Arquivo para maio \30\UTC 2012

Rabiscos – Rostos 18

Esse é de dois anos atrás, mas vale a pena postar algumas velharias de vez em quando.

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Rabiscos – Busão 8

O Prelúdio da Nova Temporada de Pieces… em Peças

Olá a todos!

Nesse ano Pieces… em Peças (indicado ao Troféu HQMIX  2012 na categoria: “Produção para Outras Linguagens”) será apresentado pelo grupo de teatro amador Ataraccia Teatral. O grupo foi formado recentemente e está ensaiando no Espaço Cultural Maria Monteiro, na Vila Pe. Anchieta em Campinas.

Com um novo grupo, a peça também está sofrendo algumas mudanças em relação a apresentada o ano passado pelo Grupo de Teatro do Colégio Casa do Saber, porém nada que mude a idéia da obra Pieces, de Mario Cau. Muito pelo contrário, a peça está ainda mais dinâmica, tendo não só novas intersecções como uma nova peça central opcional, o que deixa ainda mais com a cara da HQ Pieces, onde não há um personagem central, e sim uma temática que permeia todas as histórias.

De qualquer forma, amanhã, domingo, dia 27/05/2012, haverá o 1º Sarau da Terra, evento do Espaço Cultural Maria Monteiro onde terão apresentações de teatro, dança, música, etc, e o grupo Ataraccia Teatral irá apresentar Pieces: Prelúdio, que uma leve pincelada do que está por vir na segunda metade de 2012.

Ataraccia Teatral é formado por mim, Gustavo Baldin, Larissa Mendes, Letícia Mendes, Isabella Rocha, Gabriely Lemos, Lívia Maximino e Nicole Vieira. Informarei aqui no blog sempre que houver novas apresentações do grupo.

Atenciosamente.

Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 9 (parte 4)

            Tudo está ocorrendo perfeitamente. Enquanto estava na superfície, Lolth Do’Urden não se recordava exatamente o quão fácil era criar uma situação de intriga favorável entre membros da sua própria raça: os drows. Ela sorri vendo que a terceira investida contra os grimlocks está sendo da maneira que havia previsto. Os drows estão com grandes vantagens, porém há muitas chances dos grimlocks sobreviverem.

            Um pouco antes de partirem para a terceira investida, os exercitos se prepararam e esperaram seus líderes, que estavam atrasados. Nadal estava com uma baita dor de cabeça, resultado da bebida que havia tomado com Alystin logo após a conversa com as duas facções do exército. O mercenário não sabia o porquê dele ter agüentado tão pouca bebida, mas isso não era algo para se preocupar no momento.

Enquanto a Calimar…

            O mago foi encontrado morto por um de seus discípulos, junto ao corpo de uma drow, possívelmente uma aluna dele que também havia sumido. Quem o matou? Todos se perguntaram, mas logo Erelda tomou a liderança oficial e ordenou que Nadal comandasse o exército. Muitos dos alunos de Calimar perceberam alguma possível trama entre aqueles dois, mas nada que os fizessem ficar sedentos por vingança, afinal, agora que Calimar estava morto, muitos poderiam tentar tomar a cadeira de Mestre em Evocação que ele ocupava. Porém, havia um drow mago que não estava feliz com tudo aquilo: Guldar Khalazza.

            Logo que descobriram os corpos, a falsa Alystin foi se encontrar com o jovem mago. Ela estava em prantos, tentando esconder suas lágrimas atrás de um capuz, para que ninguém mais a visse assim, principalmente Erelda. Guldar sabia que ela era obsecada por seu irmão, e toda aquela trama óbvia havia atingido-a como uma bola de fogo. Na conversa que tiveram antes da investida começar, ela disse:

            – Vingue-nos! Mate o responsável pela morte de seu irmão e pela sedução de Erelda!

            Guldar sabia que era isso mesmo que ele deveria fazer. Nadal causou a ruptura do exército. Colocou o cerco em risco tendo matado seu irmão, o grande estrategísta Calimar. E além disso, conseguiu seduzir de alguma forma Erelda, sua Senhora, com o objetivo de ficar com as glórias da batalha.

            Lolth percebeu tudo o que ocorreu internamente com o jovem mago. Ela sabia que ele daria tudo de si para exterminar Nadal. Em suas mãos faltava apenas Erelda, a qual ela teria de esperar o cerco se iniciar para poder cocluir seu objetivo.

