Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 7 (parte 2)

– Você se p’eocupa demais Sabal. – diz o meio-goblin-meio-algo a ex-clériga da Segunda Casa Maior de Menzoberranzan – Fiz o se’viço di’eito quando t’ouxe o Qui’i p’a cá.

– Confio em você Stongest, mas temos que planejar logo o que fazer, pois já perdemos tempo demais para ir em busca do filho de Lolth. – responde Sabal Dyrr ao Guardião.

Todos os cultistas da Lolth encarnada se encontram na barraca junto ao guardião e a clériga. Mirka e Gromsh estão posicionados de forma que fique mais fácil para eles participarem do planejamento, enquanto três goblins arrumam os mantimentos em mochilas diferentes e dois kobolds guardam os objetos sagrados de Lolth; um pequeno ídolo, um tufo de cabelo da primeira clériga – Vishnara Do’Urden – e uma pequena aranha de adamantina.

– Sabendo que Quiri conseguiu descobrir uma passagem para fora da cidade, já facilita muito para nós. – diz Sabal.

Logo que Gromsh e Mirka chegaram da busca pelos outros seguidores da deusa encarnada, Stongest contou a Sabal exatamente como Quiri havia sido atacado. O pequeno e mirrado goblin havia encontrado uma das possíveis passagens utilizadas pelos orcs, porém furtividade nunca foi o forte de Quiri. Os orcs que guardavam o local atacaram Quiri, mas Stongest conseguiu salvá-lo a tempo. Para os orcs, Quiri simplesmente sumiu diante de seus olhos.

– O problema é que eles cultuam algum demônio, e isso pode vir a ser um grande empecilho. – complementa a clériga, colocando todos a par da informação que Quiri conseguiu e Stongest havia passado a ela – Precisamos ultrapassar a área controlada por esse culto, sem sermos vistos.

– Acho que isso não será problema, posso preparar apenas magias que auxiliem em nossa furtividade, Senhora. Mas precisaria de um tempo para descansar. – diz a pequena maga kobold Mirka.

– Creio que no momento não temos tempo para isso Mirka. Precisamos sair ainda hoje. – responde a cleriga olhando para os kobolds que estão guardando as relíquias como se refletisse a respeito de tudo o que estava ocorrendo.

– Não acho que temos que te’ tanta p’essa, Sabal. – diz Stongest chamando a atenção da clériga para ele – Ac’edito que a Mi’ka possa te’ um tempo pa’a descansa’ e pa’ti’mos logo que ela estive’ p’epa’ada.

– Sinceramente não concordo Stongest, já disse que estamos perdendo tempo demais. Talvez essas horas de descanso que a Mirka necessita seja o suficiente para as patrulhas descobrirem a passagem que Quiri descobriu. – opina a clériga claramente preocupada.

– Concordo. Afinal, se Quiri acho num deve sê difícil otro achá. – comenta Gromsh.

Stongest olha sério para seu companheiro gnoll:

– Qui’i fez um bom t’abalho, G’omsh. Muito melho’ do que todos espe’ávamos. – retruca o meio-goblin.

– Dexa disso. Foi só um comentário. – se defende Gromsh enquanto Stongest esboça aquilo que parece ser um sorriso.

– Não se p’eocupe. Apenas não acho ce’to esse tipo de comentá’io sob’e alguém que se sac’ificou po’ nossa causa. – diz Stongest tentando ser simpático.

– Por favor, sabemos que Quiri fez um trabalho ótimo, mas precisamos planejar o que iremos fazer com o que ele descobriu. Vamos voltar ao assunto? – diz Sabal tentando fazer com que seus dois companheiros retomem o foco do início da conversa.

– Isso é um tanto problemático mesmo, Senhora. Talvez não seja muito sabio de nossa parte utilizarmos nosso tempo para que eu decore algumas magias no momento. – diz humildemente Mirka à clériga – Ainda consigo fazer algumas poucas magias antes da minha mente ficar exausta. Acho que pode ser o suficiente para adentrarmos a passagem.

– A minha pe’gunta é: como você p’etende se’ fu’tiva com sua a’madu’a, Sabal? – pergunta o meio-goblin, questionando o plano.

Sabal o encara refletindo a respeito do que ele acabou de perguntar.

