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Uma Questão de Sentimento

Passei o dia todo pintando camiseta, sem mais ninguém em casa. Eram umas 19hs quando senti uma espécie de solidão, falta de companhia, falta de ver outras pessoas. Fui até o facebook, chamo uma ou outra pessoa para dar um rolê, nada demais, nada madrugador, apenas um café em algum lugar com boas cadeiras ou poltronas para sentar e papear. Entretanto, infelizmente, não consegui nenhuma companhia, mas ainda assim queria ver pessoas.

Não sei o que estava me incomodando na verdade, se era um sentimento de solidão devido ao fato da rotina ter se alterado recentemente, ou um sentimento de solidão mais existencial, algo como a angústia falada por Heidegger. Observei aquele incomodo e pensei em sair da mesma forma, mas deu a impressão de que o sentimento de solidão iria aumentar, pois, “alguém saindo sozinho? Isso é estranho”. Maldita construção social!

Mentalmente mostrei os dois dedos do meio para essa imagem social do sociopata que sai sozinho atrás de alguma presa, essa ideia de que sair sozinho é algo a se desconfiar, peguei minha bolsa transversal e fui pegar o ônibus ainda me sentindo estranho, principalmente nessa época de carnaval, onde somos bombardeados de propagandas de pegações, multidões, etc.

Em minha época de faculdade, tinha o hábito de ir em festas sozinho só para observar as pessoas se relacionando, interagindo apenas com quem tomasse a iniciativa e resolvi fazer o mesmo. Isso tirava um pouco a estranheza, pois a habitualidade tornava esse ato normal.

Durante o trajeto do ônibus fui lendo um livro de relatos de um autor chinês, que não lembro o nome, sobre seus contatos com o Dalai Lama. O capítulo falava sobre a abertura que se tem ao ver os outros seres humanos como o que são, sem taxá-los como chineses, tibetanos, etc, e como isso ajudava o monge budista a se relacionar com as pessoas e a não ter ressentimentos ou algum tipo de raiva em relação aos chineses, por conta da invasão do Tibete.

Ao perceber que meu ponto estava chegando, já que já tinha traçado o trajeto da minha caminhada na mente, guardei o livro e dei o sinal. Fui até o Café Regina, comprei um mate gelado com limão (é não foi um café) para viagem. Caminhei tranquilamente, observando. Vi uma menina – mulher? – que eu atendia quando trabalhava com crianças e adolescentes em situação de rua. Dada a situação e sabendo do histórico, supunha o motivo dela estar no Camp Chop, o que era triste. Ela me olhou por um tempo, mas não parece ter reconhecido.

Continuei minha caminhada e fui chamado por um morador de rua, chamado João (nome fictício, não que o nome que ele tenha me falado necessariamente seja verdadeiro, mas prefiro chamá-lo de João nesse relato). Ele pediu dinheiro para ajudar a pagar uma pensão. Tirei algumas moedas e ofereci a ele, não que ajudasse, mas já era algo, e acabei oferecendo meu chá que ele aceitou com suspeita, perguntando se tinha álcool. João, com seu copinho de pinga na mão, achou ainda mais suspeito quando eu disse que não tinha e ri, afirmando que não bebia. Ele acabou aceitando o chá e começamos a conversar. Ele contou que não era de Campinas, que estava na cracolandia até pouco tempo atrás, mas que tinha parado com o crack, porém, se sentia fraco, pois caiu de cabeça no álcool. “Mas conseguiu largar o crack, não conseguiu?”, disse a ele, seu semblante mudou. “Sim! Sou magrinho, mas sou trabalhador”. Ri e ele pediu para eu pegar uma cadeira (estávamos do lado de um boteco). Neguei a cadeira e agachei do lado dele. “Sabe o que eu sinto falta?”, perguntou ele, meio que retoricamente, “De mais simpatia entre as pessoas”. “Pessoas para conversar?”, perguntei e João respondeu que sim, que faltava mais contato entre as pessoas. É bem chato ser ignorado, afinal de contas, não é?

Nossa conversa durou uns trinta minutos e me impressionei que em toda ela ele reclamou apenas de duas coisas: sua “fraqueza” (como ele mesmo se referiu) por não conseguir lidar com seus vícios e a “falta de simpatia” das pessoas, algo que eu traduzi como solidão. Assim o fiz por alguns motivos, mas, creio que, o principal era o cuidado que ele estava tendo para que eu não o julgasse, não me chateasse com ele. “Você vai me xingar, mas…”, dizia ele antes de falar algo “cabuloso” de sua vida. No final da conversa, ele me perguntou: “Onde posso te encontrar?” e eu respondi que vira e mexe estava pelo centro, o que é fato, mas a pergunta ficou na cabeça.

