a jovem Dyrr se habitua aos pensamentos que devem dirigir suas ações. “O poder tem várias formas”, essa frase resume sua visão da deusa. “Se depender de algo que não sejam minhas habilidades e conhecimentos, nunca poderei servir a deusa com todo meu potencial”. Sabal Dyrr olha para a morningstar que Mariv lhe deu de presente e a observa por alguns instantes. “Engraçado minhas irmãs me acharem fraca por eu tratar escravos e machos como iguais, com suas experiências deveriam saber que tratar não é a mesma coisa que se considerar”, com um sorriso no rosto Sabal se dirige até a sua arma e a embrulha. Checando para ver se ninguém mais estava por perto ou no recinto, a drow desloca uma discreta pedra no canto de seu quarto revelando um buraco onde ela guarda a arma. “Melhor assim. Me subestimem o quanto puderem”. Ainda sorrindo, Sabal se levanta e com suas coisas sai do quarto em direção ao seu destino.

Outcasts – Livro I: Párias – Capítulo 1 (Parte I)

Azirel Sel’Xarann fazia parte de uma família de mercadores de Menzoberranzan, mas há muito tempo deixou sua casa e seus deveres de lado, unindo-se a um mestre para se tornar um eremita nas cavernas do Underdark. Por muito tempo ele caminhou pelos gloriosos túneis subterrâneos de Faerun junto a seu mestre e posteriormente sozinho. Visitou várias das maravilhosas cidades drows, mas nenhuma se comparou a sua cidade natal. Mesmo assim, fez alianças fortes com vários mercenários, aceitando uma ou outra oferta de trabalho. Entre esses mercenários os Bregan D’Aerthe estavam no topo de sua estima.

Seus dias de andanças e explorações acabaram quando ele percebeu que havia se desenvolvido muito suas técnicas de combate e comunhão com a sinistra natureza do Underdark, e não havia ninguém para quem ele pudesse passar toda sabedoria e técnica de sua linhagem. Esses pensamentos o perturbaram por muito tempo, mas o destino reservou a ele surpresas agradáveis até demais para um drow não desconfiar.

O experiente Sel’Xarann ainda se encontra impressionado com o que ocorrera. Sem conseguir esconder toda a sua satisfação – que surge sempre que observa seu discípulo – ele reflete sobre até que ponto não está demonstrando fraqueza. Por mais que nunca tenha sido um drow muito religioso, sua ligação com Lolth é forte, afinal de contas seu maior companheiro é um macho de Aranha-Espada. Ele sabe que para muitos drows a afeição pelo seu discípulo seria uma demonstração de imensa fraqueza, mas em suas reflexões as razões para tal satisfação eram sim a manifestação de sua devoção à deusa. Ele conhecia muitos segredos do Underdark e técnicas sombrias de combate que muitos guerreiros nem mesmo sonhariam em aprender. Azirel estava apenas servindo Lolth fazendo com que esses conhecimentos não se perdessem quando sua vida chegasse ao fim. Afinal de contas, foi ela que o entregou de forma simbólica quando seu discípulo ainda era um bebê.

“Como você teve sorte”, pensa Azirel enquanto sorri lembrando do momento em que Vazmaghor, sua Aranha-Espada, encontrou o bebê preso nas teias de uma Aranha-Enorme nas proximidades de Menzoberranzan. Mesmo sendo um macho, Vazmaghor é de uma espécie de aranha superior ao da fêmea que ameaçava a criança. O primeiro impulso da Aranha-Espada não era “salvar” o bebê, muito pelo contrário, porém seu companheiro assim exigiu. Foi necessário que Vazmaghor matasse a fêmea para que pudesse levar de lá aquela pequena criança. Uma heresia, mas Azirel Sel’Xarann sabia que Lolth estava envolvida em toda a trama que salvou aquela vida. Aquele acontecimento tinha um propósito e ele tem certeza que está de acordo com os misteriosos desejos da deusa. Caso não, ele é um dos maiores hereges de Menzoberranzan.

Esticando seus braços para o alto como se os alongassem, o eremita deixa com que aqueles pensamentos e lembranças se desfaçam e volta a observar seu jovem discípulo que se exercita dedicadamente.