            A pseudo-deusa agradace profundamente os itens mágicos que conseguiu com a falecida Alystin. Ela possuía a capacidade de criar ilusões, graças a três aneis que pertenciam à verdadeira ilusionista. Foram esses itens que ajudaram em muito criação de toda a teia que ela teceu. Calimar estava morto, todos acreditavam no envolvimento de Nadal, até mesmo Erelda. Guldar deixou seu ódio pelo mercenário o guiar, enquanto Erelda percebeu uma situação na qual poderia usufruir da morte do mago líder do cerco para aumentar o prestígio de sua casa e da guilda de mercenários liderada por Nadal. Uma aliança útil, sugestão de Alystin.

            Agora Guldar está prestes a enfrentar Nadal, mas antes que isso ocorra, Lolth deve matar Erelda. Assim todos os possíveis líderes estarão mortos e isso deixará o exército sem cabeça, porém ainda forte. Alguém com certeza acabará tomando a liderança, mas até que isso ocorra, o grupo de grimlocks guiados por Braços de Adamantina já terá partido. É nisso que ela acredita.

É isso que ela espera.

            Não é tão difícil para a sedutora assassina encontrar a clériga. O momento do parto chegou. Erelda está em sua cabana com uma parteira e outra clériga de Lolth, enquanto do lado de fora, duas guardas tomam conta.

            A Rainha das Aranhas continua em silêncio, o que torna o parto ainda mais infrutífero. Se essa estivesse dando seus dons às suas clérigas, todo o sofrimento de Erelda poderia ser oferecido a deusa-demoníaca, e com certaza uma magia de imenso poder poderia ser conjurada.

            Lolth não tem muitas dificuldades para passar pelas guardas, utilizando um dos aneis de ilusão para cirar a imagem de um drow que tenta se aproximar da cabana. Tentando impedi-lo de se aproximar, as duas guardiãs abrem o espaço suficiente para a Do’Urden adentrar. Erelda grita de dor, enquanto a parteira retira a pequena cria de dentro da clériga. Um flash atinge a mente de Lolth, que se recorda do parto de seu filho, mas logo ela recobra sua concentração e age da forma mais rápida possível. A ilusão lá fora não durará muito, portanto ela sabe que deve agir antes que isso ocorra e as guardas descubram que estam sendo enganadas.

Lolth saca seu sabre – a Quelícera – e atinge a clériga, que está orando para Lolth durante o parto, com uma estocada no pescoço. Logo o poder de sua mortal arma entra em ação. Antes mesmo que essa possa gritar, seu pescoço começa a tomar uma coloração arroxeada com veios amarelos. A necrose sufoca a clériga enquanto Lolth elimina a parteira de modo mais simples e mais rápido.

            Quando Erelda entende o que está ocorrendo e tenta pegar seu flagelo de cinco pontas com ganchos de ferro, Lolth decepa o braço da clériga. E cria, com outro dos três aneis de Alystin, uma ilusão sonora para abafar o grito de ódio de Erelda, para logo em seguida decepar a cabeça da clériga com a Quelícera, porém sem utilizar seu poder.

            Lolth sabe que a ilusão lá fora acabou e logo logo, as guardas irão adentrar o aposento. Rapidamente, a pseudo-deusa pega a cabeça da clériga e espalha o sangue no aposento, pega a filha de Erelda e parte rasgando a tenda.

            No campo de batalha o exército liderado por Nadal está com uma imensa vantagem em relação aos grimlocks. Guldar percebe que Nadal já está com alguns ferimentos e com a concentração completamente comprometida graças ao veneno que Alystin colocou em sua bebida. Mesmo assim, o jovem mago duvida que o mercenário irá morrer naturalmente durante a batalha, pois a vantagem de sua tropa é enorme.

            Guldar utiliza algumas de suas magias mais simples, para guardar aquelas que serão úteis para exterminar Nadal. Ele luta e espera o sinal de Alystin. Evoca um raio de gelo em direção a um bárbaro grimlock que está dando muito trabalho aos soldados drows e vê, de canto de olho algumas aranhas rastejando-se no campo de batalha. O cenário muda, Guldar se torna um grimlock e vários outros brotam do chão. O jovem mago sorri, pois reconhece a maestria das ilusões de Alystin, muitas vezes até mesmo duvida que a ilusionista seja uma seguidora de Lolth, pois essa se parece muito com uma devota de Shar.

