Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 4 (Parte 3)

– Minha mãe, não vejo porquê levar algum guerreiro junto comigo para investigar sobre um culto de escravos a Lolth. – diz uma jovem clériga Xorlarrin ajoelhada na frente de uma clériga obviamente mais experiente e madura.

– Você é idiota? – responde a clériga mais velha, olhando sua filha com espanto e ódio – Você não estará indo investigar um “culto de escravos a Lolth” sua imbecil, você estará indo descobrir algo sobre seu irmão traidor.

Contendo a raiva, Chalithra controla seu tom de voz.

– Desculpe.

– Não achei que seria necessário que eu fosse mais direta. Você já sabia que seu irmão foi visto nas proximidades do Braeryn. – diz Baltana Q’Xorlarrin ainda olhando secamente para sua filha.

– Sim, sabia. – responde Chalithra concentrando-se enormemente para se controlar e demonstrar apenas seu falso respeito.

– Agora que você já me fez perder a paciência, compreenda seu desígnio: você irá ao Braeryn com o falso objetivo de descobrir coisas a respeito do culto a Lolth pelos seres inferiores, porém, você estará realmente indo lá para descobrir onde está seu irmão e o que ele está fazendo. Compreendeu? – finaliza ironicamente o discurso.

– Sim Senhora. – responde Chalithra sentindo suas mãos tremerem.

Desde que iniciou o silêncio de Lolth, a Casa Xorlarrin não tem passado por bons momentos. Uma das piores situações foi descobrir que o Draegloth hermafrodita Zaknafein, que era um clérigo de Lolth, na verdade era um agente duplo. Isso afetou ainda mais a parte da família que era mais diretamente relacionada a ele.

Chalithra Q’Xorlarrin foi escolhida entre as suas outras irmãs, por ser a “menos preparada” e a mais “sacrificável” caso algo desse errado. Zaknafein demonstrou-se um adversário temível ao fugir de Menzoberranzan. Chalithra, no fundo de seu coração, desejava não ter sido a escolhida.

– Leve um de seus amantes. Aconselho você a levar Rizzen, pois ele será mais ápto a sobreviver. E alguém precisará sobreviver para nos trazer as informações.

Chalithra se mantém em silêncio.

– Concorda? – Baltana intíma sua filha com o olhar ainda mais severo a responder.

– Sim, minha Senhora. – se esforça Chalithra para concordar. Rizzen sempre foi seu amante favorito e ela não gostaria de tê-lo como guerreiro acompanhante, pois prefere imensamente ele em sua cama ou como assassino particular.

– Covarde. – pensa alto Baltana com desdém – Que esteja claro que, caso você retornar sem informações, morrerá pelas minhas próprias mãos. Entendido?

– Sim, minha Senhora.

Baltana observa sua filha por um tempo e percebe que seu corpo treme discretamente. Em um acesso de raiva Baltana golpeia o rosto da filha ajoelhada com um forte tapa. Chalithra cai ao chão e brevemente olha a mãe com ódio.

– Melhor assim. Não quero uma filha covarde e fraca manchando o nome de nossa Casa. – diz rispidamente Baltana.

Chalithra desvia o olhar e se levanta aos poucos, voltando a se ajoelhar.

– Isso é tudo, Senhora? – pergunta a jovem clériga com rancor.

– Não. Esteja avisada: um mago dos Teken’Th’Tlar irá acompanhar você e seu amante. Não permita que ele saiba o que está realmente ocorrendo, compreendeu? Caso ele descobrir, mate-o.

– Sim, minha Senhora.

– Ótimo. Agora sim, pode se retirar. – diz a clériga fazendo um gesto de desdém com a mão direita, como se estivesse tirando o pó da capa de um livro.

– Sim, Senhora. – responde a jovem Xorlarrin levantando-se e caminhando até a entrada do aposento, sem voltar, em momento algum, o olhar para sua mãe.

“Você morrerá, sua velha maldita”, pragueja a jovem clériga mentalmente durante a caminhada. Ao chegar lá ela se ajoelha para orar para sua silenciosa deusa. “Como poderei enfrentar Zaknafein sem o auxílio de Lolth?”, se pergunta a clériga.

Olhando para seu amuleto em forma de aranha, Chalithra sabe que sua missão será complicadíssima sem a assistência de sua deusa. Mesmo sabendo que não há necessidade para que entre em conflito direto com seu irmão, ela também sabe que erros podem ser cometidos e isso seria extremamente perigoso.

Ao pensar em Rizzen a clériga sorri e se excita. Ela coloca seu amuleto novamente no pescoço e se levanta, saindo de seu aposento e indo se encontrar com seu assassino favorito, para ter, talvez, seus últimos momentos prazerosos em companhia daquele macho submisso.

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