Outcasts – Livro I: Párias – Prelúdio

Vishnara Do’Urden observa o único goblin robusto e com orelhas tão compridas que ela viu em toda sua longa vida. Há muito tempo que ela deixou sua Casa de lado, dada como louca e digna de piada, caminhou pelos lugares onde sua deusa havia lhe dito para ir.  Há pouco que está morando onde o lixo mora. Seus pensamentos estam todos embaralhados. De forma alguma ela lembra como aquela criança fora parar em seus braços, mas sabe quem ela é. As coisas ainda estão confusas, mas há duas certezas além da identidade da criança: ela deve criá-la e para isso necessita de um protetor para a mesma.

Com dificuldade a velha Drow se aproxima do goblin, que a olha com profunda desconfiança.

– A quem você serve goblin?

O rosto da criatura parece se distorcer com desdém ao escutar a pergunta.

– Ninguém. Fui pego pa’ se esc’avo, mas não se’vi’ía ninguém que eu não achasse digno ou que não pagasse bem.

A velha sorri.

– E como você conseguiu manter sua liberdade estando em Menzoberranzan?

– Não sou cova’de feito os out’os da minha ‘aça. Sei me vi’á sozinho. – responde o goblin tocando o cabo de um dos machados que ficam em suas costas.

A velha solta uma gargalhada esganiçada que atrai a atenção de alguns outros escravos que se encontram pelas ruas imundas do Braeryn. O goblin se sente incomodado e olha de forma agressiva para a velha Drow.

– Você me agrada. – ri comicamente – Agora responda jovem goblin: você serviria uma deusa? – diz a Drow mudando imediatamente sua feição cômica para uma olhar extremamente sério.

Para o goblin aquela velha não parece um exemplo de sanidade. Ele a olha com uma desconfiança ainda maior e a encara por algum tempo antes de responder. Percebe o quanto o olhar dela reflete algo caótico em seu espírito, isso o hipnotiza por alguns instantes até que ele balança a cabeça para desfazer o pequeno transe no qual entrou e retoma a conversa de onde parou – não importando quanto tempo ele tenha ficado parado encarando o olhar da Drow.

–  Po’ que uma deusa i’ía que’e’ meus se’viços?

– Pois você carrega um de seus aspectos. – a resposta causa ainda mais estranhamento no goblin, mas a velha prossegue – A astúcia, o caos, o poder, a escuridão. Ela nasceu e necessita de um protetor enquanto está nessa forma frágil de bebê.

A velha descobre, em seu braço, aquilo que parecia um pacote para o goblin e esse vê um lindo bebê Drow, que o encanta de uma maneira que ele nunca acreditou que fosse possível. Sentindo um calafrio o goblin olha nos olhos insanos da Drow que emitem um sinistro brilho malicioso.

– Me responda goblin! Você serviria Lolth?

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