Considerações Sobre Arte

Ontem, lendo um ótimo artigo, de 2013, chamado “Acerca do Problema da Definição de Arte“, do Professor Dr. em Filosofia pela Universidade Federal de Sergipe, Adilson Koslowski, fiquei refletindo sobre esse assunto, que como professor de Arte – mesmo que do ensino fundamental – é um tópico que considero de suma importância para estar constantemente analisando. No caso desse texto, achei ótimo por dois motivos: 1 – ele apresenta várias definições a respeito de arte, desde as tradicionais (a saber: a teoria mimética, a teoria da expressão e a formalista) até algumas menos tradicionais, mas muito interessantes como a que a arte é um conceito aberto, a institucional, a histórico-intencional e a teórico comunicativa da arte; 2 – porque me incomodou e isso me fez querer refletir ainda mais sobre o conceito de arte, o que me ajuda a definir melhor como direcionar meu trabalho como professor.

Não falarei muito sobre o texto em si, mas sobre o que venho pensando sobre arte. Ainda assim, acho importante explicar alguns pontos que me fizeram querer escrever essa reflexão. Um dos pontos que acho importante está no resumo, quando ele diz que uma definição não pode ter um único contraexemplo no mundo da arte, pois se tiver “a definição não é uma boa candidata a definir arte explicitamente”. Outro ponto, na verdade, tem relação direta com esse, que é como os contraexemplos surgem no texto, tal como quando o autor, expõe o contraexemplo da definição dada por Maria E. Reicher, a teórico comunicativa da arte. Só para ficar claro esse segundo ponto, a definição teórico comunicativa da arte, é a seguinte: “x é uma obra de arte exatamente quando x é intencionado por um emissor (produtor) como meio de uma experiência estética”, sendo assim, para o autor do texto um dos problemas é que ela é muito ampla e o contra exemplo que ele usa é: “Por exemplo, a maquiagem que uma mulher faz em seu rosto tem a intenção de provocar experiência estética, porém não é, obviamente, arte”.

É a partir daqui que inicio as minha considerações, fermentadas ainda mais com a leitura desse texto. Primeiro gostaria de falar sobre esse contraexemplo e depois adentrar na definição que desenvolvo a respeito de arte desde que comecei a dar aulas de Arte, já que na Universidade, na época, a mais defendida era a arte como um conceito aberto. Concordo com o Professor Dr. Adilson Koslowski, que a definição de Maria E. Reicher “satisfaz os critérios de uma boa definição apontados” no início de seu texto, mas não percebo da mesma forma que ele a respeito da validade de seu contraexemplo: 1 – pelo afirmação de que maquiagem “obviamente” não é arte; 2 – que está relacionada com a primeira, que é não considerar a possibilidade da maquiagem ser aceita como arte. Minha primeira discordância, advém dessa tal obviedade. Se a própria definição de arte não está fechada, considero inviável dizer que algo “obviamente” não é arte, afinal, que definição de arte está sendo usada para afirmar-se que a maquiagem não é arte? Em relação ao segundo ponto, dentro da definição teórico comunicativa da arte, a maquiagem pode sim ser estabelecida como arte, mas há “algo”, que não entendo, que não o permite. Se pensarmos na maquiagem como uma técnica que amplia a expressão facial de quem a utiliza, estando presente em diversas linguagens artísticas, como Dança, Teatro e Audiovisual, ela adentra a questão artística, mas isso pode ser refutado como se a maquiagem fosse apenas elemento que compõe tais artes. Nesse caso, acho interessante observar toda o desenvolvimento das maquiagens, a ponto dela acabar se tornando, como é atualmente, um objeto de apreciação, tal como uma tatuagem adentra o movimento da Body Art. Desse modo considero que esse contraexemplo não cumpriu seu papel.

De todas as definições encontradas no texto, como já disse, tendo a concordar com o autor, quando leva em consideração a teórico comunicativa da arte, pois se assemelha ao que venho definindo como arte nos meus trabalhos. Costumo definir arte como linguagens estéticas, ou seja, meios sistemáticos de se comunicar ideias ou sentimentos através de experiências estéticas.Dentro dessa definição é possível incluir subgrupos, tais como as linguagens artísticas Dança, Artes Visuais, Audiovisual, Artes Cênicas, Música, etc. Reconheço, tal como na definição teórico comunicativa, a amplitude das linguagens estéticas, mas considero uma amplitude válida. As relações sencientes no mundo se dá através de linguagens, definições, conceitos, ideias, interpretações, projeções, etc. Pelas artes terem a característica de estimularem nossas consciências sensoriais, afim de que alguma relação sensível desenvolva entre os envolvidos (nós, a obra, os sentidos, etc) – não que seja sempre bem sucedida nesse intuito – é possível interpretar tal processo como uma comunicação estética, uma comunicação que gera experiência estética. Além disso, como a eficiência dessa comunicação depende de conhecimento técnico e teórico – é necessário, por exemplo, que o artista não só saiba fazer algo, como saiba o que ele quer fazer, para quem ele quer fazer e como ele quer fazer – é possível também, dizer que, como uma linguagem, a arte é sistematizada, as vezes em grandes escolas ou movimentos, em outras, como processos criativos e experienciais de pequenos grupos ou pessoas.

Creio que por hoje é isso, muito provavelmente voltarei a escrever mais sobre essas considerações no futuro.

Anúncios
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: