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Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 8 (parte 4)

            “Que esse lugar se torne uma extensão de seu lar e que seus inimigos não sejam capazes de adentrá-lo. Que seu poder os destrua!”, um insight vem na mente no mago Sol’al Teken’Th’Tlar em meio ao seu Reverie. “Talvez seja isso”, diz a si mesmo enquanto escuta algumas conversas ao seu redor.

            Por não estar mais escutando nem sentindo a vibração do ronco de Brum, ele acredita que esse esteja fazendo parte da conversa. Atento e tentando aguçar sua audição, Sol’al começa a distinguir os sussurros.

            – Claro que não era pra nós. Eles não sabiam da nossa contratação. – diz o imenso ogro ao seu companheiro de conversa, que facilmente Sol’al percebe ser Alak.

            – É disso que estou falando Brum. Acho que a presença do mago é tão indigesta aos dois quanto a nossa. – comenta Alak tranqüilamente enquanto o ogro segura o riso.

            – De boa Alak, o maguinho nem tem como ser mais indigesto que nós. – comenta ele.

            Sol’al controla sua raiva ainda se mantendo na posição que estava quando entrou em Reverie, esperando que os dois mercenários falem algo que realmente os comprometam. Porém nada surge. Ambos ficam apenas conversando assuntos banais como cerveja, mulheres e táticas de guerra.

            Depois de algum tempo o mago Teken’Th’Tlar volta a escutar o ronco fortemente sonoro de Brum. Até que uma voz masculina chama a atenção de Alak:

            – Descobriu algo mercenário?

            A voz está baixa, mas Sol’al consegue reconhecer como sendo do guerreiro Xorlarrin, pois não teria como ser de outra pessoa; a não ser que mais um “suporte” estivesse por perto.

            – Sim. Há uma outra passagem, mas não me pareceu mais segura que essa. – responde o eremita também com voz baixa.

            – Por que? – questiona o guerreiro.

            – Há orcs e um grupo se digladiando. – responde Alak como se aquilo não importasse.

            – Grupo? – pergunta o guerreiro como se estivesse lendo a mente de Sol’al.

            – Sim, um grupo de seres inferiores liderados por uma clériga de Lolth. Aquilo que teoricamente estamos procurando. – responde cinicamente o eremita.

            “O culto a Lolth?”, se questiona surpreso o mago. A ansiedade começa a tomar conta do corpo de Sol’al, mas esse se controla para não perder a oportunidade de descobrir o que está ocorrendo na missão. O silêncio tomaria conta do local se não fosse pelo ronco do ogro, até que o Xorlarrin retoma a conversa:

            – Você não está procurando nada. Até onde entendi, você e seu amigo foram contratados para protegerem a clériga, correto? – diz secamente o guerreiro.

            – Correto, Mestre Q’Xorlarrin. – responde Alak com reverência.

            Sol’al não escuta resposta, mas acredita piamente que o guerreiro a fez com seu habitual sorriso. A mente do mago se entrega a um turbilhão de pensamentos, aos poucos ele começa a se concentrar para poder refletir de maneira mais coesa. “O culto a Lolth pelos escravos não é a real razão de tudo isso. Isso eu entendi”, comenta consigo mesmo, “Mas qual será o real objetivo dos Xorlarrin? Será que Orghz sabia ao pedir a ajuda da minha Casa? Será que esses dois Xorlarrin realmente se sentem incomodados com a minha presença?”. Enquanto várias questões palpitam na mente do mago, ele escuta Alak chamando o guerreiro Xorlarrin:

            – Mestre Q’Xorlarrin? Temos companhia.

            Sol’al com o olho semi-serrado vê ao longe uma luminosidade claramente mágica e alguns sussurros. “Esses sussurros parecem ser em abissal”, comenta mentalmente enquanto tenta entender direito o que está ocorrendo. “Eles estão refazendo as armadilhas destruídas!”, conclui Sol’al abrindo os olhos e vendo que o Xorlarrin, Alak e a ladina muda não mais estão lá.

Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 8 (parte 3)

            – Por Lolth. – Mirka escuta Sabal Dyrr comentar enquanto vê Stongest desativando mais uma armadilha física virtualmente invisível com extrema perícia.

            A pequena kobold apenas olha sorrindo em direção a clériga, enquanto essa observa pasma refletindo sobre todas as habilidades que o pequeno e robusto meio-goblin demonstrou.

            – Ele é o Guardião, afinal de contas. – diz Mirka ainda sorrindo chamando a atenção da espantada clériga.

            – É. – concorda a clériga sem saber mais o que dizer.

            Tanto Sabal quanto Mirka sabem que se Stongest não estivesse na batalha contra os orcs, havia grande probabilidade do grupo estar morto. Stongest é extremamente habilidoso com seus machados, em se esconder e se camuflar no ambiente, em desarmar e provavelmente armar armadilhas, em escalar e se esquivar.

            – Como alguém tão habilidoso passou despercebido tanto tempo no Braeryn? – pergunta a drow à sua pequena companheira.

            – O Guardião não busca a fama. Ele existe para proteger a deusa e a Fé que temos em seus ensinamentos. – responde Mirka com extrema certeza na veracidade de sua resposta.

            Sabal apenas sorri e dá uma olhada ao seu redor, para ver como andam as coisas. Ela vê Gromsh de vigília atrás do grupo, enquanto Mirka fica ao seu lado e Stongest a frente desarma e encontra armadilhas. A clériga volta a olhar para a kobold enquanto se poem a pensar a respeito do que a pequena havia acabado de dizer e um estalo surge em seus pensamentos:

            – Stongest existe desde que Lolth era uma criança, correto? – pergunta a clériga curiosa.

            – Não, Senhora. – responde a kobold sorrindo enquanto Sabal alivia sua suspeita – Na verdade desde antes dela encarnar.

            Os olhos de Sabal se arregalam. “Não tinha parado para pensar nisso”, constata mentalmente Sabal. Stongest é mais velho que a pseudo-deusa, sendo que, aparentemente, a Lolth herege é um pouco mais velha que ela.

            – O que foi, Senhora? – pergunta Mirka arrumando seu manto.

            – Nada. Apenas não havia parado para pensar em como o guardião é velho. Não me recordo de nenhum goblin viver por tanto tempo. – comenta Sabal enquanto Mirka se dispara a rir o mais discretamente que ela consegue.

            – Que foi Mirka? – pergunta a clériga.

            – Me desculpe, Senhora. Acho engraçado você ver o Guardião em padrões mortais. Ele não é um goblin. – responde Mirka com a cabeça baixa em sinal de respeito.

            – É. Havia me esquecido. – responde Sabal impressionada com a fé, não Fé, que a pequena kobold possui por Stongest.

            – O que vocês estão falando? – Stongest se inclui na conversa.

            – Não há mais armadilhas? – pergunta Sabal olhando analiticamente para o rosto de Stongest.

            – Não nessa á’ea. Vamos passa’ po’ out’as ‘unas. – responde Stongest se sentindo incomodado com o olhar da clériga.

            – Vamos. – concorda a clériga – Mas antes gostaria de ter uma conversa com você Stongest.

            O meio-goblin levanta uma de suas sobracelhas.

            – Mirka, você poderia nos deixar à sós por um tempo? – pergunta a clériga à kobold.

            – Sim, Senhora. – responde Mirka sorrindo e se afastando para junto de Gromsh.

            Quando a pequena kobold está em uma distancia considerável dentro do limite em que eles podem se locomover, Sabal volta a se dirigir a Stongest em baixo-drow e quase sussurrando:

            – Você é muito hábil Stongest. Muito mais hábil do que a maioria dos drows que eu conheci. Me diga a verdade: como você conseguiu não ser conhecido dentro do Braeryn?

            Stongest olha nos olhos da clériga.

            – Sabal, esse assunto é inútil. – responde secamente o guardião.

            A clériga sente sua face rubresser, mas não desiste:

            – Quero saber quem te treinou? Onde você nasceu? Quem são seus pais? Um goblin não vive tanto tempo quanto você está vivo. Seu pai ou sua mãe, algum deles, possuía algum tipo de longevidade.

            – P’a que você que’ sabe’ disso, Sabal? – pergunta o guardião desconfiado.