Vejamos, eu sou de Campinas, moro aqui a 32 anos e tenho vários amigos nessa cidade. Mesmo que muitos dos meus amigos sejam de outra cidade, ainda assim tenho contato com muita gente daqui e mesmo assim sinto solidão. João era de outra cidade, São Paulo, e estava na rua, o que agrava ainda mais a sensação de solidão, já que normalmente as pessoas o evitam. É… não é bolinho.

Continuei minha caminhada pensando na pergunta de João e até onde eu poderia de fato ajudá-lo. “E quando nós (a Sawear e a Ó Véi!) montar um centro de produção cultural?”, pensei, “Como será que poderei ajudar pessoas como o João?”. Acredito muito que, se João, e outros em situação semelhante, tivessem pessoas para darem apoio (não digo passar mão na cabeça, digo apoio mesmo, estar junto, conversar, puxar a orelha quando necessário, parabenizar quando necessário também, etc) ele superaria melhor suas “fraquezas”. O quanto o sentimento de solidão não nos afunda, se não conseguimos lidar com ele?

Quando estava com esse pensamento em mente, escutei um “oi”, mas dei de ombros, pois nem imaginava que era comigo. Eis que escuto ao longe: “Por que ninguém fala oi nessa cidade?”. Por reflexo me virei e vi que a moça estava se referindo a mim. O carnaval de rua havia acabado a pouco tempo, pelo que pareceu, e a moça, bêbada, estava descendo na mesma calçada que eu estava subindo. “Me desculpe, não imaginei que era comigo”, respondi sorrindo. Ela repetiu a pergunta: “Por que ninguém diz oi nessa cidade?”. “Não sei”, respondi rindo, “mas eu não disse pois não achei que fosse comigo”, ela começou a rir e disse que, desde que se mudou para Campinas, tinha dificuldade de conseguir um oi das pessoas, “falta simpatia, sabe?”. Internamente falei: “De novo isso?” e concordei com ela externamente. Nos apresentamos devidamente e papeamos mais um pouco sobre como essa falta de simpatia gerava solidão e como morar em Campinas corroborava com isso (segundo ela). É, relamente, sinto solidão em morar aqui, mas também senti em morar em São Caetano, já senti em São Paulo, em Campos do Jordão, em Piracicaba, em Ubatuba, no Guarujá, etc. Onde não? A sensação de solidão está relacionado ao lugar? As pessoas? Quantas vezes me senti sozinho mesmo estando acompanhado? No meio de um bloco de carnaval, ELA se sentiu sozinha…

Solidão é algo complexo. Difícil de definir as vezes. Depois desse bate papo com duas pessoas distintas, com o mesmo problema, eu já não me sentia sozinho. Me sentia bem. Tinha a sensação de que esse contato, um contato “simpático”, em que nos colocamos a disposição do outro (generosidade?), era capaz de desfazer a solidão (ou angústia existencial Heideggeriana). Mas isso é momentâneo, mas não porque o se dispor ao outro não seja um antídoto para esse tipo de incomodo, mas porque não demora muito para nossa habitualidade autocentrada retornar com força.

Tomei meu rumo. No ponto de ônibus uma moça me informou que meu busão tinha acabado de passar. Agradeci e quando ela estava entrando no ônibus dela, nos apresentamos. Aguardei mais um pouco, lendo meu livro. Peguei o ônibus e eis que começa a todar “A Matter of Feeling”, do Duran Duran, só para finalizar esse inusitado passeio com chave de ouro.

“How does it feel

When everyone surrounds you?

How do you deal

Do crowds make you feel lonely?

What do you say?

When people come and try to pin you down?

Aquaintainces smile

But that’s no understanding”

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Notícias

Olá a todos!

Esse post é mais para explicar o porquê não tenho postado coisas novas recentemente. Em resumo, as coisas andam um tanto corridas: trampos, projetos, etc. Entretanto, além disso, há também o fato de que, recentemente, eu estava apenas postando as pinturas das minhas camisetas (que costumo publicar na página do facebook e estou aguardando minha loja virtual ficar pronta) e, de vez em quando, os links dos meus vídeos do youtube. Ou seja, não havia um conteúdo próprio para o blog, já que Outcasts e Immortuos estão sendo republicados no Conexão Nerd.

