Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 9 (parte 2)

            Já foram duas investidas que a tribo de Braços de Adamantina suportou nesses últimos dias. Pelo estado físico e mental de seus combatentes, o escultor não acredita que a tribo agüentará um novo ataque.

            Sempre após um ataque, todos os participantes normalmente vão ao encontro das esculturas de Braços, e de seu falecido mentor, para recuperar a inspiração. Eles tocam todos os trabalhos detalhados e maestrais, deixando com que sua mente vislumbre e se regojize com toda aquela beleza sensível. As esculturas deles servem como as músicas dos bardos para o pós batalha. Porém apenas um combatente tocava a escultura de Araushnee, um jovem bárbaro que ouviu falar a respeito da visita de uma deusa a tribo.

            Quando algum combate está se aproximando, os bardos da tribo, aqueles que guardam as lendas e história do povo, inspiram seus companheiros que entram no fronte vindos do campo de batalha.

            Braços ouve os guerreiros exaustos após terem retornado à algum tempo do último combate. Os bardos estão desanimados, os druidas e aqueles poucos clérigos de entidades medusas estão perdendo completamente seu ânimo. Para o escultor o pior de tudo isso é que, aparentemente o desespero está para tomar conta de sua tribo novamente. Ele conhece seu povo e sabe que os grimlocks sempre foram sobreviventes desesperados. Quando mais de um clã consegue se juntar em um pacto de caça e formar uma tribo, esse desespero deve ser colocado de lado para que a sobrevivência mútua seja garantida.

            “Daqui a pouco os clãs se separarão novamente”, reflete o grimlock com tristeza, pois ele sabe que o pacto que une os clãs em uma tribo, não é tão forte quanto o pacto que une cada grimlock dentro de um clã.

            Com o desanimo prestes a tomar conta, Braços de Adamantina segura sua marreta firme e retorna a sua cabana para passar esse desânimo em uma nova escultura, aquela que ao ser vista pelos seus inimigos os farão desistir temporariamente de uma nova investida ao serem tocado por toda a emoção que escultor está vivenciando, ampliado através de sua capacidade artística. Ele pensa em como traduzir aquilo para uma forma sólida. Como passar aquilo para uma pedra e logo compreende onde ele deve fazer. Ele resolve esculpir sua mais nova obra em um ponto visível. “Não poderá ser muito grande, mas deverá ser visível a distância”, comenta consigo sabendo que não terá muito tempo para esculpir uma obra monumental.

            Ele pega suas outras ferramentas e se prepara para sair de sua barraca, mas antes ele toca a escultura de Araushnee quando é surpreendido pelo cheiro da drow com nome de deusa.

            – Achei que encontraria Mãos Calejadas, mas você cresceu basntante não é Braços? – o grimlock escuta a voz suave de uma drow que, por mais tempo que tenha passado, nunca saiu de sua memória.

            Surpreso e ao mesmo tempo sentindo seu ânimo retornar, ele se vira para tocar aquela que tanto o inspirou.

            – Como não escutei você chegar? – sorri o grimlock enquanto toca o rosto de Lolth – Eu sabia que você estava por perto. Senti seu cheiro antes das investidas.

            Ele escuta a respiração de Lolth se alterando como se ela estivesse sorrindo.

            – Não poderei ficar muito tempo, meu filho. Preciso terminar o que iniciei entre os drows que cercam sua tribo. Vim apenas dizer que ajudarei ao máximo, porém vocês devem preparar uma pequena caravana para uma possível fuga. – diz a drow com um leve tom de tristeza em sua voz.

            – Não podemos fugir e deixar companheiros para traz, Araushnee. – comenta Braços deixando a preocupação retornar ao seu íntimo.

            – Sei o quanto vocês louvam seus votos. Não pretendo torná-los desonrados, mas enquanto pelo menos um de vocês viverem, seu povo viverá. Todos os seus companheiros viverão naquele que sair com vida desse confronto. – Lolth demonstra preocupação em sua voz – Aquele primeiro cerco que enfrentamos, não foi tão poderoso quanto esse. A cidade dos duergars que estavam atacando nossa tribo é distante daqui e eles não tinham como se reforçar sem perder um tempo precioso para suas estratégias.

            A inspiração do escultor luta para esvair. Ele coloca suas ferramentas ao chão e toca a drow com suas duas mãos, sentindo toda a curva e beleza dela. Ele sabe que a preocupação de Araushnee ou Lolth, é verdadeira. Ele sabe que quando ela diz “nossa tribo”, é porque realmente ela se sente parte da mesma tribo. A importância do que ela diz ao seus ouvidos é imensa.

            – Eu sei que nossa situação é complicada. Mas como convencerei os outros a se prepararem para partir? – pergunta realmente o grimlock confuso.

            – Você sabe que não será difícil, meu filho, meu irmão. Nosso povo está começando a se desesperar. Você não pode deixar que isso ocorra. – responde a drow.

            – Mas por que eu? Como poderei ajudá-los? – questiona o escultor ainda mais confuso, quase desesperado.

            – Porque você compreende as emoções. Porque você é inspiração. Faça com que um ou vários bardos compreendam isso. Faça com que eles se tornem a inspiração e através de suas canções despertem a natureza de nossos irmãos. Você é o ponto inicial do despertar de sua tribo. – afirma a deusa de forma categórica.

            Braços sente-se contagiar pela esperança que a drow com nome de deusa trouxe a ele. Ele sabe que o que ela disse é verdade.

            – Farei isso Araushnee. Em… – responde ele pensando em complementar com um louvor, mas se interrompendo no exato momento em que o cheiro da drow se enfraqueceu no ar.

            “Mais uma vez você me surpreende deixando o local como se nunca tivesse estado aqui”, sorri Braços pegando suas ferramentas novamente do chão, “As vezes me pergunto se você realmente existe, Araushnee, ou se nada mais é que minha inspiração tomando forma em minha mente”.

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