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Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 8 (parte 1)

            Já fazia algum tempo que Sabal Dyrr não se envolvia em um confronto físico. Ela se sente um pouco enferrujada, mas nada que a atrapalhe, afinal, em nenhum momento deixou de treinar as técnicas de combate que seu falecido mentor Mariv a ensinou.

            Sua morningstar atinge a cabeça de mais um orc, que cai com a fratura em seu crânio exposta e com seu corpo tremendo devido à eletricidade que o percorre. Esse é o segundo dos dois oponentes com os quais lutava. Ela dá mais uma olhada ao redor para ver como estão seus companheiros. Todos estão lutando o máximo que conseguem, mas para alguns isso não é suficiente. Dois dos três goblins já estão mortos enquanto Reshna e Mirka são as únicas kobolds vivas. Gromsh está lutando habilmente com seu halbert, já Stongest só é visto no momento exato em que um orc cai morto com um grande ferimento aberto pelo machado do meio-goblin.

            Faz pouquíssimo tempo que eles chegaram na passagem descoberta por Quiri. Após Mirka ter relido seu grimório e descansado o suficiente, eles partiram da barraca do culto e adentraram a viela dos orcs. Lá encontram várias barracas destruídas e algumas patrulhas drows montadas em seus lagartos. Não houve grandes dificuldades de passarem por eles e tomarem o rumo para a entrada da caverna que os orcs aparentemente estavam utilizando para fugirem. Mirka utilizou algumas de suas magias para distrair e atrapalhar a percepção dos patrulheiros, enquanto eles, o mais furtivamente possível, continuavam seu caminho.

            Ao chegarem próximos às barracas que continuavam inteiras eles viram o corpo decapitado de uma humana gorda e extremamente suja. Olhando de relance, eles não souberam dizer se os orcs haviam feito aquilo, mas quando Stongest olhou mais detalhadamente ele percebeu que o corte era preciso e que a perfuração no peito da humana havia atingido magistralmente o coração.

            Com certeza não foram orcs, constataram eles. Havia algo acontecendo naquele local e isso poderia atrapalhar tudo. Sem perder tempo eles ultrapassaram algumas barracas e adentraram em um grande lixão de um aparente beco. Com um pouco de trabalho eles abriram passagem entre os lixos e encontraram um buraco pequeno pelo qual poderiam entrar.

            – É essa a passagem. – disse Stongest sussurrando – Ela é pequena pa’a que d’ows, due’ga’s, gnolls, até mesmo o’cs tenham que abaixa’ pa’a ent’a’. Assim os gua’das podem decapita’ o int’uso antes de qualque’ reação.

            Mesmo que esse fosse o intento do tamanho da passagem, havia uma vantagem para o grupo de Sabal: apenas ela e Gromsh eram grandes os suficientes para terem que abaixar. Sem perder tempo Stongest simplesmente sumiu da vista de todos e adentrou o local. Logo que isso ocorreu, Mirka utilizou magias de invisibilidade para tornar o resto do grupo invisível. Gromsh preferiu que ela não utilizasse nele, pois iria usar o anel para se camuflar e sua furtividade para se tornar virtualmente invisível. Mirka trocou olhares com Sabal e essa permitiu que assim fosse.

            Estava tudo perfeito. Eles adentraram o local e passaram os dois guardas; realmente, a estratégia que Stognest havia dito que era usada era verdadeira. A caverna em si era um túnel largo e alto. Sabal por não conhecer muito de formações rochosas, não sabia dizer se aquilo era natural, mas Stongest com certeza saberia. Após caminharem por um pequeno tempo no túnel eles viram uma reunião de orcs. Haviam pelo menos oito supostos guerreiros e três supostos magos.

            A situação se tornou ainda mais delicada. Se algo desse errado, eles teriam grandes problemas. Quando o grupo dos pequenos – os que tinham mais chances de estragarem segundo Sabal – passou pelos orcs, Sabal sorriu vitoriosa, quando de repente, para total decepção da clériga, Gromsh acabou tropeçando e chamando a atenção dos magos.

