Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 7 (parte 1)

Desde que sairam do Bazaar, Sol’al Teken’Th’Tlar desenvolveu uma grande antipatia pelos mercenários, em principal pelo ogro mago chamado Brum. Somada ao último encontro com os dois longe da presença da clériga, essa antipatia cresceu. Entretanto, a situação como um todo não está das melhores.

A clériga é igual à maioria que ele já conheceu, o que não o surpreende. Arrogante, impulsiva e orgulhosa, tudo que se espera de uma serva da Rainha das Aranhas. O que realmente lhe deixa inseguro é, que na hierarquia de confiança da clériga, está claro que ele só está acima dos mercenários, o que não lhe parece tão difícil dada a situação em que os dois se apresentaram. Já Sol’al, foi enviado a pedido de um mago da própria Casa da clériga, não lhe é confortável ser o segundo nessa “hierarquia”.

O guerreiro ou assassino e porta voz da clériga, o qual ele também não sabe o nome, age como se não tivesse nada a esconder. Parece ser um servo fiel e honrado, o que cria um paradoxo na mente do mago. Além de ser um drow, o que já deixa a situação suspeita demais, ele é claramente um assassino aos olhos de Sol’al, e assassinos são tão ou mais traiçoeiros que serpentes. Mesmo assim a clériga possui uma confiança inestimável ao tal guerreiro. Sol’al percebeu o motivo no caminho para o Braeryn, ao se deparar com os olhares desejosos e cheios de luxúria que a clériga mirava no macho Xorlarrin.

“Isso complica muito a minha situação”, reflete Sol’al enquanto escuta o fim da breve discussão que se desenrolava entre o mercenário drow Alak e a clériga Xorlarrin, obviamente através de seu fiel guerreiro.

– Não iremos mais deixar vocês a sós, Senhora. Não insista. Fomos contratados para protegê-la e não conseguiremos fazer isso se continuar nos enviando para longe. – diz o mercenário ao guerreiro logo se voltando a clériga – E, pelo menos, tente parar de se dirigir a mim através de seu macho. É constrangedor.

A clériga fulmina Alak com um olhar cheio de raiva e o guerreiro Xorlarrin posiciona a mão em sua espada curta como se estivesse preparado para alguma ordem de sua senhora. Sol’al os observa. A discussão estava para pegar fogo desde o começo, mas sem a participação do ogro insolente, que ficou quieto o tempo todo, ela se estendeu sem balburdias maiores, até agora. Para o mago sua ação será óbvia se houver algum embate, ele atacará o imenso ogro com uma de suas magias mais destrutivas, para que esse não auxilie o seu companheiro.

– Preste atenção como se dirige a mim macho! Sou uma clériga de Lolth! Ponha-se em seu lugar! – grita a Xorlarrin se aproximando de Alak para desferir-lhe um tapa, quando Brum, como quem não quer nada, apenas dá um passo à frente.

– Desculpe Senhora. – responde Alak se curvando levemente à clériga que olha para o imenso ogro e abaixa a mão, mas sem perder a pose finaliza a discussão:

– Então, estamos entendidos?

– Sim, Senhora. – responde Alak com um leve sorriso no rosto.

Sol’al fica pasmo com a cena. “Ela ficou com medo do ogro?”, se pergunta horrorizado, “Ela é uma clériga de Lolth, não pode ser tão fraca”. O mago fica olhando para ela que caminha até seu guerreiro e o faz guardar sua espada com apenas um gesto. “Não, ela deve estar esperando o momento certo para colocar seu assassino em ação. Assim será uma atitude mais nobre”, justifica a si mesmo Sol’al.

– Com sua permissão para lhe dirigir uma pergunta. Por onde iremos agora, minha Senhora? – pergunta o mago Teken’Th’Tlar de sua forma extremamente humilde à Xorlarrin mudando o assunto em sua mente.

– Pelo que parece nada foi descoberto por vocês até o momento. – começa a responder secamente a clériga – Porém nós conseguimos uma pista a respeito de alguns escravos que fugiram do Braeryn. Possivelmente eles estão envolvidos no culto a Lolth.