            Na forma de um grimlock, o mago se aproxima pelas costas de Nadal e, com suas mãos flamejantes, toca a cabeça do mercenário. Nadal sente uma forte dor de queimadura e logo se vira desferindo um golpe que é defletido por um escudo mágico que Guldar criou de antemão. Para Nadal, quem está enfretando ele é um grimlock, mas o mercenário se surpreende por ser um grimlock mago.

            Guldar rapidamente toma a dianteira e atinge Nadal com um raio congelante, deixando seus movimentos lentos e seus músculos doloridos pelo frio. O jovem mago gargalha acreditando ter conseguido superar o exímio guerreiro, mas surpresas sempre acontecem entre os drows. Nadal, mesmo com seus movimentos comprometidos, consegue fintar mais um raio de gelo e atingir o abdomen do oponente com uma estocada de seu sabre. Guldar sente o ódio ferver com uma bola de guano na mão e com os outros componentes materiais de uma bola de fogo, ele conjura a mais poderosa evocação que conhece. Tendo Nadal como centro da explosão, as chamas da bola de fogo se espalha, atingindo todos os que estão próximos, até mesmo Guldar.

            Isso não é o suficiente para matar o jovem mago, pois por mais impulsivo que ele seja, não é estúpido. Defesas mágicas foram preparadas antes do confronto. Mesmo ferido, Guldar sorri olhando para o chão sabendo que haveria poucas chances de Nadal ter sobrevivido.

            – Bem que Alystin me avisou que você tentaria algo estúpido. – comenta o mercenário surpreendendo Guldar, que levanta seu olhar estupefato com as mãos tremendo.

            Nadal está todo ferido, segurando em sua mão esquerda um amuleto, enquanto em sua mão direita está seu sabre de adamantina.

            – Você e ela irão morrer, malditos! – grita o mago recitando as palavras mágicas para criar chamas em suas mãos novamente, e partindo em direção ao guerreiro.

            O sentimento de ter sido traido pela ilusionita, somado a todo o resto que está ocorrendo, fez com que Guldar perdesse ainda mais o bom senso. Ele se aproxima do mercenário que lhe crava o sabre em seu abdomem. Mesmo sentindo a lâmina atravessá-lo o mago caminha ainda mais próximo e toca sua mão no peito do mercenário que berra de dor.

            Ambos estão em péssimo estado, mas para eles a batalha se resume àquela situação: um enfrentando o outro. Após o grito, Nadal sorri e Guldar fixa um olhar perturbado em seu oponente, até sentir algo tocando seu pé e o fazendo olhar para baixo.

            – Erelda? – horrorizado ele diz o nome do objeto de sua paixão ao ver a cabeça da clériga aos seus pés.

            O espanto atinge Nadal também, que olha para baixo o tempo suficiente para Lolth estocar ambos com sua Quelícera, varando seus corpos por uma pequena mas suficiente brecha de suas piwafwi e armaduras.

            Ambos já estavam extremamente feridos e não haveria como eles sobreviverem àquele golpe final. Os dois caem ao chão tentando ver a assassina, Nadal não consegue e desfalece. Enquanto Guldar.

            – Sua puta! – é tudo o que ele consegue dizer olhando Lolth segurando a filha de Erelda.

            Em um breve instante parece que tudo faz sentido na mente do mago. Alystin planejou tudo para tomar o controle do cerco. Mas por que? Ele se pergunta até que um pequeno detalhe vem sem sua mente quando os seus olhos se encontram com o da falsa ilusionista. Alystin nunca teve olhos magentas, mas sim carmim.

            Lolth vê Guldar desfalecendo e sente a última emoção do mago em relação a ela. Ilustrado em um profundo olhar de puro ódio.

Rabiscos – Busão 7

Rabiscos – Busão 6

Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 9 (parte 3)

            Calimar Khalazza adentra sua barraca irritado por não ter encontrado sua atual amante. “Provavelmente está com aquele mercenário nojento”, conclui o mago tomado de ciúme. Faz alguns dias que Alystin se tornou um objeto de desejo do mago líder do cerco drow. Antes de tudo ocorrer, ele nem mesmo imaginava se relacionando com a ilusionista. Porém sempre que se põe a pensar nela, não entende como passou tanto tempo longe da bela e sensual drow.

