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Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 10 (parte 4)

         – Os robgoblins tão tendo mais importância que nóis, nesse exército. – comenta um orc ao seu comandante.

            – Isso porque não há tantos pretensos traidores entre eles. – responde secamente Lurk Vento Cortante ao seu insubordinado.

            Shakar respira fundo para conter a raiva antes de falar novamente.

            – Senhor, muitos tão discontentes em seguir o meio-demônio. Ele quer nos afastar dos nossos cotumes para nóis seguir o demônio! – a irritação está evidentemente presente na voz do guerreiro.

            – Ele nos libertou da escravidão, agora quer nos libertar de nossas antigas correntes. – responde Lurk encarando o seu subordinado, deixando claro em seu linguajar sua superioridade – Vocês estão apenas demonstrando ingratidão a Zaknafein.

            – Num quero essa liberdade. Quero louvar os deuses de nosso panteão e não um demônio que a maioria de nóis nem mesmo conhecem! – Shakar aumenta a voz para seu superior, quase como um desafio jogado ao ar.

            Lurk se aproxima do guerreiro o encarando de cima para baixo; Vento Cortante é pelo menos dez centímetros mais alto que Shakar.

            – Você age como se Moror estivesse vivo. Não seja tolo! Vamos lutar por Shormongur, pois esse é o caminho para o poder que tornará nosso povo temído e respeitado por todos aqui no Underdark e na superfície de Faerun! – responde duramente o líder orc.

            – Tolo é ocê, de seguir aquele lobo do inferno! – responde Shakar – Se tô traindo ele, você tá traindo toda sua raça.

            – Se é nisso que você acredita, terá o mesmo fim que Moror. – setencia Lurk com um olhar gélido em seu rosto cada vez mais sujo.

            – Que cê vai fazê? Me intregar ao seu dono? – debocha Shakar virando as costas ao seu superior com um sorriso no rosto.

            Com um reflexo extremamente rápido, Lurk saca sua espada e Shakar sente apenas um vento antes de perder a consciência e ter sua cabeça decepada do pescoço.

            – Não. Você não merece morrer pelas mãos do filho do grande Shormongur. – diz Lurk enquanto limpa a lâmina de sua espada, pensando em alguma forma de trazer a compreensão na mente de seus irmãos – E que os robgoblins se preparem – conclui ele lembrando do comentário de seu falecido soldado.

Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 9 (Parte 5)

            O cheiro de fezes e corpos em putrefação agrada a narina do humano Malazir Penaril, principalmente quando esses apreciados odores se misturam com o cheiro de sangue fresco de um recém sacrifício ao seu senhor demoníaco: Shormongur. Ele olha para seu companheiro e irmão de fé, Folkyr, um orog que seria muito belo, se não fossem os escrementos e sebos que encobrem grande parte de seu corpo.

            – Há muito que espero vocês me chamarem. – uma voz cavernosa ressoa por detrás de seus ombros, fazendo com que ambos se virem dando as costas ao altar de sacrifício – O que causou tanta demora?

            – Meu Senhor. Mestre da Degradação, da Destruição, da Corrupção e do Fogo que a tudo consome, nos perdoe pela demora, porém as preparações para o ritual está ocupando muito de nosso tempo. – responde Folkyr ajoelhado aos pés de seu mestre glabrezu, enquanto Malazir complementa.

            – Isso é verdade Grande Senhor. O Grande Ancião está ausente e, em sua ausência, eu e Folkyr somos os dois conjuradores mais competentes. Somos nós que devemos guiar os procedimentos e os preparatórios para o imenso ritual.

            O glabrezu esboça um sorriso no rosto.

            – Provavelmente a serpente está aumentando sua rede de intrigas e colaboradores. – comenta o demônio com contentamento em sua voz – E o meu filho?

            Malazir e Folkyr se olham antes de responder ao seu mestre. O local do altar, onde estão conversando com Shormongur, é uma caverna próxima a Menzoberranzan. O altar foi criado por Zaknafein – o filho de Shormongur – e seus servos orcs com toda a fé que esse possui em seu pai.

            – Tememos que ele possa estragar tudo, Senhor. Até o momento ele está sendo extremamente útil, entretanto, seu filho, sente a liderança do Grande Ancião como uma afronta ao Senhor. – responde Malazyr.

            O glabrezu gargalha.

            – Meu filho me surpreende com a fé que deposita em mim. Porém não permitam que estrague nosso plano. – ordena Shormongur com rispidez, antes mesmo que o eco de sua gargalhada deixasse o ambiente.

            – Não permitiremos, Senhor. – responde ambos conjuradores em uníssono.

            – Não importa o quanto não confiamos na serpente, não podemos de forma alguma encará-lo apenas como um empecilho. – diz o demônio seriamente aos seus seguidores – Não podemos subestimá-lo como um tolo que não sabe a amplitude do que está fazendo. Ele está a mais de um século criando as passagens necessárias para os principais pontos do grande ritual. Seja quais forem seus objetivos, não podemos perder a oportunidade de participar.