            – Preciso saber a respeito das capacidades de meus companheiros. Afinal sei que Gromsh fazia parte de um exército gnoll antes de ser capturado como escravo. Sei que Mirka era uma kobold acolita de um mago humano discípulo de um dragão. – diz a clériga olhando firmemente nos olhos do meio-goblin – Mas sobre você não sei nada. Não sei como lhe encaixar nas minhas estratégias. É complicado liderar aqueles que nem mesmo eu conheço as habilidades.

            O olhar de Stongest ganha um ar de surpresa, ele ainda não havia visto uma drow se desabafar de forma tão sincera a respeito de alguma fraqueza. Sabal continua analisando o rosto do meio-goblin, principalmente os traços ovalados de seus olhos, quando esse responde incomodado novamente com o olhar da clériga:

            – Você não p’ecisa sabe’ o que eu posso faze’. Quando eu p’ecisa’ faze’, eu faço.

            O meio-goblin vira as costas para a clériga e caminha em direção à próxima armadilha. Sabendo que não conseguirá tirar nada a respeito da história do guardião, Sabal tenta suavizar o final da conversa:

            – Então apenas me diga, como você consegue viver por tanto tempo? Não é normal de sua raça.

            – Eu tenho sangue elfico. – responde o guardião com desdém.

            Sabal ri.

            – Mirka. Gromsh. Vamos continuar. – comanda a clériga.

            O grupo caminha em direção a próxima runa. Sabal continua sorrindo pela resposta dada por Stongest, mas logo seu sorriso se desfaz. “Olhos ovalados”, constata ela com seus olhos vermelhos arregalados.

Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 8 (parte 2)

            Após cinco explosões mágicas que se alternavam entre cortinas de fogo e tapetes de corrente elétrica, Brum começa a ser ferido pelas armadilhas. Alak Sel’Xarann, após muito dialogar com a clériga Xorlarrin, consegue que eles dêem uma pausa na investida sem planejamento que estavam fazendo. Era claro para ele que a clériga queria que Brum morresse no processo e que ela estava completamente decepcionada com o fato dele ser tão resistente e de sua assassina mirim não ter conseguido ser furtiva o suficiente.

            Depois de ter ultrapassado duas vezes a primeira armadilha, eles decidiram que Brum deveria quebrar o trecho da parede onde as runas estavam desenhadas. Isso provavelmente ativaria a armadilha com força total, mas – fora Alak – ninguém se importava.

            Logo que as primeiras runas foram destruídas, a pequena ladina foi colocada na frente para procurar armadilhas físicas que pudessem estar no local. Assim que essas eram encontradas, ela logo se prontificava em desarmá-las. Observando a relação da clériga e da pequena drow, Alak percebeu que a nobre era “dona” da ladina, pois essa não parecia pertencer a Casa Xorlarrin. Ela teve sua língua amputada, “talvez por falar demais, algo comum entre mercenário ou ladrões pertencentes a alguma guilda”, refletia Alak.

            Como um animalzinho de estimação da clériga Xorlarrin, a pequena drow obedecia todas as ordens e se arriscava o quanto fosse necessário para deixar sua dona feliz. Felizmente para ela, a Xorlarrin não a havia colocado em risco como fez com Brum.

            Cada armadilha mágica que Brum destruía, todos os outros se afastavam para não sofrerem com a explosão. A mediada que iam adentrando mais e mais o túnel as armadilhas ficavam cada vez piores e mais poderosas. O mago Teken’Th’Tlar havia observado de antemão que possivelmente o poder das runas seriam crescente.

            – Acredito que a cada passo que dermos mais adentro da “morada” do demônio, mais poderosas serão as defesas. – disse ele logo após a terceira armadilha.

            Brum resistiu sem nenhum arranhão até a quarta armadilha. Na quinta, não foi possível e Alak decidiu intervir por seu colega mercenário.

            – Sacrificá-lo nessa altura da missão é loucura. Não sabemos o que encontraremos mais à frente. – dizia Alak para o guerreiro Xorlarrin em baixo-drow.

            – Não adianta mercenário, ela não vai mudar de idéia. – respondia ele.

            Não satisfeito com as respostas negativas do guerreiro, Alak foi ter uma conversa com a própria clériga.

            – Você quer mesmo que ele morra agora? – perguntou o eremita à Xorlarrin.