Assim, ainda permanecerei um tempo sem muitas publicações por aqui, enquanto planejo uma melhor utilização para o blog…

Algumas idéias já estão surgindo, como a publicação dos esboços que faço antes de pintar as camisetas e uma ou outra reflexão em relação aos estudos que faço a respeito de artes, filosofia, etc. De qualquer forma, ainda preciso amadurecer melhor essas idéias antes de começar um rítimo de publicação constante novamente.

Agradeço a atenção e compreensão. Continue acompanhando que novidades virão.

Para quem quer ficar por dentro dos meus projetos, dêem uma olhada nos links abaixo:

Sawear:

Meu canal do youtube:

O Véi! Produções:

Outcasts e Immortuos (no Conexão Nerd)

Valeu a todos!

Atenciosamente!

2013

Olá a todos!

O primeiro post de 2013 está sendo escrito no dia 03/01, mas tudo bem, afinal, é um bom dia: aniversário de Tolkien. Não que eu seja um super fã de Tolkien, mas gosto bastante do que ele criou, então já está de bom tamanho.

Dessa vez não farei promessas para esse ano, apenas recapitualarei algumas coisas que ocorreram em 2012, afinal, alguma dessas coisas causaram grandes mudanças nesse blog.

Grupo de Teatro do Colégio Casa do Saber:

Em 2012 o Grupo apresentou duas peças. A primeira, no primeiro semestre, foi A Casa Abandonada (cujo o roteiro ainda será postado esse ano aqui no blog), uma peça de terror onde um grupo de adolescentes entra em uma casa abandonada e contam histórias de terror. Já a segunda peça foi Um Conto de Natal, adaptação da obra de Charles Dickens “A Chirstmas Carol” (cujo o roteiro também será postado no blog nesse ano).

Ainda não sei com quais peças trabalharemos em 2013, mas já foi pedido que não envolvam fantasmas e não seja drama rs. Tentarei atender a tais pedidos…

Ataraccia Teatral

O Ataraccia Teatral, o grupo de teatro que eu fazia parte, sem vínculo com nenhum dos colégios nos quais dou aula e que foi fundado no início de 2012, teve vida extremamente curta. Por conta de alguns desencontros, mesmo após conseguirmos um local para ensaiar, não conseguimos ensaiar devidamente (para a linguagem teatral) a peça Pieces, que já foi apresentada em 2011 pelo Grupo de Teatro do Colégio Casa do Saber.

Por conta disso, acabamos unindo o Ataraccia Teatral com outro projeto do qual faço parte: Ó Véi! Produções, e transformamos Pieces em curtas metragens. Pieces como projeto audio-visual deu muito certo e foi exibido no Espaço Cultural Maria Monteiro, em Campinas, no dia 17/12/12, tendo uma boa repercursão. Como a Ó Véi! Produções tem o objetivo de ser uma produtora para um público virtual (de internet), esses vídeos serão postados no canal da produtora no youtube em fevereiro desse ano (2013).

Ó Véi! Produções

O projeto de produtora cultural que se tornou um projeto de produtora audio-visual rs Foi uma dos projetos que mais me dediquei esse ano e que está dando frutos, aos poucos. Nesse ano de 2013 pretendemos produzir muitas coisas, mas a partir de fevereiro. Fiquem atentos ao youtube!

Sawear

Esse é meu projeto de pinturas em camisetas, no qual já produzi 77 camisetas até o momento. Aqui no blog postei apenas até a 34, mas continuarei postando até igualar a minha produção atual.

O projeto nasceu após a viagem que fiz para a Índia em Agosto com meus amigos da ATG, incluindo meu professor de filosofia budista e ocidental, Plínio Tsai. Lá tivemos muitas conversas, observamos muitas coisas, tivemos contato com muitos tibetanos que moram no exílio e ouvimos muitas histórias emocionantes. Em conversa com meu professor de como poderíamos (como ATG) melhorar o alcance de nosso trabalho social (tanto no Brasil quanto com os exilados tibetanos), fiquei pensando em uma maneira de arrecadar verba para ajudar nos projetos.

Assim nasceu o projeto Esqueletos: Tinta de Tecido Sobre Camisetas, atual Sawea, que tem como principal objetivo arrecadar fundos para os projetos sociais da ATG e para a produtora Ó Véi! Produções (pois todo mundo sabe o quanto equipamento audio-visual é caro rs).

