Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 9 (parte 3)

            Calimar Khalazza adentra sua barraca irritado por não ter encontrado sua atual amante. “Provavelmente está com aquele mercenário nojento”, conclui o mago tomado de ciúme. Faz alguns dias que Alystin se tornou um objeto de desejo do mago líder do cerco drow. Antes de tudo ocorrer, ele nem mesmo imaginava se relacionando com a ilusionista. Porém sempre que se põe a pensar nela, não entende como passou tanto tempo longe da bela e sensual drow.

            Sua cabana é uma das duas maiores do acampamento drow, a outra obviamente pertence a Erelda, sua ex-amante e atual alvo de seu desdém. Seus livros e pergaminhos ficam próximos à algumas almofadas utilizadas para meditação. “Não acredito que terei que entrar em Reviere sem poder relaxar nos braços dela”, pragueja consigo o mago que se põe a sentar em uma das almofadas e se preparar para decorar suas magias antes de seu Reviere.

            Ele pega um de seus tomos e o abre, folhando página por página em busca das melhores magias para a próxima investida, que será, como programado, após o descanso das tropas. Assim fora planejado para não haver chances dos grimlocks se recuperarem. “Portanto é melhor eu deixar de me preocupar com prazeres carnais e me concentrar nisso”, comenta mentalmente enquanto prossegue na busca das magias mais apropriadas.

            O mago focaliza toda a atenção em seu estudo, sendo absorvido por suas anotações. Os simbolos e palavras que lhe são importantes fixam em sua mente, enquanto aqueles que não lhe parecem apropriados são deixados de lado. Quando terminar todo o processo de estudo, Calimar sabe que apenas necessitará descansar sua mente para que as magias se fixem.

            Todo o stress dos momentos passados teve de ser deixado de lado. Toda a discução com seus magos e toda a discução seguinte com a enfantaria de Nadal havia deixado-o tenso, mas não tanto quanto o próprio Nadal havia ficado. A discução ferveu o sangue do mercenário drow, pois a todo momento Calimar jogava em sua cara que quem deve apoiar o exército principal é ele, pois ele é o mercenário contratado. Porém, ao fim da discução, quem saiu em companhia da disputada ilusionista foi Nadal.

            – Maldição! – pragueja em voz alta o mago, tendo sua concentração quebrada pelo ciúme.

            – Calimar? – o mago sente sua pressão caindo ao escutar a voz suave de Alystin.

            Ele olha para trás com um sorriso arteiro em seu rosto e observa a jovem dama deitada sobre algumas almofadas, com seus delicados seios a mostra e aos poucos se cobrindo cum uma manta. Aquele pequeno espaço de luxúria não existia antes dele e Alystin começarem a ter momentos de prazer juntos. Agora, para Calimar, parece que sempre existiu.

            – Você parece tenso. Vem que eu lhe farei relaxar. – diz a ilusionista com um sorriso excitante em seus lábios, terminando de cobrir seu corpo com a manta.

            Calimar sente seu coração pulsando velozmente. Seu corpo começa a suar e a excitação palpita em seus órgãos. Ele vai aos poucos em direção a manta que se mexe suavemente, como se Alystin já estivesse começando a brincadeira sozinha.

            Com cuidado ele toca a manta, sorri para si mesmo e retira com ferocidade a coberta. Para seu horror, não é Alystin apenas que ele vê lá dentro – não é Alystin de forma alguma. Milhares de aranhas de espécies diferentes saem de seu espaço de luxúria rastejando-se pelo aposento, deixando para trás o corpo de uma drow rececado, como se estivesse morto há algum tempo e conservado através de poções.

            “Nadal!” pensa o mago indo em direção a uma varinha que fica próximas a seus livros. Ele tenta olhar para todo o aposento a procura do mercenário.

            – Apareça seu mercenário maldito! Sei que você a matou! – desafia o mago com ódio, ainda procurando por seu adversário e sentindo o desespero tomar conta. Ele está sem suas magias e com alguns poucos itens mágicos para se defender, já Nadal é um guerreiro formidável.

            – Não amor, quem a matou fui eu. – ele escuta uma voz feminina, ainda mais sedutora do que de Alystin, soando bem próximo de seus ouvidos enquanto algo perfura suas costas e vara seu coração.

            Tudo ocorre tão rápido, que ele não tem chance nenhuma de defesa. Enquanto aquilo que lhe perfura é arrancado de seu peito, ele apenas vira-se em direção a sua assassina para amaldiçoá-la, mas ao vê-la a estupefação toma-lhe conta.

            – Q-quem? – pergunta com esforço, enquanto sente uma dor intensa em seu peito, como se tivesse levado uma picada de algum animal peçonhento, suas mãos tremem e sua mente fica paralizada pela visão de tanta beleza.

            – Eu sou Lolth, macho. Você já me serviu como deveria, agora não me é mais útil. – responde com uma voz bela, potente e cheia de autoridade.

            Calimar sente sua vida deixar seu corpo. Sua própria deusa o matou. Ele sorri e cai aos pés de Lolth.

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