            – Não necessariamente, mas se ocorrer: ótimo. – respondeu ela secamente.

            – E você sabe o que encontraremos por lá? Você conhece o demônio que possivelmente nós encontraremos? – retrucou Alak em tom de desafio.

            – Isso não é da sua conta mercenário. – respondeu a clériga com raiva em sua voz.

            – É da minha conta a partir do momento que fui contratado para protegê-la. Brum é um dos únicos nesse grupo que poderia parar um demônio tempo suficiente para que conseguíssemos sobreviver. – disse Alak como quem diz uma verdade incontestável.

            – Você conhece bem a capacidade de todos no nosso grupo, hein? – respondeu ironicamente a clériga.

            – Não. Não conheço o suficiente, apenas sei que você não tem suas mágias no momento e que a única fonte de magia que possui é uma varinha de cura. Suas armas mágicas serão inúteis em uma luta contra alguém mais hábil que você. – a clériga virou-se em direção a Alak com a fúria fervendo em seu rosto, mas o mercenário prosseguiu – Talvez seu assassino que faz pose de guerreiro pudesse lhe ajudar, mas acredito que o que você sente por ele não é necessariamente confiança. Já sua pequena ladina de estimação não seria capaz nem de causar transtorno a um demônio ou aos servos do mesmo.

            A clériga encarou o mercenário por um tempo, com a respiração ofegante de raiva.

            – Com quem você irá contar, Senhora? – finalizou Alak sem deixar de olhá-la nos olhos.

            Ela gritou em alto-drow – palavras que para o mercenário soaram desconexas -, chamando a atenção de todos do grupo.

            – Senhora, eu não entendo alto-drow. Por favor, fale em baixo-drow. – interpôs Alak.

            Ela respirou fundo e retomou um tom de diálogo, porém sem deixar a raiva de lado:

            – Eu tenho um mago e um ótimo guerreiro ao meu lado. – respondeu a Xorlarrin.

            Alak olhou para o mago que estava próximo a parede analisando as runas e voltou-se para a clériga novamente.

            – Eu acredito que seu assassino seja um ótimo guerreiro, mas o mago é ignorável. – disse ele – Além disso, ele não seria capaz nem de manchar a pele de meu companheiro ogro.

            A Xorlarrin o olhou com um ódio mortal palpitando em todos os seus músculos como se ela fosse um coração.

            – Certo. Pensem em algo, mas saiba que quando terminarmos essa missão irei fazer de tudo para que você morra como um herege, macho. – sentenciou a clériga ao mercenário.

            – Sim, minha Senhora. – respondeu Alak voltando-se rapidamente ao seu companheiro em subterrâneo comum e puxando conversa com a ladina e com o mago.

            Os quatro conversaram a respeito do que fazer em seguida. Alak sabia que atrás deles a clériga e o guerreiro planejavam sua morte, mas ele mantinha sua mente tranqüila, pois enquanto Brum estivesse vivo, ninguém tentaria contra sua vida.

            Em relação às armadilhas, muitas idéias surgiram, mas todas tinham alguma falha. Por fim, eles optaram por aceitar um plano bizarro do mago.

            – Talvez não seja necessário destruir a runa para “desativá-la”, talvez apenas um risco bem feito possa inutilizá-la. – diz ele.

            A pequena ladina comenta, de forma discreta, algo ao Teken’Th’Tlar na linguagem de sinais drow, que Alak não entende.

            – O que você propõe então mago? – pergunta Brum.

            – Vi que você arremessa bem suas facas Alak. – responde Sol’al como se o eremita que tivesse perguntado – Você conseguiria acertar aquela runa lá atrás?

            Alak observa a runa que Sol’al havia apontado a vinte metros de distância e responde:

            – Com certeza.

            O mago explica a todos que aquilo pode dar uma reação em cadeia e todos, menos os dois mercenários, se afastam até próximo da entrada. No momento combinado Alak arremessa dois de seus punhais, um em cada mão, e atinge de forma perfeita as duas runas que formam a armadilha a vinte metros. Logo após ter disparado, Brum o cobre como uma barraca. Fogo e eletricidade os atingiram com força total, Alak acreditou que Brum não sobreviveria. Cada armadilha que ultrapassada pela cortina destrutiva de magia se acionava e somava-se à primeira.