– Alak! Por hoje é o suficiente. Descanse um pouco e depois vá buscar água para nós.

O jovem o olha e se inclina respeitosamente.

– Sim, meu senhor. – se endireitando rapidamente e partindo para buscar água para seu mestre.

Quando seu discípulo parte, Sel’Xarann adentra sua cabana e pega em sua trouxa um pequeno broche que foi encontrado há pouco tempo no mesmo lugar que encontrou seu discípulo. Olhando profundamente o broche, como se sentisse tristeza, Azirel Sel’Xarann sai da cabana e coloca o objeto no chão.

“Infelizmente você nunca poderá saber de que Casa você veio Alak. Pelo menos nunca saberá por mim”, concentrando-se no broche e sacando rapidamente sua espada, o eremita desfere um poderoso golpe que corta o objeto ao meio. Pegando as duas parte do chão, ele as joga fora, em lugares distantes uma da outra. Quando retorna a seu acampamento, Alak já se encontra com a água.

– Onde você estava mestre? – pergunta o jovem curioso.

– Me purificando.

Rabiscos – Rostos 1

Rabiscos - Rostos 1

Rabiscos - Rostos 1 - Esferográfica sobre papel

Outcasts – Livro I: Párias – Prelúdio

Vishnara Do’Urden observa o único goblin robusto e com orelhas tão compridas que ela viu em toda sua longa vida. Há muito tempo que ela deixou sua Casa de lado, dada como louca e digna de piada, caminhou pelos lugares onde sua deusa havia lhe dito para ir.  Há pouco que está morando onde o lixo mora. Seus pensamentos estam todos embaralhados. De forma alguma ela lembra como aquela criança fora parar em seus braços, mas sabe quem ela é. As coisas ainda estão confusas, mas há duas certezas além da identidade da criança: ela deve criá-la e para isso necessita de um protetor para a mesma.

Com dificuldade a velha Drow se aproxima do goblin, que a olha com profunda desconfiança.

– A quem você serve goblin?

O rosto da criatura parece se distorcer com desdém ao escutar a pergunta.

– Ninguém. Fui pego pa’ se esc’avo, mas não se’vi’ía ninguém que eu não achasse digno ou que não pagasse bem.

A velha sorri.

– E como você conseguiu manter sua liberdade estando em Menzoberranzan?

– Não sou cova’de feito os out’os da minha ‘aça. Sei me vi’á sozinho. – responde o goblin tocando o cabo de um dos machados que ficam em suas costas.

A velha solta uma gargalhada esganiçada que atrai a atenção de alguns outros escravos que se encontram pelas ruas imundas do Braeryn. O goblin se sente incomodado e olha de forma agressiva para a velha Drow.

– Você me agrada. – ri comicamente – Agora responda jovem goblin: você serviria uma deusa? – diz a Drow mudando imediatamente sua feição cômica para uma olhar extremamente sério.

Para o goblin aquela velha não parece um exemplo de sanidade. Ele a olha com uma desconfiança ainda maior e a encara por algum tempo antes de responder. Percebe o quanto o olhar dela reflete algo caótico em seu espírito, isso o hipnotiza por alguns instantes até que ele balança a cabeça para desfazer o pequeno transe no qual entrou e retoma a conversa de onde parou – não importando quanto tempo ele tenha ficado parado encarando o olhar da Drow.

–  Po’ que uma deusa i’ía que’e’ meus se’viços?

– Pois você carrega um de seus aspectos. – a resposta causa ainda mais estranhamento no goblin, mas a velha prossegue – A astúcia, o caos, o poder, a escuridão. Ela nasceu e necessita de um protetor enquanto está nessa forma frágil de bebê.

A velha descobre, em seu braço, aquilo que parecia um pacote para o goblin e esse vê um lindo bebê Drow, que o encanta de uma maneira que ele nunca acreditou que fosse possível. Sentindo um calafrio o goblin olha nos olhos insanos da Drow que emitem um sinistro brilho malicioso.

– Me responda goblin! Você serviria Lolth?

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