O projeto Sawear foi um dos pontos de maior mudança em 2012, tanto no meu rítimo diário, já que acrescentei mais um trampo rs, quanto nas publicações aqui do blog

Outcasts

Mais uma mudança esse ano. Outcasts passou a ser publicado no site: Conexão Nerd.

Immortuos

Em 2012 era para eu ter lançado o segundo livro do Immortuos, meu cenário de mortos vivos, entretanto não consegui terminá-lo, por conta de tudo o que acabou acontecendo nesse ano e não previ. Já escrevi metade dele, porém, assim que terminar ainda terei que revisar, portanto, creio que só o postarei em 2014.

Devo estar esquecendo um monte de coisa, mas tudo bem.

Gostaria de desejar um excelente 2013 para todos!

Atenciosamente!

Aviso: Setembro de 2012

Olá a todos!

Retomarei os dias de post convencionais aqui no blog (segunda, quarta e sexta). Por conta das produções das camisetas (veja projeto “Esqueletos: Tinta de Tecido Sobre Camisetas“), postarei de segunda-feira a continuidade dos estudos que fiz para a exposição “Desenha-me um Carneiro“, que a Pandora Escola de Artes fez na Livraria Cultura em 2008, enquanto de quarta e de sexta, postarei coisas referentes ao projeto das camisetas.

Em relação ao Outcasts, estou no aguardo de respostas dos meus amigos do site Conexão Nerd, veja esse post: Sobre Outcasts.

Por fim, qualquer outro post inusitado que for colocar aqui no blog, ou postarei em algum dos dias que não esteja na programação, ou substituirei o assunto de sexta feira.

Qualquer mudança será explicada como está sendo feito aqui.

Atenciosamente.

Jardim do Nérden – Novo Site de Nerdices

Olá pessoal,

Esse é um post especial que eu já deveria ter publicado faz tempo, mas com as últimas correrias e gripe e tudo mais rs, acabei não fazendo. Então aqui está.

Foi lançado (não sei se essa seria a palavra correta, ou inaugurado seria melhor, mas tudo bem) recentemente o site Jardim do Nérden. Um site para todos aqueles que se interessam pela denominada “cultura nerd”: HQs, filmes, RPG, Card Games, Sci-Fi, animes, mangás, tecnologia, curiosidades, etc, etc, etc.

O site conta com um staff de peso, pessoas que sempre estão por dentro das novidades do universo nerd, e é atualizado diariamente, deixando seus leitores sempre informados.

Confira o Jardim do Nérden!

Atenciosamente.

Hillbilly Apocalipse

Olá a todos,

Hoje o post é sobre a produção de um curta de um grande amigo meu, Luis Paulo Mariano, que foi gravado nessa segunda-feira em Barão Geraldo (Distrito de Campinas, SP, Brasil), chamado Hillbilly Apocalipse. A gravação contou com a participação de muita gente boa e de “peso”, incluindo Paulão, vocalista do Velhas Virgens, Jimmy, vocalista do Matanza, e a banda Fabulous Bandits, de Londrina.

Como esse blog não é em si um blog de notícias, prefiro usar esse espaço apenas para divulgar o trampo que está sendo feito (já que ainda falta ser editado, etc e tal), já que apóio – e MUITO – as idéias e projetos do grande Paulinho. Para ler uma notícia mais consistente a respeito do curta e verem fotos, leiam:

http://otaku-no-ie.blogspot.com.br/2012/04/hillbilly-apocalipse.html

http://www.portalculturarmc.agemcamp.sp.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3640%3Acineasta-campineiro-faz-um-filme-ao-contrario&catid=1%3Aultimas-noticias&lang=pt

Atenciosamente.

Sobre essa semana

Olá a todos!

Essa semana terá uma mudança excepcional na programação do blog. Sexta-feira não postarei a parte 2 do capítulo 7 do D&D Forgotten Realms Outcasts, pois, a partir de amanhã, postarei um conto de horror que escrevi e dividi em três partes, chamado: A Casa da Estrada Desconhecida. O conto será publicado amanhã, sexta e segunda que vem, portanto, Outcasts volta a sua publicação normal na sexta que vem.

O conto foi baseado parcialmente em um sonho que tive, com clima de histórias de H. P. Lovecraft. Assim, optei por tentar fazer uma narrativa com um estilo semelhante às desse grande escritor de horror, mas com as alterações necessárias.

Agradeço a compreensão de todos, especialmente daqueles que acompanham Outcasts. Espero que conto os agradem.

Atenciosamente,

Max Sawaya

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