            Após tudo aquilo parar e as magias se desfazerem, Brum se levanta e diz a Alak:

            – Tivemos sorte dessa vez, hein? Se esses loucos continuarem agindo dessa forma morreremos antes deles.

            – Eu sei Brum. – responde Alak com uma certa tristeza na voz.

            O eremita sabe que aquilo é verdade e não gosta da idéia de morrer de forma tão estúpida. Por isso ele tem que pensar rápido e logo algo que parecia uma estratégia palpável veio em sua mente.

            Aproximando-se do grupo ele se dirige a clériga:

            – Senhora, acredito que eu poderia procurar alguma outra passagem enquanto o mago estuda formas de desarmar essas armadilhas sem por em risco o grupo. – diz Alak.

            – E você acha que haverá outra passagem? – pergunta a clériga descrente.

            – Não sei, mas sei que fui treinado nas áreas selvagens do Underdark e se houver outra passagem, sou aquele que pode achá-la. – responde Alak com convicção.

            O guerreiro sorri aprovando a atitude orgulhosa do mercenário, enquanto a clériga apenas o encara:

            – Mago, consiga uma maneira de anular essas armadilhas. Mercenário pode ir atrás da outra passagem, mas antes diga ao seu amigo que fique longe do grupo, para que possamos descansar sem a presença de um inferior contaminando nosso ar. – ordena a clériga.

            Alak faz uma breve reverência e vai conversar com Brumm, que o recebe com as frases já conhecidas: “Ela disse a palavra, não é?” e “Sim, senhor meu mestre”.

            O eremita parte em busca de uma outra passagem no Braeryn ou próxima a ele. De início a busca é nos arredores, pois ele acredita que os orcs não são estúpidos de prepararem duas passagens uma próxima a outra. Porém, para sua surpresa, a outra passagem se encontra à mais ou menos vinte e cinco metros da passagem na qual eles entraram, mas, pelo menos, não é tão óbvia.

            A passagem é pequena e estreita, principalmente para ele, um drow de um metro e noventa de altura. Cuidadosamente o eremita adentra a passagem e não encontra guardas onde acreditava que haveria. Entretanto escuta uma batalha ocorrendo mais a frente do túnel. Era um túnel bem semelhante ao que eles estavam: artificial e com muitas protuberâncias rochosas. A pequena familiaridade facilita para que ele se esconda e assista a luta que ocorre no local. A clériga que ele havia visto conversando com aquilo que parecia um goblin no Bazaar, está lutando habilmente contra dois orcs, ao lado de um gnoll e alguns kobolds e goblins.

            A batalha é ferrenha. Os orcs urram seus gritos de guerra, enquanto os companheiros da clériga gritam: “Por Lolth!”. Alak sorri por ter encontrado o culto, mas o fato deles estarem combatendo os orcs, deixa tudo ainda mais estranho.

            O eremita fica algum tempo observando e refletindo sobre o que via, quando percebe que dois orcs caem sem sinal de ter sido atingidos pelo gnoll, mas com cortes profundos no corpo. Ao prestar atenção ele vê o meio-goblin-meio-algo furtivo e camuflado como um camaleão, andando livremente no campo de batalha e escolhendo a dedo sua vítima e a hora certa de atingi-la.

            Alak sente uma preocupação surgir em sua mente quando o pequeno goblin-coisa olha de canto de olho em sua direção. “Ele sabe que estou aqui”, conclui o eremita partindo o mais rápido possível.

            Não demora muito para que ele chegue ao seu grupo novamente. Pelo que parece, Brum está dormindo mais a frente enquanto o mago estuda seu grimório, enquanto a clériga e o assassino estão em Reverie. A ladina apenas observa a todos; é ela quem está de vigia.

            Alak se senta perto de uma parede, esperando o momento oportuno para se dirigir a clériga ou ao guerreiro. O tempo se passa e o mago também entra em Reverie. Alak diz para a ladina dormir que ele fica na vigília. Ela recusa e ele apenas sorri dizendo:

            – Me chame quando for a minha vez. – se posiciona comodamente e entra em Reverie.

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