Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 4 (Parte 2)

Três figuras vestidas com longos mantos – demonstrando claramente suas posições de conjuradores arcanos – conversam sentados em cadeiras almofadadas que cercam uma mesa de estudos. A sala possui vários livros e componentes para magias organizados de formas diferentes em cada setor do cômodo, assemelhando-se a composição das teias de uma viúva-negra, caótica mais bela.

– A Casa Xorlarrin irá fazer uma investigação no Braeryn a respeito de boatos sobre um culto a Lolth por raças inferiores. Acredito que seja uma boa chance para nos oferecermos e estreitarmos nossa relação com eles. – diz um imponente mago drow, de cabelo gomado e manto púrpura com detalhes de teias douradas.

– Mas Mestre Jabor, você não acha que a imagem de nossa Casa possa se danificar no processo? Afinal, não queremos parecer um bando de animais adestrados. – comenta outro mago, esse aparentemente mais jovem e com cabelo chanel. Sua vestimenta é violeta com listas pretas e detalhes de teias e aranhas dourados.

– Senhor Divolg, não estaremos parecendo animais adestrados. Nossa Casa é uma casa de estudiosos. O maior auxilio que podemos oferecer à nossa cidade e a nossa deusa é através de nossos conhecimentos. – Jabor Teken’Th’Tlar troca olhares severos com seu subalterno enquanto prossegue – Além do mais foi Mestre Orghz Q’Xorlarrin do Sorcere que nos informou. Pelo que parece ele tem grande apreciação por Sol’al.

– Não entendo o porquê. – se intromete a terceira pessoa – Parece que ele voltou mais estúpido do Sorcere. Sua dedicação a deusa é excelente, porém estúpida. E suas atitudes demonstram total falta de raciocínio. Ele é um peão para nossa Casa. – finaliza a feiticeira que está junto aos outros dois magos.

Jabor sorri e responde:

– Ainda mais conveniente. Não concorda senhora Eclavdra?

Um tempo de silencio segue a pergunta como se todos refletissem a respeito. Até que Eclavdra interrompe os pensamentos:

– Ou mais perigoso, já que ele tem grandes chances de atrapalhar a Casa Xorlarrin.

– Não me preocupo tanto com esse fato, afinal quem o indicaria seria o próprio Mestre Orghz Q’Xorlarrin. Caso ele cometer algum deslize nós estaremos preparados para substituí-lo e corrigir esse erro. – responde Jabor. “Mal você conhece o potencial daquele jovem”, pensa o mago sorrindo.

– Espero que o senhor esteja certo, Mestre. – comenta Divolg.

– Idem. Mas antes de tomarmos qualquer decisão pela Teia Arcana, precisamos da opinião de Riklaunim e Akordia. – emenda Eclavdra.

– Não se preocupe, conversaremos com eles assim que retornarem. Com certeza compreenderão a situação vantajosa que nossa Casa se encontra no momento.

Jabor sorri para seus dois companheiros, que ainda demonstram olhares incertos, e se levanta. Enquanto Divolg pega seu tomo para ler suas últimas anotações, Eclavdra acompanha Jabor para fora do aposento, caminhando lentamente pelo corredor que os levam até as jaulas de criaturas que eles coletam para estudos.

– O que você está escondendo Jabor? – pergunta sem delongas a feiticeira com um tom raivoso na voz.

– Pena que nosso zoológico não chega nem perto daqueles em Ched Nasad, não é? – responde de forma evasiva o experiente mago olhando para o final do corredor onde uma porta imensa se destaca.

– Não mude de assunto. Não falte com respeito a mim. Posso não ser uma clériga, mas ainda sim sou uma fêmea. – intima raivosamente a feiticeira.

– De forma alguma deixarei de lhe respeitar, minha senhora. Nunca isso passou pela minha cabeça, mas você sabe tanto quanto eu que algumas coisas devem ser mantidas em segredo até que se manifeste de forma imprevisível e espantosa. – diz Jabor se inclinando levemente em direção a Eclavdra.

A drow o encara por um tempo enquanto o mago prossegue olhando em direção da porta para a qual caminham.

– Você tem se dedicado demais aquele estúpido, não é Jabor? Por acaso, você o está ajudando a esconder suas capacidades ou alguma outra coisa? – questiona a feiticeira virando seu olhar em direção a porta que está mais próxima.

Jabor olha para Eclavdra e sorri. Mantendo o caminhar lento, o mago responde se inclinando novamente em direção a drow.

– Ele é uma peça em nosso jogo, senhora Eclavdra. Uma peça importante. Você não está errada, ele é um imbecil. Mas um imbecil com potenciais que apenas a dedicação dele para com Lolth e com os estudos são capazes de despertar. – o mago dá uma pausa enquanto ambos param em frente da porta do zoológico, mas antes de abri-la Jabor finaliza seu discurso – Minha senhora, compreenda que esse jovem é a chave que temos para abrir a porta que nos levará para o Conselho. Estou apenas tornando-o mais apto a isso.

A feiticeira demonstra descrença em seu olhar, mas assim que ela se prepara para contestar a teoria do mago, esse fala as palavras arcanas que destrancam a grande porta e a abre. Eclavdra não consegue evitar virar o rosto em direção ao zoológico e fica pasma quando vê o que está lá dentro.

– Veja nossa mais nova aquisição. – diz Jabor sorrindo.

Eclavdra não consegue evitar a expressão de espanto que surge em seu rosto. Ela tenta comentar o que vê, mas sem achar as palavras, sua boca apenas fica entreaberta.

– Nós o conseguimos no lowerdark, a caminho para Ch’Chitil, nesses anos que ficamos fora. Agradeça Sol’al, pois seu conhecimento a respeito de driders foi essencial para a aquisição desse espécime. – comenta o mago sorrindo ainda mais.

Eclavdra observa a grande gaiola magicamente protegida no qual se encontra uma drider e logo à frente, em uma distância segura, o jovem mago Teken’Th’Tlar, está absorto em suas anotações.

A drider é algo impressionante. Não parece ser inexperiente, nem tão pouco fraca. Obervando atentamente, Eclavdra percebe traços de uma ex-clériga de Lolth. Agora a drider tem cabelos cobreados, tingidos, o que lhe faz entender que ela virou as costas para sua antiga deusa e foi se refugiar com seus ex-inimigos. Uma tentativa tola de não servir mais a Rainha das Aranhas. Todos os Teken’Th’Tlar sabem, ou possuem a grande convicção, de que quando um drow é amaldiçoado por Lolth, ele se torna um servo incontestável e involuntário da deusa. Mesmo quando esses viram suas costas e buscam outros deuses, eles continuam a fazer a função para qual a deusa os amaldiçoou: testar seus ex-irmãos raciais.

A feiticeira observa as partes inferiores da drider, que não se assemelha a uma viúva-negra, nem a uma aranha-marrom, mas sim a uma aranha-tecelã. Isso é algo inusitado. Aranhas-tecelãs, não possuem um veneno poderoso, porém a teia de uma pequena aranha dessa espécie, que mede por volta de oito centímetros, é capaz de suportar um quilo sem estourar. Imagine o que essa seria capaz de fazer.

– Está certo então Jabor. – diz a feiticeira finalmente conseguindo desviar os olhos do espécime e encarando o mago – Vamos dar uma chance ao seu jovem pupilo. Essa noite falaremos com Riklaunim e Akordia.

O mago se inclina levemente a ela e sorri.

– Não irá se arrepender, minha senhora.

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