Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 11 (parte 1)

            – Você dorme muito pouco para um goblin. – comenta Sabal Dyrr ao guardião do culto herege do qual faz parte.

            – Não começa. – corta o robusto meio-goblin-meio-algo secamente, enquanto observa a boca do túnel na qual eles chegaram após ultrapassar tantas armadilhas.

            Ninguém do grupo de Sabal se feriu, graças a ação coordenada das habilidades de todos os membros. Graças a Mirka eles descobriram e utilizaram os colares que permitiam a passagem dos orcs pelas armadilhas mágicas sem acioná-las. Enquanto as armadilhas físicas eram desarmadas por Stongest, que se concentrou apenas nisso, Gromsh observava os rastros deixados pelos orcs, o que foi útil nas duas vezes em que os túneis se bifurcaram. Enquanto isso, Sabal decifrava as orações e ajudava Mirka a compreender como a magia “divina”, o que para Mirka soava mais como profana, auxiliava as magias arcanas naquela situação.

            Ao caminhar pelos túneis aos poucos eles foram descobrindo que havia algo bem maior envolvendo os orcs. “Quem é Shormongur?”, se perguntou várias vezes Sabal. Infelizmente Mirka não estudou em Sorcere, portanto seu conhecimento sobre demônios e diabos era precário. Ela é a melhor maga Kobold que Sabal já conheceu, mas seus conhecimentos se limitavam a dragões, draconianos e humanos. Mesmo sem auxílio, Sabal tinha conhecimento sobre algumas poucas coisas, mas o máximo que ela conseguiu descobrir através do símbolo que sintetiza o nome do demônio, foi que Shormongur é um Glabrezu.

            Foi necessário um estudo analítico a respeito do símbolo que custou a eles um tempo razoável. “Mas pelo menos conseguimos uma certa vantagem sobre esse culto. Não estamos enfrentando um inimigo totalmente misterioso”, justificou mentalmente Sabal, quando percebeu que havia demorado muito para descobrir tão pouco.

            – O que você está vendo, Stongest? – Sabal pergunta ao guardião, enquanto esse observa atentamente algo que se encontra fora do túnel, em altura inferior.

            – Um g’upo. T’ês d’ows estão no chão e um está descendo uma co’da, enquanto um og’o mago está espe’ando sua vez pa’a desce’. – responde Stongest quase em sussurros, fazendo com que a clériga tenha que se esforçar para escutar melhor o que o guardião está dizendo, pois o som de uma queda d’água está forte o suficiente para atrapalhar a comunicação.

            – Interessante… Mas o que será que um ogro mago está fazendo com um grupo de drows? – pergunta, intrigada, a ex-clériga Dyrr.

            – Esc’avo. Me’cená’io. Qualque’ uma dessas coisas. Há uma clé’iga de Lolth ent’e eles e um mago. Pelo menos é o que pa’ece. – responde Stongest, sem tirar seu olhar atento do grupo que se encontra ao chão da imensa caverna oval.

            Sabal reflete sobre as informações do guardião enquanto olha para Mirka, que está dormindo, e para Gromsh, que está fixamente atento para o outro lado do túnel.

            – Como é a insígnia deles? – pergunta a clériga em um estalo mental.

            – Como? – pergunta Stongest confuso, mas sem tirar os olhos do grupo.

            – Me descreva a insígnia deles. Assim descobriremos a Casa a qual eles pertencem. – explica ela ao experiente goblin.

            – Deixe-me ve’. – responde Stongest, se concentrando no serviço que Sabal lhe pediu. Aos poucos ele vai desenhando uma runa no chão poeirento próximo a ele, enquanto observa sem parar a insígnia no peito da clériga – Está aqui.

            Sabal se levanta e caminha até o local do desenho.

            – Q’Xorlarrin. – comenta ela aproveitando que estava perto da boca do túnel e observando o grupo parado próximo a um grande lago e um imenso ogro mago descendo uma corda fina se comparada a suas proporções.

            Ela dá alguns passos para trás quando Stongest faz sinal para ela se afastar.

            – O’cs. – comenta ele, mostrando com acenos de cabeça os locais onde se encontram alguns orcs armados com grandes bestas.

