Outcasts – Livro I: Párias – Capítulo 1 (Parte 2)

– Você sabe que sua mãe e suas irmãs não confiam em sua força, Senhora Sabal. Não acreditam que você durará mais que um mês no Arach-Tinilith. Isso não te preocupa? – um forte guerreiro drow se dirige a uma jovem fêmea que parece absorta em pensamentos enquanto observa o presente que acabou de receber.

Ainda de joelhos no chão, sem tirar os olhos dos pés de Sabal e percebendo que a resposta não viria ele prossegue:

– Senhora, acredito que seja mais correto que treine formas de esconder aquilo que consideram ser suas fraquezas. Eu lhe ensinei bastante a respeito de combate e da utilização de certas armas, mas não seria capaz de lhe ensinar algo extremamente importante para nossa raça: astúcia.

Sabal, mesmo ainda sendo muito jovem, demonstra total compreensão a respeito do que o guerreiro de sua casa está tentando lhe dizer. Em seu íntimo ela sente uma pitada de orgulho ferido por um macho estar lhe dando conselhos, logo, em sua mente, surgem imagens das variadas formas de castigá-lo. Porém, ela opta por sua forma habitual de agir.

– Meu querido Mariv. Eu sei o que pensam ou deixam de pensar sobre mim, mas prefiro manter minha postura. – ela toca no queixo do guerreiro e ergue seu rosto para que ele a encare – Sendo amigável com os machos e escravos, consigo mais respeito e poder do que muitas dentro de nossa Casa, não concorda?

Mariv tenta desvencilhar do toque de Sabal para desviar o olhar de seu rosto. Mas não consegue. Percebendo que ela faz questão de encará-lo cara a cara, ele apenas fecha os olhos. Nesse momento o guerreiro sente a aproximação da morte. Aos poucos ele abre os olhos e se depara com os olhos vermelhos de Sabal Dyrr, futura clériga de Lolth. Seu corpo treme involuntariamente. “Como posso ter medo dela?” se pergunta surpreso o guerreiro “Como posso ter medo de uma fêmea tão…” as palavras fogem de sua mente, “amigável” soa muito estranho para um drow. Não conseguindo encará-la, seus olhos passeiam pelo rosto da jovem. Para os padrões drow, Sabal possui apenas uma aparência comum, se confundiria facilmente em uma multidão em Mezoberranzan, mas seu jeito de tratar os outros e de agir, – mesmo não sendo sensual -, atrai eficazmente os machos e aqueles de raça inferior; o que gera grande inveja em algumas fêmeas, que preferem considerá-la fraca por suas atitudes. Mariv reconhece isso, mas não consegue se desfazer da teia de confiança e amizade na qual foi o primeiro a ser preso. Sabendo que esses conceitos não pertencem ao seu povo, a muito ele se pergunta: “Até quando?”.

– Você já me ensinou algo muito importante Mariv: nunca depender de nada e ninguém. Eu vou sobreviver. – diz a fêmea finalizando a conversa e beijando Mariv na testa.

Com o corpo ainda abalado, o guerreiro a cumprimenta respeitosamente à distância e se retira do recinto. “Insolente” diz Sabal para ela mesma enquanto se prepara psicologicamente para sua mudança. Em poucos dias ela mudará de sua casa para o Arach-Tinilith e começará a ser treinada oficialmente como clériga; aquilo que sempre quis.

Em suas reflexões a jovem Dyrr se habitua aos pensamentos que devem dirigir suas ações. “O poder tem várias formas”, essa frase resume sua visão da deusa. “Se depender de algo que não sejam minhas habilidades e conhecimentos, nunca poderei servir a deusa com todo meu potencial”. Sabal Dyrr olha para a morningstar que Mariv lhe deu de presente e a observa por alguns instantes. “Engraçado minhas irmãs me acharem fraca por eu tratar escravos e machos como iguais, com suas experiências deveriam saber que tratar não é a mesma coisa que se considerar”, com um sorriso no rosto Sabal se dirige até a sua arma e a embrulha. Checando para ver se ninguém mais estava por perto ou no recinto, a drow desloca uma discreta pedra no canto de seu quarto revelando um buraco onde ela guarda a arma. “Melhor assim. Me subestimem o quanto puderem”. Ainda sorrindo, Sabal se levanta e com suas coisas sai do quarto em direção ao seu destino.

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