Sol’al não consegue acompanhar qual raciocínio a levou a concluir aquilo, mas não a contraria, apenas inclina a cabeça em sinal de entendimento.

– Como a maioria dos escravos que fugiram foram orcs, iremos para a região do Braeryn onde os orcs costumam se reunir. – se intromete o guerreiro Xorlarrin.

– Onde fica isso Mestre Q’Xorlarrin? – pergunta o mago.

– Ao leste, próximo ao extremo do bairro, próximo ao caminho que leva ao dornigaten. – responde o guerreiro após uma rápida olhada ao redor.

Por incrível que pareça o local onde eles se encontram não tem nenhum ser inferior por perto, com exceção de Brum. Sol’al, logo após observar a atitude do guerreiro, olha ao redor para ver se não encontra ninguém escondido antes de responder.

– Não se preocupe, não há ninguém além de nós e do patrulheiro que se aproxima por lá. – diz Alak se incluindo na conversa e apontando para uma viela a sua direita de onde um patrulheiro sai com seu lagarto de montaria.

Sol’al olha para o mercenário com desdém, enquanto o guerreiro Xorlarrin apenas sorri, uma atitude bem estranha aos olhos do mago.

– O que estão fazendo por essa região, senhores? – pergunta o patrulheiro.

– O que lhe interessa macho? – interrompe a clériga segurando sua maça firmemente na mão.

– Desculpe Senhora, não havia visto que uma clériga de Lolth os acompanhava. – se justifica rapidamente o patrulheiro antes que a situação fique pior – Estou fazendo apenas o meu trabalho para poder reportar à Matrona Baenre o que está se passando aqui no Braeryn.

– Estou em missão para descobrir sobre os cultos hereges que ocorrem nesse local. – responde a clériga – Isso é tudo que você precisa saber.

– S-sim, Senhora. – diz o patrulheiro olhando para todos ao seu redor.

Sol’al, satisfeito com as atitudes intimidantes da clériga, pondera: “Ela não vai perguntar se o patrulheiro não ouviu nada a respeito?”.

– Antes que você vá. Você sabe de algo sobre alguns orcs escravos que fugiram de Menzoberranzan? – pergunta o Xorlarrin.

O mago Teken’Th’Tlar estranha a pergunta, mas fica esperando a resposta do patrulheiro que logo vem.

– Ouvi boatos, Senhor, mas nada concreto. – responde de maneira esquiva o patrulheiro.

– O que você ouviu? – o guerreiro prossegue a conversa com um olhar fixo e penetrante em direção ao patrulheiro.

Sol’al apenas se mantém atento:

– Os orcs tiveram grandes perdas durante a insurreição, por isso seu número está tão menor e eles estão tão irritados. Alguns dizem coisas diferentes, mas não sei se é verdade. Dizem que os orcs encontraram alguma passagem, guiados por uma humana, mas nós patrulheiros não descobrimos nada, Senhor. – responde abertamente o patrulheiro para o estranhamento geral do grupo, menos da clériga.

“Interessante”, pensa Sol’al.

– O suficiente. Continue sua patrulha. – comanda o Xorlarrin voltando-se à clériga em alto-drow – Acredito que seja por lá mesmo minha Senhora.

Enquanto o patrulheiro parte e Alak e Brum não compreendem nada do que o guerreiro disse na linguagem nobre, Sol’al apenas escuta.

– Então não vamos perder tempo. – responde a clériga também em alto-drow – Mago, quero você de olho nesses dois mercenários, entendeu?

– Sim minha Senhora. – Sol’al responde mantendo a conversa na mesma linguagem para que os dois mercenários continuem sem compreender.

Enquanto eles iniciam a nova caminhada nas vielas fétidas do Braeryn, o mago Teke’Th’Tlar apenas reflete: “O que eles estão procurando? Com certeza não é o tal culto a Lolth”.

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