            Sabal percebe que os orcs estão concentrados no grupo recém chegado e volta-se ao gnoll.

            – Gromsh, prepare-se. Talvez precisaremos entrar em combate. – avisa a clériga ao seu companheiro.

            – Finalmente. – comenta o gnoll rindo.

            – Depois que estiver mais calma a situação, você descansa um pouco, certo? – pergunta a clériga.

            – Não esquenta, Senhora. Ocê nunca vai encotrá gnoll mais resistente que eu. – responde Gromsh com um meio sorriso em seu rosto, que mostra apenas as pontas de seu canino do lado esquerdo de seu rosto.

            Sabal sorri e vira novamente em direção de Stongest enquanto Gromsh lhe faz uma pergunta:

            – Acorda a Mirka, Senhora?

            – Não. Eu cuidarei dela. Você e Stongest são os mais furtivos, eu iria apenas atrapalhar. Não queremos chamar a atenção. – responde Sabal enquanto faz um sinal de mão negativo ao seu companheiro.

            – Certo. – responde o gnoll.

            A clériga se aproxima novamente do goblin.

            – Stongest, você acha que eles nos viram? – pergunta ela, sussurrando próxima ao ouvido de Stongest.

            – Os o’cs ou o g’upo?

            – Os dois.

            – Os o’cs não. Um dos que está no g’upo lá de baixo foi quem nos obse’vou no início do túnel. Ele pa’ece te’ pe’cebido os o’cs e pe’cebido que há algo aqui. – responde o guardião refletindo sobre o assunto.

            – Entendo. Vamos esperar eles iniciarem um ataque contra os orcs para eliminarmos aqueles que podem vir a nos dar trabalho. – comanda Sabal ao guardião.

            – É o que eu p’etendia. – responde Stongest secamente.

            – Certo. – comenta, sentindo-se um tanto deslocada por ainda não ter se acostumado com a idéia de que um macho goblin tenha mais importância em um suposto culto a Lolth do que ela, uma clériga drow – Falarei com Gromsh.

            Stongest faz um aceno positivo com a cabeça e Sabal, ainda incomodada, inicia a conversa com o gnoll:

            – Gromsh, prepare-se. Quando o grupo que está lá embaixo começar um ataque contra os orcs, ou vice-versa, você se guiará pela indicação de Stongest e atacará o orc que poderia nos atrapalhar mais. – o gnoll a escuta atentamente quando ela dá uma pequena pausa antes de continuar – Será necessário uma grande habilidade em escalada. Você possui, não é Gromsh?

            – Sim, minha Senhora. – responde humildemente o gnoll.

            – Ótimo. Então junte-se ao Stongest. – ordena ela, olhando novamente para Mirka enquanto reflete – Stongest?

            – Diga, Sabal. – pergunta o goblin.

            – Você lembra quando os boatos sobre as fugas de orcs no Braeryn começaram, não é? – questiona a clériga ainda olhando para Mirka, que dorme como uma criança não drow, sem preocupação alguma.

            – Sim, me reco’do. – o goblin responde.

            – Você lembra quais ou qual Casa era comentada nesses boatos? Era a Q’Xorlarrin, não era? – pergunta a clériga.

            – Sim, e a Fey-B’anche. – responde brevemente o guardião.

            Sabal olha para o final do túnel onde estão Stongest e Gromsh, e sorri. Tudo começa a ficar mais interessante e curioso na cabeça da ex-Dyrr. Um culto de orcs à um glabrezu. Um grupo formado por uma clériga de uma das Casas nobres de onde fugiram alguns dos orcs escravos que possivelmente estão envolvidos no culto.

            – A Senhora viu que há algumas teias no túnel onde aquele orc se encontra? – pergunta Gromsh, apontando para um dos túneis no alto à esquerda do deles.

            – Bom sinal. – comenta ela, ainda sorrindo.

            “Espero que os Xorlarrin não demorem a iniciar o espetáculo”, comenta consigo Sabal.

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    • Matheus Christovam
    • 13 de julho de 2012

    Mais uma vez adorei

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