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O Rei e O Cadáver – Completo

Boa noite a todos,

Aqui estão os arquivos com o roteiro completo da peça O Rei e O Cadáver. O primeiro arquivo é referente ao que postei aqui no blog. O segundo é referente ao que o Grupo de Teatro do Colégio Casa do Saber apresentou dia 04/12/2010, no anfiteatro do próprio colégio.

O Rei e o Cadáver – Roteiro

O Rei e o Cadáver – Roteiro 2

Atenciosamente.

PS: Ao converter para PDF a formatação mudou. Portanto o índice está errado.

O Rei e O Cadáver – 7º ATO – Cena 10 PC – FINAL

Narrador: Profundamente curioso e apreensivo, o Rei prosseguiu sua caminhada. Após o longo e sinistro percurso feito dentro do cemitério, (abre-se as cortinas), o Rei chega ao local onde o falso Asceta se encontra, já com todos os preparativos do ritual.

Rei: (Colocando o Cadáver no centro do círculo). Aqui está o Cadáver, venerável Asceta.

Feiticeiro: Mmm. Então sua majestade conseguiu finalizar a tarefa.

Rei: E por algum momento você duvidou das minhas capacidades?

Feiticeiro: (Se aproximando do cadáver e arrumando-o). De modo algum, senhor, mas pelo tempo que demoraste, creio que deve ter sido uma tarefa árdua.

Rei: Concordo que foi, mas esse assunto não é interessante para o momento. (Mudando o rumo da conversa, enquanto observa o Feiticeiro colocar o Cadáver no centro do círculo mágico). Vamos direto ao que devemos fazer agora.

Feiticeiro: Nesse momento, Rei, peço apenas que fique de pé naquele local. (Aponta para um círculo menor, dentro do círculo maior).

Rei: Por que eu devo ficar lá?

Feiticeiro: Pois você será o beneficiado pelo ritual, não eu. Estou aqui apenas para lhe servir. Assim que eu invocar a divindade que tomará conta desse cadáver, é você que terá de fazer o pedido.

Rei: Agora está melhor. Gosto de ter respostas as minhas perguntas. (Diz enquanto se posiciona no local indicado pelo Feiticeiro).

Feiticeiro: Imagino que sim, majestade. (O Feiticeiro toma seu lugar no ritual, próximo ao Rei, recita os cânticos mágicos e o Cadáver levanta-se). Agora, Rei, você deve se prostrar diante da divindade, tocando sua cabeça no chão.

Rei: (Percebendo que é a hora prevista pelo Cadáver). Venerável Asceta, não tenho prática em prostrações. Não sei exatamente como fazer, por favor, me demonstre, para que eu possa fazer corretamente.

Feiticeiro: (Sem perceber a artimanha do Rei). Como quiser, majestade. (E ele se prostra).

Rei: (Quando o Feiticeiro toca sua cabeça no chão, o Rei saca sua espada e tenta cravar nas costas do Feiticeiro, na altura do coração, mas esse percebe a movimentação estranha e se esquiva, levantando-se). Vilão! Você não concluirá seu plano!

Feiticeiro: Então você percebeu? Ahahhaha! Não há mais volta, majestade. Ou você se oferece como sacrifício, ou sua filha morrerá!

Rei: (Atacando o feiticeiro novamente, que se esquiva). Eu irei matá-lo e desfarei sua maldição!

Feiticeiro: (Ironicamente). Uuuu… Calma, majestade. Para que tanta violência? É bom que você saiba que estão tentando te enganar. Se você me matar, a maldição não será desfeita! Hahahahahh!

Rei: É o que veremos! (Ele ataca novamente o Feiticeiro e o corta de raspão. O Feiticeiro se enfurece a ataca o pescoço do Rei, mas esse se esquiva e crava sua espada no feiticeiro).

Cadáver: (Jubilosamente). HAHHAHAHAH! Você salvou bem mais do que sua filha hoje, majestade!

Rei: O que você está dizendo, espectro?

Cadáver: O necromante pretendia ter o poder absoluto sobre as almas, carniçais e sobre todas as outras presenças espirituais do domínio sobrenatural. Esse poder agora será seu, ó Rei, quando sua vida terrena terminar. Por enquanto, você será recompensado por sua virtuosa ação. O que deseja? Diga, e o seu desejo será atendido!

