Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 3 (Parte 1)

Zaknafein Q’Xorlarrin caminha de um canto para o outro em uma crípta nas cavernas próximas a Menzoberranzan. Sua grande juba branca balança acompanhando o movimento inquieto de seu corpo enquanto balbucia algumas palavras de raiva e descontentamento. As suas duas mãos menores se esfregam enquanto as grandes garras das patas maiores tocam no chão como se ele fosse um quadrúpede. É perceptível a fúria controlada em seus olhos.

– Desculpe a demora Zaknafein, surgiu um imprevisto no caminho. – diz um humano de manto vinho e preto, com feições duras, cabelos desgrenhados e sujos.

O draegloth bafeja em sua direção, com seus afiados dentes a mostra. O humano respira o ar fétido sem nem mesmo distorcer seu rosto.

– Sua demora pouco me importa! O que não agüento mais são aquelas chupadoras de aranhas! Quando eu poderei virar as costas para a Puta dos Fossos Demoníacos?!

– Calma! Tudo tem seu tempo. Tenha paciência, não podemos acelerar nada. O que estamos fazendo é um assunto delicado, qualquer atitude imprudente levaria tudo ao chão. – diz severamente o mago sem alterar sua feição, apenas seu olhar.

Com uma respiração forte, como se estivesse tentando se acalmar realmente, Zaknafein encara o mago por alguns instantes, até virar as costas que carregam marcas do flagelo das clérigas da Casa Xorlarrin.

– Sabe o quanto eu tenho que me segurar para não matá-las a cada vez que elas fazem isso?

– Agüente mais alguns anos, Zaknafein, e…

– ALGUNS ANOS??? – o draegloth interrompe o mago humano com um surto de raiva, atingindo um golpe na parede da cripta que deixa uma marca profunda.

– A pedido de seu pai. – complementa o mago mantendo a dura expressão em seu rosto.

Enquanto o draegloth controla sua respiração para se acalmar, o mago prossegue.

– Como anda a formação do exército?

Zaknafein o encara novamente, já com o olhar mais calmo, porém ainda cheio de ódio.

– Estou conseguindo unir vários orcs. Eles serão extremamente úteis em nossos objetivos. Estão dispostos a servir meu pai e se rebelarem contra as chupadoras de aranha. Só não sei se conseguirei segurá-los por “anos”. – responde o draegloth olhando severamente o mago humano.

– Mas assim deve ser. Deixe que alguns desses orcs escapem para formar comunidades fora de Menzoberranzan e esperem o momento em que você os liderará para a glória que é servir ao seu pai. – nesse momento o humano esboça um sorriso gratificante em seu rosto duro.

– Não creio que será muito difícil de fazer isso. Muitos desses orcs são veteranos e me disseram a respeito de um antigo plano de fugir de Menzoberranzan para formarem uma tribo e sobreviverem sozinhos. Na época eles serviam um campeão de Gruumsh, mas esse foi assassinado e o plano não foi em frente. – Zaknafein dá uma pausa e sorri mostrando seus caninos pontudos – Se eu auxiliá-los, eles saberão o que fazer.

O mago se vira e caminha para a entrada da cripta de onde veio.

– Ótimo. Apenas seja cauteloso.

– Sou um clérigo espião dentro de uma das grandes Casas de chupadores de aranhas de Menzoberranzan. Eu sou cauteloso. – responde secamente o draegloth.

Confirmando com um aceno de cabeça, o mago começa a caminhar para fora da cripta.

– E quando falaremos com o tal Drider? – pergunta Zaknafein.

– Em breve. Mais rápido do que imaginei. – responde o mago.

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