            A reação foi óbvia: um dos magos conjurou uma magia para revelar seres invisíveis. Percebendo que a entrada furtiva já havia falhado, Sabal atacou um dos guerreiros próximos, tendo em mente que Stongest e Mirka dariam cabo dos magos. Ela não se decepcionou dessa vez, Stongest atacou rápida e mortalmente um mago que estava preparando uma magia, enquanto Mirka atingiu seus mísseis mágicos naquele que havia feito a magia para revelar o invisível. Inspirados no guardião e na kobold maga, os outros pequenos atacaram todos ao mesmo tempo o mago que faltava, não dando chances de reação.

            A luta começou. Enquanto Sabal enfrentava dois guerreiros, Stongest eliminava facilmente o mago que Mirka havia atingido com seus misseis mágicos. Enquanto isso dois guerreiros enfrentavam os cinco pequenos e Mirka. Sabal não conseguia ver a situação de Gromsh, mas pela rápida reação de Stongest indo em direção de onde o gnoll se encontrava, algo nada bom estava ocorrendo.

            O foco de sua atenção passou a ser os dois guerreiros que ela estava enfrentando e apenas depois de matar o segundo que a clériga conseguiu olhar a batalha ao seu redor.

            – Mirka! Reshna! Fiquem perto de mim! – grita Sabal às duas kobolds.

            Reshna atinge mais uma flecha de sua besta no peito do único orc que sobreviveu aos seis pequenos e pede para Mirka ir para junto da clériga antes dela. Mirka fica indecisa, mas entende que Reshna seria mais hábil em atrapalhar a atenção do orc do que ela; talvez suas magias fossem mais úteis mais a frente.

            Sabal caminha para ficar um pouco mais perto das duas, mas logo se vira para enfrentar mais um orc. Pelo que havia reparado o orc que a está atacando é um dos guardas que veio em auxílio do grupo. O primeiro golpe é feito pelo orc, mas Sabal consegue defender habilmente com seu escudo. Logo o orc desfere um segundo golpe em sua direção, mais um bloqueio bem sucedido é feito, porém dessa vez ela encosta o escudo em seu corpo e utiliza a posição para dar um encontrão no orc, que perde o equilíbrio e cai no chão. Em suas costas Sabal escuta Mirka recitando algumas palavras arcanas enquanto Reshna grita. A clériga sente um estranho aperto em seu coração ao escutar o grito da kobold, mas ignora e prossegue em sua luta.

            Quando o orc está para se levantar Sabal o atinge com sua morningstar no seu ombro. O orc se contorce de dor ao sentir seu ombro se dilacerando e a eletricidade fluindo por seus músculos. Sem perder tempo a clériga esfacela o rosto do orc com um golpe extremamente brutal e logo se vira para ver o orc que havia matado Reshna.

            A clériga sente Mirka tocar em sua perna. Ela havia matado o orc que matou sua irmã de raça com alguma magia, mas outro orc já estava vindo na direção das duas. Sabal se posicionou para proteger a kobold, mas foi desnecessário, pois Stongest surgiu pelas costas do adversário e o atingiu mortalmente com seus dois machados na região dos rins.

            “Estávamos sendo vigiados”, rosna Stongest para Sabal enquanto essa observa para ver se mais algum orc estava vivo.

            “Estávamos? Já foi embora?”, pergunta a clériga na mesma linguagem, fazendo sinal a Gromsh para que esse se aproximasse dela.

            “Sim”, responde com um rosnado breve o meio-goblin enquanto a clériga saca sua varinha de cura para utilizar no gnoll que está com um grande ferimento causado por um dos machados dos orcs.

            “Então não podemos perder mais tempo. Precisamos ir”, rosna a clériga logo após ter dito as palavras de ativação da varinha e tocado o gnoll.

            – Brigado, Senhora. – agradece Gromsh.

            “Não sem antes fazer um pequeno ritual de homenagem aos nossos irmãos mortos”, retruca Stongest em rosnados, pegando os corpos dos cultistas de Lolth mortos e enfileirando-os.

            Sabal pensa em retrucar sobre a inutilidade daquele ato, mas percebe que não seria muito inteligente de sua parte, já que Gromsh e Mirka estão próximos.

            – Não se preocupe Stongest, eu farei um ritual em homenagem a eles. Enquanto isso você poderia acompanhar Gromsh mais a frente, para ver o que nos espera. – diz em tom baixo a clériga, enquanto retira seu punhal de aranha da sua piwafwi.

