Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 3 (Parte 4)

Como uma casa menor, os Teken’Th’Tlar sempre buscaram o maior número de alianças possíveis e sempre conseguiram mostrar sua utilidade. Por ser uma casa de eruditos, suas artimanhas sempre foram extremamente sutis. Com as aranhas, aracnídeos e derivados sendo suas principais fontes de estudo, os Teken’Th’Tlar se identificam em muito com esses seres. Suas “armadilhas” são meticulosamente preparadas e as tramas de suas teias são extremamente bem trabalhadas. Quando atingem um inimigo, eles são rápidos, certeiros e mortais. Como moscas, os companheiros daqueles que caíram em suas tramas e armadilhas não percebem o que atingiu seu antigo companheiro, e acabam caindo também nas teias dessa pequena Casa.

Com todas essas características, alguns membros dela se perguntam o porquê eles não são uma das Casas Maiores de Menzoberranzan. Os grandes líderes Teken’Th’Tlar sabem a respostas: eles são aranhas pequenas. Por mais astutas, inteligentes e meticulosas que sejam, sua casa ainda é como uma pequena caranguejeira perto de Aranhas-Gigante, Aranhas-Espada, Aranhas-de-Fase. Todas suas artimanhas até o momento foram apenas contra presas menores, nunca contra outros predadores tão bem dotados. Segundo a percepção da Matrona Maya Teken’Th’Tlar, “as coisas continuarão assim até conseguirmos acumular conhecimento e oportunidades suficientes para virar a mesa. Não importa o quanto isso demore”. Porém nem todos concordam com essa visão.

Riklaunim Teken’Th’Tlar, o maior mago da Casa uniu outros que discordavam dess perspectiva e formaram uma sociedade secreta dentro da própria Casa. Até o momento, eles não planejam usurpar o poder da Matrona Maya, ou transformar a Casa de maneira drástica, apenas pretendem “acelerar um pouco as coisas”. Essa pequena sociedade secreta não é sexista, porém, entre as fêmeas, nenhuma é puramente clériga. A feiticeira Akordia Teken’Th’Tlar é a segunda no comando dentro da sociedade auto denominada Teias Arcanas. Logo após Akordia estão Jabor e Eclavdra, como principais planejadores. Os outros apenas dão suas opiniões e colocam em ação o que foi decidido pelo conselho principal.

Essa hierarquia não é rígida. Uma fêmea ainda é uma fêmea. Mesmo que Riklaunim esteja no topo da organização, ele não tem nenhum poder sobre Akordia, porém essa reconhece a capacidade intelectual e conhecimentos arcanos do principal mago da Casa e o respeita por isso.

Muitas ações da Casa sofreram influência da Teias Arcanas, mas até o momento, por ser uma sociedade ainda nova, nenhum ato foi decisivo ou criou alguma grande oportunidade para os Teken’Th’Tlar crescerem. Entretanto, há pouco tempo algo inesperado ocorreu para esses conjuradores: um Teken’Th’Tlar caiu nas graças de uma Casa Maior. Sol’al chamou a atenção de um dos professores de Sorcere da Casa Xorlarrin, que já possuía uma pequena relação com a casa menor.

Orghz Q’Xorlarrin manteve contato com Jabor Teken’Th’Tlar durante e depois da estadia de Sol’al em Sorcere. Em suas cartas, o Mestre Q’Xorlarrin era enfático:

            “Caro Jabor,

            Mantenha sempre esse jovem mago em movimento. Faça-o crescer em conhecimento e poder. Mantê-lo apenas focado em seus livros não desenvolverá todo o seu potencial, que ao meu ver é imenso.

            Teste suas capacidades. Quando ele se tornar o mago que vejo nele, nossas Casas terão muito a ganhar.

            Atenciosamente,

            Mestre Orghz Q’Xorlarrin do Sorcere

            Evocador e Conjurador da Casa Maior Xorlarrin”

Jabor viu uma grande oportunidade de estreitar a relação entre os Teken’Th’Tlar e os Xorlarrin, e após alguns meses do retorno de Sol’al a sua Casa, ele o tomou como discípulo pessoal. Nem todos da Teias Arcanas concordavam com a atenção que um de seus maiores estrategistas estava dedicando a um mago “fraco e covarde”, porém Jabor mantinha seus motivos escondidos e prosseguia com um treinamento distante, mas intenso.