            Ambos os fieis concordam com um asceno de cabeça.

            – Se temos até mesmo companheiros de outros planos participando desse imenso ritual, por que nós, não iríamos concordar com o Grande Ancião? – Shormongur sorri e gargalha – Não importa a intenção da serpente, o Abismo abrirá suas portas e aqueles que estiverem preparados reinarão soberanos em todos os planos. A serpente que aguarde.

Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 8 (parte 2)

            Após cinco explosões mágicas que se alternavam entre cortinas de fogo e tapetes de corrente elétrica, Brum começa a ser ferido pelas armadilhas. Alak Sel’Xarann, após muito dialogar com a clériga Xorlarrin, consegue que eles dêem uma pausa na investida sem planejamento que estavam fazendo. Era claro para ele que a clériga queria que Brum morresse no processo e que ela estava completamente decepcionada com o fato dele ser tão resistente e de sua assassina mirim não ter conseguido ser furtiva o suficiente.

            Depois de ter ultrapassado duas vezes a primeira armadilha, eles decidiram que Brum deveria quebrar o trecho da parede onde as runas estavam desenhadas. Isso provavelmente ativaria a armadilha com força total, mas – fora Alak – ninguém se importava.

            Logo que as primeiras runas foram destruídas, a pequena ladina foi colocada na frente para procurar armadilhas físicas que pudessem estar no local. Assim que essas eram encontradas, ela logo se prontificava em desarmá-las. Observando a relação da clériga e da pequena drow, Alak percebeu que a nobre era “dona” da ladina, pois essa não parecia pertencer a Casa Xorlarrin. Ela teve sua língua amputada, “talvez por falar demais, algo comum entre mercenário ou ladrões pertencentes a alguma guilda”, refletia Alak.

            Como um animalzinho de estimação da clériga Xorlarrin, a pequena drow obedecia todas as ordens e se arriscava o quanto fosse necessário para deixar sua dona feliz. Felizmente para ela, a Xorlarrin não a havia colocado em risco como fez com Brum.

            Cada armadilha mágica que Brum destruía, todos os outros se afastavam para não sofrerem com a explosão. A mediada que iam adentrando mais e mais o túnel as armadilhas ficavam cada vez piores e mais poderosas. O mago Teken’Th’Tlar havia observado de antemão que possivelmente o poder das runas seriam crescente.

            – Acredito que a cada passo que dermos mais adentro da “morada” do demônio, mais poderosas serão as defesas. – disse ele logo após a terceira armadilha.

            Brum resistiu sem nenhum arranhão até a quarta armadilha. Na quinta, não foi possível e Alak decidiu intervir por seu colega mercenário.

            – Sacrificá-lo nessa altura da missão é loucura. Não sabemos o que encontraremos mais à frente. – dizia Alak para o guerreiro Xorlarrin em baixo-drow.

            – Não adianta mercenário, ela não vai mudar de idéia. – respondia ele.

            Não satisfeito com as respostas negativas do guerreiro, Alak foi ter uma conversa com a própria clériga.

            – Você quer mesmo que ele morra agora? – perguntou o eremita à Xorlarrin.

            – Não necessariamente, mas se ocorrer: ótimo. – respondeu ela secamente.

            – E você sabe o que encontraremos por lá? Você conhece o demônio que possivelmente nós encontraremos? – retrucou Alak em tom de desafio.

            – Isso não é da sua conta mercenário. – respondeu a clériga com raiva em sua voz.

            – É da minha conta a partir do momento que fui contratado para protegê-la. Brum é um dos únicos nesse grupo que poderia parar um demônio tempo suficiente para que conseguíssemos sobreviver. – disse Alak como quem diz uma verdade incontestável.

            – Você conhece bem a capacidade de todos no nosso grupo, hein? – respondeu ironicamente a clériga.

            – Não. Não conheço o suficiente, apenas sei que você não tem suas mágias no momento e que a única fonte de magia que possui é uma varinha de cura. Suas armas mágicas serão inúteis em uma luta contra alguém mais hábil que você. – a clériga virou-se em direção a Alak com a fúria fervendo em seu rosto, mas o mercenário prosseguiu – Talvez seu assassino que faz pose de guerreiro pudesse lhe ajudar, mas acredito que o que você sente por ele não é necessariamente confiança. Já sua pequena ladina de estimação não seria capaz nem de causar transtorno a um demônio ou aos servos do mesmo.

            A clériga encarou o mercenário por um tempo, com a respiração ofegante de raiva.

            – Com quem você irá contar, Senhora? – finalizou Alak sem deixar de olhá-la nos olhos.

            Ela gritou em alto-drow – palavras que para o mercenário soaram desconexas -, chamando a atenção de todos do grupo.

            – Senhora, eu não entendo alto-drow. Por favor, fale em baixo-drow. – interpôs Alak.