            Stongest e Gromsh partem, enquanto Mirka e Sabal fazem as orações e o ritual de arrancar o coração de seus irmãos e despejar o sangue no ídolo de Lolth, que está na bagagem da clériga.

            Após o termino do ritual Stongest e Gromsh retornam:

            – Sabal e Mi’ka, venham com nós. Encont’amos algo. – diz o guardião.

            – Antes vamos dar uma olhada no que esses orcs possuem e vamos dividir os alimentos que nossos irmãos carregavam. – responde Sabal enquanto Stongest faz um aceno positivo com a cabeça.

            Os alimentos são divididos enquanto Gromsh fiscaliza os orcs mortos.

            – Encontrei uns amuletos aqui. – diz Gromsh rindo – Será que são mágicos Mirka?

            Mirka recita algumas poucas palavras mágicas enquanto gesticula com suas pequenas mãos. Ela olha para os amuletos que o gnoll está segurando e depois de uma tempo diz:

            – São sim. Guarde eles, Gromsh.

            Após a divisão de alimentos e a coleta de amuletos, eles caminham mais a diante no túnel, onde uma oração em abissal está escrita na parede.

            – Palavras de poder. – diz a clériga.

            Mirka utiliza mais uma vez sua magia para detectar aura mágica e diz logo em seguida:

            – Runas mágicas. Parece que é uma armadilha.

            – Que pode estar tendo seu poder ampliado pelas oração a um demônio chamado Shormongur. – complementa a clériga.

            Stongest apenas observa o túnel mais adiante enquanto as duas conversam.

            – Você conseguiria desativá-las Mirka? – pergunta a clériga.

            – Consigo, mas não sei se é a melhor opção, Senhora. Afinal eu posso acabar ficando sem magias quando for realmente necessário. – responde a kobold humildemente.

            – Tem alguma outra idéia? – pergunta Sabal.

            – Quero analisar os amuletos antes, se a Senhora permitir. – responde a pequena kobold recebendo um aceno positivo com a cabeça por parte da clériga.

            – Deixem que eu cuido das a’madilhas físicas. – diz Stongest pegando as duas de surpresa.

            – Como? – pergunta Sabal sem entender direito.

            – Há a’madilhas físicas também além das mágicas. Deixem que eu desa’mo elas. – responde o meio-goblin como se dissesse o óbvio.

            – Que merda. Tô me sentindo tão inútil. – comenta Gromsh sentando no chão e encostando-se ao muro cabisbaixo.

            Mirka ri, enquanto Sabal apenas sorri e Stongest continua observando a passagem em busca de mais armadilhas.

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Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 7 (Parte 4)

Aquilo parece um formigueiro. Gnolls, hobgoblins, goblins, kobolds, um ou dois trolls que se destacam na multidão, todos se digladiando mutuamente enquanto Stongest e Gromsh assistem à distância.

Não demora muito para as patrulhas drows que se encontram no Braeryn chegarem até lá e perceberem que aquilo não era nada além de uma “briga de bar”. Não foi difícil para Gromsh causar uma confusão no Braeryn. Os nervos dos moradores do bairro ainda estão a flor da pele. Além do mais, nada como esbarrar, xingar e empurrar as pessoas certas. Confrontos entre raças diferentes sempre resultam em uma explosão frenética de fúria, principalmente quando essas raças são pré-dispostas a participar de uma luta.

Ao leste Stongest escuta o som de pedras sendo destruídas e fica contente ao ver que as patrulhas não perceberam, ou não deram importância, àquele som. Após a insurreição a população de escravos em Menzoberranzan diminuiu um tanto e como o cerco dos duergars parece estar apertando, não é hora de deixá-los se matarem em brigas de ruas estúpidas.

– Vamos embo’a G’omsh. Acho que eles já esta’ão ocupados po’ um bom tempo. – diz Stongest ao seu irmão de culto.

– Tá certo. Vambora discançá que vai demorá umas horas pra eles se preocuparem com o bairro dos orcs, né? – comenta Gromsh recebendo apenas um aceno de cabeça positivo do meio-goblin.