Em dois anos, Sol’al, a mando de seu superior, ajudou na escolta de Casas Mercantes até a superfície. Nos períodos que passou fora do Underdark, seu estudo a respeito de aranhas se estendeu. Mesmo com todo o desconforto causado pelo Sol, ele se sentiu excitado com a possibilidade de aumentar ainda mais seus conhecimentos a respeito de aracnídeos, em específico: aranhas. Sol’al conhecia muito da fauna do Underdark, mas pouco das aranhas que vivem na superfície. Além disso, com esse contato com as Casas Mercantes, Sol’al desenvolveu ainda mais seu repertório de magias e, ao constatar a grande ligação destrutiva entre fogo e teia, passou a desenvolver um certo prazer em utilizar evocações ígneas.

Aos poucos, Sol’al conseguiu mascarar mais equilibradamente suas forças e fraquezas. Ainda achava mais gratificante a subestimação da maioria, porém agora ele era cada vez mais uma figura pública e, para ganhar certo respeito, precisava demonstrar o mínimo de suas capacidades. Alguns mercantes, com seus hábitos de apelidar indivíduos tendo em vista suas capacidades, apelidaram Sol’al de “Teias Flamejantes”, mas esse não era um título que o jovem Teken’Th’Tlar resolveu levar para sua Casa.

Entre viagens a superfície e retornos a Menzoberranzan, houve também viagens internas no Underdark. Durante essas viagens, eles tiveram de passar próximo a Yathchol, a grande vila de chitines ao sudeste de Menzoberranzan e ao norte de Ched Nasad. Lá, com muito esforço e alterando um tanto os planos dos mercadores drows, Sol’al conseguiu capturar uma choldrith, uma das clérigas dos chitines. Pelo que conseguiu perceber, a clériga não era poderosa e sim uma iniciante, mas já era válido para iniciar seus estudos. Em sua Casa não havia Choldriths capturadas, ele estaria levando a primeira. “Não. Eu não estou levando. É um presente dos mercadores” se autocorrigiu Sol’al.

Foram dois anos intensos de viagens, descobertas, treinos e desenvolvimentos práticos de suas magias. Teve contato com diversas das raças inferiores, mas nenhum drider. Mesmo assim, várias coisas o impressionaram, entre elas contatos relâmpagos que ele teve com alguns vermim keepers e as capacidades deles de conjurar e controlar insetos, aracnídeos e outros invertebrados.

– Como foram esses dois anos longe de sua Casa, Sol’al? – pergunta Jabor dois dias depois do retorno do jovem mago.

– Gratificantes, Mestre. – responde o jovem se curvando apenas o necessário para mostrar respeito.

Sorrindo, Jabor pega alguns pergaminhos em uma das gavetas de sua escrivaninha e os entrega a Sol’al, que os aceita sem esconder sua confusão.

– Isso é para sua próxima viagem. – Jabor abre outra gaveta de sua escrivaninha e retira um pequeno tomo – Os relatórios dos mercadores a seu respeito foram muito prazerosos de serem lidos. Elogiaram bastante suas capacidades e demonstraram muito respeito à sua pessoa.

– Mas eu nem demonstrei toda minha capacidade, Mestre. – interrompe Sol’al.

– Imaginei. O que me agrada ainda mais. Por isso tomei a liberdade de anotar algumas magias que poderão lhe auxiliar futuramente nesse tomo. Pegue-o, copie e estude o que há nele.

O Mestre Teken’Th’Tlar empurra o tomo para a borda da escrivaninha onde Sol’al está próximo. O jovem mago mantém sua feição confusa e depois de alguns instantes olhando para o tomo, o pega.

– Para onde será a próxima viagem, Mestre?

– Você acompanhará um grupo de reconhecimento às regiões profundas do Underdark, por motivos de estudos e coleta de dados para planejamentos futuros de uma possível campanha contra a cidade de Ch’Chitl. É tudo o que você precisa saber no momento. – diz Jabor sorrindo – Prepare-se, pois a viagem é extremamente perigosa e a missão não é das mais tranqüilas.

Um pequeno arrepio trespassa o corpo de Sol’al. Ele conhece histórias aterrorizantes a respeito das “regiões profundas do Underdark”, mas sua curiosidade é bem maior que qualquer temor que possa lhe atingir. Sol’al começa a sentir a excitação aumentar:

– O grupo será formado por membros de qual Casa Mestre?

– Apenas Casas Menores e mercenários, mas estamos a mando das Casas Mizzrym e Xorlarrin.

Sol’al sorri, um tanto nervoso.

– Da nossa Casa apenas eu estarei no grupo? – pergunta preocupado.

– Não. Eu também irei. Assim poderei lhe introduzir nas artes da Aracnomancia. – Jabor levanta de sua cadeira antes de encerrar a conversa – Você terá uma semana para se preparar.

Sol’al sorri e, com grande ansiedade, cumprimenta seu superior.

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