            Sua cabana é uma das duas maiores do acampamento drow, a outra obviamente pertence a Erelda, sua ex-amante e atual alvo de seu desdém. Seus livros e pergaminhos ficam próximos à algumas almofadas utilizadas para meditação. “Não acredito que terei que entrar em Reviere sem poder relaxar nos braços dela”, pragueja consigo o mago que se põe a sentar em uma das almofadas e se preparar para decorar suas magias antes de seu Reviere.

            Ele pega um de seus tomos e o abre, folhando página por página em busca das melhores magias para a próxima investida, que será, como programado, após o descanso das tropas. Assim fora planejado para não haver chances dos grimlocks se recuperarem. “Portanto é melhor eu deixar de me preocupar com prazeres carnais e me concentrar nisso”, comenta mentalmente enquanto prossegue na busca das magias mais apropriadas.

            O mago focaliza toda a atenção em seu estudo, sendo absorvido por suas anotações. Os simbolos e palavras que lhe são importantes fixam em sua mente, enquanto aqueles que não lhe parecem apropriados são deixados de lado. Quando terminar todo o processo de estudo, Calimar sabe que apenas necessitará descansar sua mente para que as magias se fixem.

            Todo o stress dos momentos passados teve de ser deixado de lado. Toda a discução com seus magos e toda a discução seguinte com a enfantaria de Nadal havia deixado-o tenso, mas não tanto quanto o próprio Nadal havia ficado. A discução ferveu o sangue do mercenário drow, pois a todo momento Calimar jogava em sua cara que quem deve apoiar o exército principal é ele, pois ele é o mercenário contratado. Porém, ao fim da discução, quem saiu em companhia da disputada ilusionista foi Nadal.

            – Maldição! – pragueja em voz alta o mago, tendo sua concentração quebrada pelo ciúme.

            – Calimar? – o mago sente sua pressão caindo ao escutar a voz suave de Alystin.

            Ele olha para trás com um sorriso arteiro em seu rosto e observa a jovem dama deitada sobre algumas almofadas, com seus delicados seios a mostra e aos poucos se cobrindo cum uma manta. Aquele pequeno espaço de luxúria não existia antes dele e Alystin começarem a ter momentos de prazer juntos. Agora, para Calimar, parece que sempre existiu.

            – Você parece tenso. Vem que eu lhe farei relaxar. – diz a ilusionista com um sorriso excitante em seus lábios, terminando de cobrir seu corpo com a manta.

            Calimar sente seu coração pulsando velozmente. Seu corpo começa a suar e a excitação palpita em seus órgãos. Ele vai aos poucos em direção a manta que se mexe suavemente, como se Alystin já estivesse começando a brincadeira sozinha.

            Com cuidado ele toca a manta, sorri para si mesmo e retira com ferocidade a coberta. Para seu horror, não é Alystin apenas que ele vê lá dentro – não é Alystin de forma alguma. Milhares de aranhas de espécies diferentes saem de seu espaço de luxúria rastejando-se pelo aposento, deixando para trás o corpo de uma drow rececado, como se estivesse morto há algum tempo e conservado através de poções.

            “Nadal!” pensa o mago indo em direção a uma varinha que fica próximas a seus livros. Ele tenta olhar para todo o aposento a procura do mercenário.

            – Apareça seu mercenário maldito! Sei que você a matou! – desafia o mago com ódio, ainda procurando por seu adversário e sentindo o desespero tomar conta. Ele está sem suas magias e com alguns poucos itens mágicos para se defender, já Nadal é um guerreiro formidável.

            – Não amor, quem a matou fui eu. – ele escuta uma voz feminina, ainda mais sedutora do que de Alystin, soando bem próximo de seus ouvidos enquanto algo perfura suas costas e vara seu coração.

            Tudo ocorre tão rápido, que ele não tem chance nenhuma de defesa. Enquanto aquilo que lhe perfura é arrancado de seu peito, ele apenas vira-se em direção a sua assassina para amaldiçoá-la, mas ao vê-la a estupefação toma-lhe conta.

            – Q-quem? – pergunta com esforço, enquanto sente uma dor intensa em seu peito, como se tivesse levado uma picada de algum animal peçonhento, suas mãos tremem e sua mente fica paralizada pela visão de tanta beleza.

            – Eu sou Lolth, macho. Você já me serviu como deveria, agora não me é mais útil. – responde com uma voz bela, potente e cheia de autoridade.

            Calimar sente sua vida deixar seu corpo. Sua própria deusa o matou. Ele sorri e cai aos pés de Lolth.

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