Psor!

“Ô, psor!”, é uma frase muito escutada por quem tem essa profissão. Isso seria muito óbvio, se as pessoas fossem chamadas por seus “oficios”, mas normalmente não é isso o que acontece. Vê-se muito pouco alguém pedindo a atenção de um engenheiro como “Ô, gnheiro!”, ou de um administrador como “Ô, dministrador!” ou qualquer outro exemplo possível. Na verdade tem duas profissões, é o que me vem a mente, nos quais as pessoas que lidam com seus profissionais chamando-os pelo “nome do seu ofício”: professores e prostitutas (prostitutos), ou se preferirem “psor”, “fessor”, “sor” e “puta”, “mixê”, “quenga”, talvez até tenham outros que não me recordo agora.

Bem, por mais chato que seja para os conservadores, tradicionalistas, moralistas, hipócritas e assim vai, essas duas profissões merecem RESPEITO, cada uma por seus motivos, mas tem um em comum: são seres sencientes que as praticam e, apenas por isso, já merecem RESPEITO. Mas para evitar que os leitores que tem asco com a ideia de respeito a outros seres – apenas porque eles tem consciência de sua relação com entorno e possuem uma mente, mesmo que simplista – vou especificar mais: são seres HUMANOS que as praticam e, portanto, já merecem RESPEITO.

Nesse texto, não pretendo falar sobre essas duas profissões, já que elas possuem complexidades muito particulares que, individualmente, podem encher livros de estudos, pesquisas, artigos, poesias…

Focarei em uma. Naquela que seus profissionais já possuem vários direitos grantidos…

MMM… bem… Algo soa estranho na frase anterior. Vou reformular…

Focarei em uma. Naquela que seus profissionais já possuem legalmente seus direitos, na teoria, garantidos!

Para quem não entendeu, são os professores. E se não entendeu, é compreensível. Isso não lhe torna “burro”, “incapaz”, ou seja lá qual palavra você queira usar para se rebaixar. Isso te torna, muito pelo contrário, uma pessoa atenta ao seu tempo, ao que anda acontecendo aos professores nesse pais em que vivemos.

Não se preocupe, não será um texto de síndrome de vira-lata, até porque meu contato com a educação de outros países limita-se a teoria. Então vamos continuar.

Notícias e mais notícias se espalham falando da luta dos professores pelos seus direitos! Minto, as noticias não falam muito bem isso, algumas poucas falam. Professores ganhando menos que o piso salarial, quando o salário não atrasa. Tendo que dar aulas em salas lotadas, com poucos recursos. Muitas vezes sem apoio dos pais dos alunos, outras tantas sem o mínimo respeito dos alunos.

Se forcarmos no ensino público, vemos um grande sucateamento das escolas por parte do governo e dos municípios. Isso ocorre até mesmo com as universidades públicas, por incrível que pareça. A situação desenvolvida por ações de políticos chega a ser tão grotesca, que a solução escrota apresentada, para muitos que estão de fora (da área da educação) parece ser a melhor solução: privatizar o serviço público.

Toda essa situação aponta para grupos de culpados. Por parte do governo, os professores e gestores não fazem seu trabalho direito. Por parte dos professores, os governos não cumprem o que devem. Entretanto, há outros problemas que TAMBÉM, devem ser solucionados. Problemas muito mais basais.

Qual o objetivo de nossa educação? Pública e particular.

Essa pergunta, que parece tão simples, é o que vai direcionar todas as ações das escolas e universidades. Todas as estruturas escolares devem ser direcionadas com a resposta dessa pergunta. Toda a valorização dos professores, também depende dessa resposta.

Se temos a educação como mera preparação técnica para uma vida profissional, o professor, basicamente, vai ser visto como o é hoje em dia: um instrumento para a formação de um profissional, mas ainda assim, uma instrumento. Tal como uma calculadora, que deve gerar os resultados numéricos de uma equação específica, assim é visto o professor. Esse cara, que está na sala de aula (e na rua lutando por seus direito, esses que já deviam estar garantidos) deve gerar números: diminuição da evasão escolar, notas boas para a avaliação nacional, número de alunos que passam no vestibular, número de artigos produzidos, números, números, números.

É… mas é isso que cobram de profissionais de empresas, lojas, comércio em geral. É isso que cobram…

Mas pásmem, a Educação (aqui em letra maiúscula para dar mesmo uma sentido ideal a palavra) não é uma empresa, ou não deveria ser. A Educação, não serve para manter uma estrutura que deseja ser permanente para continuar favorecendo alguns… Não… A Educação serve para trazer mudanças. Para ensinar métodos!

Não métodos para te encaixar no mercado de trabalho. A Educação é formada de métodos de hermenêutica, de interpretação do mundo e suas estruturas. Métodos de pensamentos que inovam. Entrar no mercado de trabalho….

“Entrar no mercado” o caralho! Ter uma participação ativa na sociedade através de habilidades desenvolvidas, é um resultado de ter uma mente e um corpo inteligente e ativo, através das diversas áreas do conhecimento desenvolvidas por nós, humanos!

Sendo assim, quanto mais desenvolvemos nossas habilidades de compreensão das várias facetas do mundo, mais poderemos contribuir positivamente com a sociedade da qual fazemos parte.

O professor é aquele que se utiliza de métodos – aprendidos, desenvolvidos e questionados – para ajudar os alunos a desenvolverem os seus próprios, através de aprendizado, treino e questionamentos.

Ser professor não é um dom. Não é algo que você nasce para ser. Na verdade, não há profissão alguma que você “nasça para ser”.

Ser professor é resultado de esforço, estudo, dedicação, reflexão, debates e por ai vai…

O que os profissionais dessa área querem é poder fazer seus trabalhos da melhor forma possível. Talvez isso assuste alguns.

Bem, para finalizar, não posso deixar de dizer que é no mínimo irônico, tudo isso estar acontecendo (as greves dos professores de São Paulo e do Paraná, além de outros estados, e truculência e estupidez pela qual eles vêm sendo tratados) na mesma época que o Plano Nacional de Educação, e os Planos Municipais e Estaduais, estão sendo discutidos, para nortear a educação no Brasil por mais 10 anos…

Mas o que, de fato, queremos com a Educação?

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