Outcasts – Livro I: Párias – Capítulo 1 (Parte 3)

Ainda estupefato Sol’al tenta diminuir sua euforia através de práticas respiratórias para finalmente poder descansar. Nunca esse mago drow havia ficado tão maravilhado e contente quanto naquele dia. Há muito que o jovem Sol’al queria ver um drider livre pessoalmente.

Mesmo sendo de uma Casa menor, ele conseguiu ingressar em Sorcere e lá estava já há dois anos. Em todo esse tempo ele procurava em tomos e pergaminhos algo sobre esses amaldiçoados drows, que lhe trouxesse algum novo conhecimento ainda não possuído por sua Casa.

Toda a sociedade drow sempre ostracisou esses seres como aberrações e exemplos da incapacidade de alguns de servir sua própria deusa. Porém a maldição que Lolth impunha àqueles que não foram capazes de passar em seu misterioso teste, tinha um outro significado aos olhos do jovem mago: poder.

Muitos estudos mostravam que os driders se tornavam fisicamente mais fortes e muitas vezes mais hábeis no trato com magias do que os drows não “amaldiçoados”. Sua Casa, – a Casa Teken’th’tlar -, sempre estudou todas as espécies conhecidas de aracnídeos e de criaturas que possuíam algum parentesco com eles. Sua curiosidade por driders vem desde a infância, antes de ser aceito no Sorcere. Sabia como eles eram. Conhecia bem sua ecologia, sua forma de sobrevivência, sua fisiologia, suas forças e fraquezas, mas não era suficiente, ele queria mais. Até aquele dia, nunca havia visto um pessoalmente e isso, – ele acreditava -, poderia trazer muitas compreensões que livro algum traria.

Como um dos ajudantes e aprendizes do Mestre Orghz Q’Xorlarrin, Sol’al acompanhou-o em uma expedição para conseguir materiais raros e importantes ao uso de magias de Conjuração e principalmente para magia estudadas por Arachnomantes. O Mestre Q’Xorlarrin, desde o começo do aprendizado do jovem, se interessou por ele graças ao seu grande empenho em buscar conhecimento sobre os aracnídeos e tudo aquilo que se envolvia com esses seres, o que facilitou para que Sol’al conseguisse convencer seu Mestre para poder viajar junto.

No dia em que sua expedição começou, o jovem mago estava muito nervoso. Ele sabia que a área na qual os ingredientes dos feitiços se encontravam era possivelmente habitada por um drider. A viagem até o local também seria bastante perigosa, pois o caminho atravessava um grande enxame de mantos negros. Entre os viajantes havia apenas um guerreiro e vários aprendizes.

Ao entrar em Sorcere, Sol’al optou por aprender magias das escolas de Conjuração, Encantamento e Evocação, escolas que o ajudariam a lidar com aracnídeos especificamente e a se defender em casos de extrema necessidade. Seus pequenos conhecimentos nessas áreas somados ao seu conhecimento sobre driders acabaram por ajudar em seu argumento do porquê seria positivo para o Mestre deixá-lo ir junto.

A viagem, como previsto havia sido árdua. Sol’al mostrou sua eficiência e desejo de auxiliar o Mestre Q’Xorlarrin muitas vezes durante a expedição. Em um desses momentos que o experiente mago chamou o jovem de lado e aconselhou severamente:

– Não demonstre demais suas capacidades, jovem. Isso acaba tornando suas fraquezas evidentes demais.

Com certeza o jovem Teken’th’tlar aprendeu muito nesse período. Muito mais do que aprenderia apenas vendo um drider aprisionado em uma grade, pois quando eles chegaram na área habitada pelo drow amaldiçoado, não demorou muito para que um dos aprendizes menos experientes chamasse a atenção da aberração que atacou o grupo com velocidade e presteza imensas. Muitos morreram, antes que o Mestre Q’Xorlarrin conseguisse conter o drider, que paralizado nada podia fazer enquanto os drows saqueavam seus tesouros e colhiam os ingredientes necessários.

– Mestre Q’Xorlarrin, por que o senhor não mata esse monstro de uma vez? Não é perigoso mantê-lo paralisado apenas? – perguntou o único guerreiro que acompanhava a expedição.

O experiente mago não demonstrou sequer irritação pela audácia do guerreiro por questioná-lo e respondeu brevemente:

– Meu aprendiz tirará muito mais proveito desse monstro vivo. – e logo em seguida olhou para Sol’al, que de princípio ficou sem saber como agir, até que ao perceber o olhar do Mestre se tornando severo, se aproximou da aberração e começou a estudá-lo. – Ajude-o se ele precisar de algo, guerreiro. – finalizou o Mestre.

Sol’al estava muito tenso, mas vasculhou todas as partes do corpo do Drider. Observou a espessura de sua carapaça, a constituição da parte drow de seu corpo e por fim pediu para que o guerreiro abrisse o monstro para estudos internos. Mesmo isso tendo sido pedido na frente do drider esse nem mesmo demonstrou receio, seu olhar demonstrava apenas o mesmo ódio.

O retorno a Menzoberranzan foi bem mais calmo que a ida, o que não quer dizer muita coisa tendo em mente o que ocorreu na viagem. Porém ninguém mais morreu. Assim que Sol’al chegou em seu alojamento passou a escrever compulsivamente tudo o que havia aprendido.

Agora, respirando calmamente, Sol’al consegue acalmar sua euforia. Ele se posiciona em sua almofada ao chão e entra em Reverie. Suas anotações já estão feitas, e, agora que seu coração agitado se acalmou, só resta descansar.

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