Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 4 (Parte 5)

            – MOROR! – o grito sai como o urro de um animal enfurecido da garganta de uma criatura grande e negra, com uma volumosa juba branca e focinho semelhante ao de um lobo.

            Os orcs param de trabalhar em suas armas e barracas, e olham temerosos para o draegloth que está posicionado no topo de um barranco, olhando todos de cima para baixo. A cena faz alguns orcs lembrarem da imagem de um grande lobo se preparando para atacar um rebanho de indefesos animais. Eles tremem perante a majestade do filho de seu novo senhor.

            – CADÊ MOROR! – grita novamente o imenso draegloth.

            Os orcs se entreolham confusos. Moror era um antigo general orc que fora capturado pelos drows a muito tempo. Foi um dos principais servos de Zaknafein e de seu pai, mas em seu coração Gruumsh ainda morava. Alguns orcs sabiam disso e temiam que o meio-abissal tivesse descoberto algo.

            Fazia mais de um ano que os orcs haviam fugido aos poucos de Menzoberranzan, graças ao auxílio de Zaknafein e de seu pai demoníaco. Mas havia apenas algumas semanas, um pouco mais de um mês, que o draegloth tinha se juntado as fileiras orcs para liderá-los. Enquanto isso os orcs estavam se organizando de forma tribal através da liderança de Moror Mão de Machado e Lurk Vento Cortante. Ambos os comandantes tiveram maus momentos durante a administração da nova tribo. Moror insistia em continuar seu culto a Gruumsh enquanto Lurk tinha deixado suas antigas crenças para cultuar o demônio Shormongur.

            De dentro de uma tenda um forte orc, vestido com uma armadura pesada e cheio de cicatrizes no rosto e na cabeça descoberta, sai com um grande machado de batalha nas mãos.

            – Estou aqui demônio! – Zaknafein encara o orc e desce rapidamente o barranco com grande agilidade – Se você quer liderar meu povo ou escolher o comandante que o liderará, terá que me enfrentar e se mostrar digno.

            Desde que Zaknafein chegou ao acampamento, após o silêncio de Lolth ter começado, ele preferiu deixar que os orcs se liderassem, porém sempre seguindo suas ordens e de seu pai. Moror e Lurk demonstraram bastante eficácia nesse papel, porém Lurk, percebendo que não conseguiria convencer o ex-companheiro a deixar de cultuar seu antigo deus, comunicou-se com Zaknafein, que não perde tempo para ir tirar satisfações com o traidor.

            O draegloth atravessa agilmente as cabanas e as poucas tochas mágicas que iluminam o acampamento e se aproxima do orc, que com reflexos rápidos consegue bloquear uma garrada com o cabo de seu machado, logo se recuperando do impacto e desferindo um golpe contra o meio-abissal. Zaknafein se esquiva e segura o cabo do machado com uma de suas mãos dos braços maiores, puxando o orc para perto com tamanha força que esse perde o equilíbrio.

            Uma mordida certeira é desferida, arrancando a orelha e rasgando parte do rosto do guerreiro orc, que não cai e nem desiste de lutar. Levantando-se Moror dá um jogo de corpo em Zaknafein a fim de puxar seu machado novamente para perto do seu corpo e desferir um golpe que atingiria certeiro o pescoço do draegloth, se esse não fosse mais rápido. Com um passo para trás e uma inclinada em sua coluna, Zaknafein se esquiva do golpe e aproveita o movimento do machado para desferir uma garrada no braço direito do orc.

            Moror sente o tranco e cai de joelhos. O draegloth percebe o que o ex-general orc planeja e se aproxima devagar, como se estivesse subestimando-o, exatamente a ação que Moror imaginava que seria feita. O orc puxa seu machado que estava no chão e gira seu corpo visando atingir o tronco do draegloth, que por esperar aquilo simplesmente salta com tamanha força e velocidade que o machado nada atinge. Moror desloca a bacia com seu próprio movimento. Ao cair no chão não há nem tempo para ele sentir dor, pois as garras do draegloth o atingem pelas costas. Zaknafein, perfurando a armadura e o corpo caído de seu adversário segura sua coluna e a arranca, retirando com ela a cabeça do seu oponente. Ele a gira no ar e a bate com extrema força no chão, estraçalhando qualquer vestígio do rosto do falecido comandante orc.

            Zaknafein urra vitorioso e olha ao seu redor, procurando mais algum desafio.

            – QUEM MAIS PRETENDE NÃO SERVIR A MIM E A MEU PAI?! – pergunta esperando que algum orc fosse corajoso o suficiente para enfrentá-lo.

            O meio-abissal havia experimentado sangue e estava excitado com a chance de experimentar mais.

            – NÃO QUERO FRACOS E COVARDES DENTRO DE MEU EXÉRCITO!! NÃO ACEITAREI TRAIDORES!! – grita o draegloth com a respiração ofegante de fúria.

            Ao ver que ninguém mais responderia seu chamado para uma luta, Zaknafein começa a se concentrar para se acalmar. Ele oferece a vitória a seu pai através de uma prece mental e olha ao seu redor para encarar os orcs que lá se encontram. É um número relativamente pequeno de orcs, por volta de cento e cinqüenta. Lurk está próximo a Zaknafein e se ajoelha ao meio-abissal, os outros orcs o imitam.

            – Ótimo. – sorri o draegloth orgulhoso daquela cena – Agora se preparem, precisamos de mais escravos para ajudar na preparação do ritual.

            Os orcs se levantam e se organizam para a pequena campanha de escravização.

            – Lurk, guie alguns através da passagem que abrimos no Braeryn para conseguir mais soldados em Menzoberranzan. Converse com Sharlanara ela já está avisada. – ordena Zaknafein ao seu único general orc.

            – Sim mestre. – responde Lurk se inclinando e partindo com um grupo de oito orcs.

            Observando o acampamento, o draegloth sorri. Conseguiu unir uma quantidade razoável de orcs, além de uma quantidade considerável de escravos, entre eles drows, gnolls, kobolds e povo-lagarto. Zaknafein se regozija com a situação e prepara um pequeno exército de cinqüenta orcs para partir em busca de mais escravos.

            – Ao Senhor meu pai! – oferece mentalmente tudo aquilo que foi conquistado em homenagem ao seu pai demoníaco.

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