Deixando a balburdia para trás, ambos partem para se encontrarem com os companheiros de culto.

Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 2 (Parte 5)

Um grande gnoll caminha até outros de sua raça que o encaram como algo extremamente indesejável.

– O que faz aqui traidô! – um dos mais exaltados pergunta apontando um machado de mão para o visitante.

– Infelizmente ceis sabem dimais. Vim dá a última chance do ceis se juntar a minha deusa.

Alguns gnolls gargalham enquanto outros urram feitos animais selvagens. O grande gnoll apenas os observa com seu halbert preparado.

– Nunca! O que você pretende fazer em relação a isso, chupador de aranhas? – responde o gnoll exaltado, indo em sua direção com a machadinha levantada.

O grande gnoll o encara e caminha em sua direção, quando o seu oponente desfere o golpe com a machadinha ele bloqueia com o cabo do halbert, gira seu corpo desarmando o gnoll atacante e finaliza o giro cravando a ponta do halbert no peito de seu adversário.

Sangue jorra pela boca o gnoll ferido que sente quando Gromsh retira o halbert de seu peito. Os outros gnolls que observam se enchem de fúria e atacam Gromsh. O grande gnoll dá alguns passos para trás, pois sabe que não seria capaz de vencê-los sozinho.

Mas ele não está sozinho.

Atrás da pequena turba ouve-se um grito e dois gnolls caem ao chão. Para surpresa dos atacantes eles vêem um goblin robusto de orelhas compridas e feições finas que, com dois machados em punhos, derrubou os gnolls que se encontravam na retaguarda do grupo.

Alguns partem para atacar o goblin, outros se viram novamente para Gromsh, que não perde tempo e os ataca. O massacre é inevitável. Gromsh sofre alguns ferimentos, mas não para em nenhum instante de atacar seus adversários. Stongest, por ser o veterano do grupo, não sofre nenhum ferimento e mata seis gnolls sem muitos esforços.

Percebendo a desvantagem na qual se encontram, alguns que restam do grupo de gnolls tentam fugir. Dois conseguem chegar até a porta, mas são paralisados por um globo de luz azul. Stongest se aproxima do gnoll.

– Tente entendê’. Não é nada pessoal, mas você não pode vivê’ sabendo o que você sabe. – diz o goblin bem próximo do gnoll, o atingindo com seu machado em um ponto vital.

O gnoll tenta urrar, mas não consegue. Percebendo que não foi suficiente seu golpe, Stongest apenas fala ao ar:

– Mirka, finaliza esse.

De um dos becos do Braeryn surgem dois mísseis mágicos que atingem o gnoll na cabeça, que é torrada pela energia mágica. O gnoll cai morto no chão.

– P’onto. Tá feito. Tome mais cuidado da p’óxima vez G’omsh. Isso tudo pode chamá’ atenção pa’a nós. – diz o goblin em tom severo ao grande gnoll que está estancando alguns ferimentos com pedaços de trapos retirados das vestimentas dos adversários mortos.

– Não se preocupe. Não deixarei escapar novamente. – responde Gromsh abaixando a cabeça em sinal de vergonha.

– Então vamos embo’a. Mi’ka, pode volta’ a se’ visível. – do beco de onde saíram os mísseis mágicos aparece uma pequena kobold que caminha em direção aos seus companheiros e apenas diz:

– Por Lolth.

– É Mirka. Por Lolth. – concorda Gromsh.

O grupo caminha até próximo ao templo, onde se dispersam deixando Stongest sozinho. Cada um deles ainda vive com suas determinadas raças no Braeryn, pois assim chamam menos atenção ao seu culto secreto. Stongest sempre foi sozinho, então não surpreende ninguém que ele proteja a velha drow Vishnara. E quanto a Lolth, ninguém sabe que ela vive por ali, a não ser seus seguidores e alguns dos que morreram por suas mãos.

– Stongest. Aconteceu. Precisamos nos livrar do corpo. – diz uma voz feminina extremamente familiar para o meio-goblin-meio-algo.

– Não se p’eocupe Lolth. Não se’á difícil sumi’mos com o co’po de sua mãe. – algo próximo a um sorriso esboça-se em seu rosto – Ótimo que ela tenha mo’ído po’ suas mãos.

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