– Mirka? – a clériga volta à kobold como se estivesse pedindo auxílio.

– No momento não seria capaz de ajudá-la, Senhora. Utilizei todo meu conhecimento desse tipo de magia trazendo nossos companheiros para cá. Minha mente não consegue mais se focar nesse conhecimento no momento, precisaria realmente reler meu grimório e descansar. – responde Mirka tristemente.

Sabal sorri para Stongest:

– Acho que você tem razão guardião. – se rende Sabal.

– Mas por que não podemos ir de peito aberto, Senhora? Temos que nos escondê mesmo? – pergunta Gromsh.

– Chamaria muita atenção Gromsh. – responde Sabal.

– Mas e as patrulhas? E se descobrirem a passagem? – Gromsh emenda outra pergunta logo após a resposta da clériga.

– Ai teremos que passar por eles. – responde a clériga ao gnoll.

– Ou talvez possamos atrasar esse acontecimento. – diz Mirka olhando para a clériga.

Sabal sorri para a kobold compreendendo o que ela quis dizer e volta o seu olhar para Gromsh e Stongest.

– Gromsh, me responda uma coisa: como anda sua capacidade de arranjar encrenca sem se envolver diretamente? – pergunta a ex-Dyrr ao seu companheiro gnoll.

– Cada veiz melhor, Senhora. – responde o gnoll sorrindo com seus caninos amarelos e afiados aparecendo no canto de sua boca.

– Stongest? Você o acompanharia? – pergunta a clériga ao guardião.

Stongest olha para ela e para Mirka, como se refletisse a respeito do que elas estão sugerindo.

– Você que’em uma confusão? – pergunta o meio-goblin.

Mirka sorri em resposta, Sabal apenas inclina a cabeça afirmativamente.

– Vocês te’ão. – complementa Stongest.

– Mas precisamos que vocês não estejam diretamente envolvidos, não queremos chamar atenção, lembra? – comenta Sabal.

– Eu sei cle’iga. Já disse, não se p’eocupe.

Stongest se levanta e se prepara enquanto Mirka abre seu grimório e se põe a estudar.

– Faz tempo que não me divirto. – comenta Gromsh rindo – Finalmente vou colocá a capacidade do anel a prova, Mirka.

Mirka olha para seu companheiro gnoll e sorri. Sabal se levanta da almofada e caminha até Stongest, sussurrando em seu ouvido:

– Cuide de Gromsh. Não deixe que ele cometa nenhuma falha.

– Sou o gua’dião, Sabal. Eu entendi o po’quê você quis me manda’ junto. – responde Stongest com sua maneira confiante habitual.

– Sua dedicação me tranqüiliza Stongest. – comenta Sabal sorrindo para o meio-goblin, que devolve o sorriso da forma mais simpática que consegue.

Stongest chama Gromsh com um breve rosnado. O gnoll caminha para a porta junto ao meio-goblin e ambos saem para as vielas do Braeryn. Sabal realmente se sente mais tranqüila ao ver que Stongest está acompanhando o gnoll. “Gromsh é um ótimo e fiel guerreiro, mas infelizmente nunca foi um gênio”, comenta mentalmente a clériga caminhando para uma almofada a fim de iniciar uma meditação.

– Senhora, não consigo mexer seu escudo. – diz um dos kobolds que após arrumarem as relíquias agora estão arrumando os pertences de seus companheiros.

Sabal sorri:

– Não se preocupe Rashna, eu o pegarei quando formos partir.

Mesmo confusa, a kobold concorda e caminha a uma das almofadas para descansar após os serviços terem sido finalizados.

“Se Lolth não tivesse em silêncio, tudo seria mais fácil”, pensa Sabal, “Ou se pelo menos a Do’Urden realmente fosse uma deusa”. Sabal se sente ultrajada por pensar assim e balança sua cabeça negativamente, “Mariv se sentiria envergonhado de me ver pensado nisso”, novamente o pensamento lhe faz balançar a cabeça negativamente, “Que importa o que ele pensaria?”. A cleriga respira fundo, “Não posso criar dependências a forças e coisas externas”, Sabal sorri, “Chega a ser irônico encontrar outros que realmente pensam assim em um grupo de hereges”. A clériga se põe a meditar com a leve sensação de conforto que a identificação com o grupo trouxe a sua mente.

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