Rei: No momento apenas quero que minha filha, aquela que amo mais do que à minha própria vida, se livre de sua maldição.

Cadáver: Assim será! Hahahhaha!

(A luz diminui).

Narrador: A maldição que haviam imposto a filha do Rei foi desfeita. O Rei retornou ao seu castelo e encontrou sua filha forte e saudável novamente.

(A luz aumenta. O Rei está perto do trono com o Tesoureiro feliz ao lado. Sua filha entra na sala).

Princesa: Pai!!

Rei: Filha!!

(Eles se abraçam com muita felicidade).

Narrador: Essa maravilhosa e sinistra aventura chega ao fim. Todos os deuses se alegraram com a façanha do Rei e o próprio Shiva, pediu para que ele contasse a história para o Tesoureiro e para a Princesa. (A luz diminui). O Tesoureiro e a Princesa contaram para seus amigos. Os amigos desses, para seus amigos, e de boca em boca, essa história chegou aos dias de hoje, passada de geração a geração. Dizem que aonde essa história é narrada os deuses enviam suas bênçãos e todos os espectros e demônios perdem seus poderes. Quem a recitar com devoção sincera ficará livre de todo sofrimento.

O Rei e O Cadáver – 6º ATO – Cena 9 PC

Cadáver: …e não sabiam definir o parentesco que possuíam. Pois o Filho do caçador havia se casado com a mãe da Princesa. (A cortina se abre. Estão o Rei e o Cadáver no palco). Enquanto a filha da Rainha havia se casado com o Pai de seu padrasto. Responda-me, majestade: Qual era o exato parentesco entre os dois meninos que nasceram? Diz com precisão: o que eram e não eram um do outro? Se souber a resposta e não disser, eu voltarei para a árvore e nunca mais sairei de lá.

Rei: (Fica em silêncio, pensando por um bom tempo. Quando ele se dá conta de que não tem a resposta para aquela pergunta, seu rosto se ilumina de alegria e sua postura torna-se ereta).

Cadáver: Hahahahaha! Finalmente percebeu que é limitado? Que não tem a resposta para tudo e é suscetível a falhas?

Rei: (Balançando a cabeça, voltando de seu devaneio). Como?

Cadáver: Não percebeu que todo o tempo que gastou aqui foi guiado por sua arrogância?

Rei: (Abaixa a cabeça envergonhado, como se tivesse entendido o que o Cadáver queria mostrar-lhe).

Cadáver: Me agrada a sua determinação e o amor que tem por sua filha. Pode ficar com esse cadáver. Vou deixá-lo levar. Mas antes, devo lhe avisar. (O tom se torna muito sério. O Rei olha o Cadáver nos olhos). O Asceta é um impostor muito perigoso. Com poderosos encantamentos vai forçar-me a retornar a esse cadáver, que transformará em um ídolo. Ele pretende me colocar no centro de seu círculo mágico, venerar-me como uma divindade, e, durante essa cerimônia, oferecer você como sacrifício. (O Rei demonstra preocupação). Foi ele que amaldiçoou tua filha, para que você fizesse parte do ritual assim como está fazendo!

Rei: Como pude participar disso?

Cadáver: Foi sua soberba que trouxe você a esses campos. O mesmo sentimento de prepotência que faria você perder sua filha.

Rei: Por que não me disse antes que eu estava sendo enganado por estar cego pelo meu orgulho?

Cadáver: Ahahahah! Com toda sua arrogância, você acreditaria em um asceta ou em um cadáver? Hahahahhah

Rei: (Fica sem resposta e vira-se envergonhado). O que faço agora?

Cadáver: Para retirar a maldição de sua filha, você deve matá-lo. Saiba como será seu sacrifício: ele vai ordenar que você faça prostrações em reverência, primeiro de joelhos e depois prostrado na mais servil atitude de devoção, tocando o chão com a cabeça, mãos e ombros. Tentará então matá-lo em um só golpe com sua própria espada. Pense!

(Há um grande silêncio e o Cadáver cai próximo a árvore).

Rei: (Preocupado). Cadáver? (O Cadáver não responde. Ele espera um tempo e se aproxima do corpo). Cadáver? Responda-me mais uma coisa, por favor. (Nenhuma resposta vem do corpo). Por que, ele quer fazer esse ritual? (Não há nenhuma resposta).

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