            Ela respirou fundo e retomou um tom de diálogo, porém sem deixar a raiva de lado:

            – Eu tenho um mago e um ótimo guerreiro ao meu lado. – respondeu a Xorlarrin.

            Alak olhou para o mago que estava próximo a parede analisando as runas e voltou-se para a clériga novamente.

            – Eu acredito que seu assassino seja um ótimo guerreiro, mas o mago é ignorável. – disse ele – Além disso, ele não seria capaz nem de manchar a pele de meu companheiro ogro.

            A Xorlarrin o olhou com um ódio mortal palpitando em todos os seus músculos como se ela fosse um coração.

            – Certo. Pensem em algo, mas saiba que quando terminarmos essa missão irei fazer de tudo para que você morra como um herege, macho. – sentenciou a clériga ao mercenário.

            – Sim, minha Senhora. – respondeu Alak voltando-se rapidamente ao seu companheiro em subterrâneo comum e puxando conversa com a ladina e com o mago.

            Os quatro conversaram a respeito do que fazer em seguida. Alak sabia que atrás deles a clériga e o guerreiro planejavam sua morte, mas ele mantinha sua mente tranqüila, pois enquanto Brum estivesse vivo, ninguém tentaria contra sua vida.

            Em relação às armadilhas, muitas idéias surgiram, mas todas tinham alguma falha. Por fim, eles optaram por aceitar um plano bizarro do mago.

            – Talvez não seja necessário destruir a runa para “desativá-la”, talvez apenas um risco bem feito possa inutilizá-la. – diz ele.

            A pequena ladina comenta, de forma discreta, algo ao Teken’Th’Tlar na linguagem de sinais drow, que Alak não entende.

            – O que você propõe então mago? – pergunta Brum.

            – Vi que você arremessa bem suas facas Alak. – responde Sol’al como se o eremita que tivesse perguntado – Você conseguiria acertar aquela runa lá atrás?

            Alak observa a runa que Sol’al havia apontado a vinte metros de distância e responde:

            – Com certeza.

            O mago explica a todos que aquilo pode dar uma reação em cadeia e todos, menos os dois mercenários, se afastam até próximo da entrada. No momento combinado Alak arremessa dois de seus punhais, um em cada mão, e atinge de forma perfeita as duas runas que formam a armadilha a vinte metros. Logo após ter disparado, Brum o cobre como uma barraca. Fogo e eletricidade os atingiram com força total, Alak acreditou que Brum não sobreviveria. Cada armadilha que ultrapassada pela cortina destrutiva de magia se acionava e somava-se à primeira.

            Após tudo aquilo parar e as magias se desfazerem, Brum se levanta e diz a Alak:

            – Tivemos sorte dessa vez, hein? Se esses loucos continuarem agindo dessa forma morreremos antes deles.

            – Eu sei Brum. – responde Alak com uma certa tristeza na voz.

            O eremita sabe que aquilo é verdade e não gosta da idéia de morrer de forma tão estúpida. Por isso ele tem que pensar rápido e logo algo que parecia uma estratégia palpável veio em sua mente.

            Aproximando-se do grupo ele se dirige a clériga:

            – Senhora, acredito que eu poderia procurar alguma outra passagem enquanto o mago estuda formas de desarmar essas armadilhas sem por em risco o grupo. – diz Alak.

            – E você acha que haverá outra passagem? – pergunta a clériga descrente.

            – Não sei, mas sei que fui treinado nas áreas selvagens do Underdark e se houver outra passagem, sou aquele que pode achá-la. – responde Alak com convicção.

            O guerreiro sorri aprovando a atitude orgulhosa do mercenário, enquanto a clériga apenas o encara:

            – Mago, consiga uma maneira de anular essas armadilhas. Mercenário pode ir atrás da outra passagem, mas antes diga ao seu amigo que fique longe do grupo, para que possamos descansar sem a presença de um inferior contaminando nosso ar. – ordena a clériga.

            Alak faz uma breve reverência e vai conversar com Brumm, que o recebe com as frases já conhecidas: “Ela disse a palavra, não é?” e “Sim, senhor meu mestre”.

            O eremita parte em busca de uma outra passagem no Braeryn ou próxima a ele. De início a busca é nos arredores, pois ele acredita que os orcs não são estúpidos de prepararem duas passagens uma próxima a outra. Porém, para sua surpresa, a outra passagem se encontra à mais ou menos vinte e cinco metros da passagem na qual eles entraram, mas, pelo menos, não é tão óbvia.

            A passagem é pequena e estreita, principalmente para ele, um drow de um metro e noventa de altura. Cuidadosamente o eremita adentra a passagem e não encontra guardas onde acreditava que haveria. Entretanto escuta uma batalha ocorrendo mais a frente do túnel. Era um túnel bem semelhante ao que eles estavam: artificial e com muitas protuberâncias rochosas. A pequena familiaridade facilita para que ele se esconda e assista a luta que ocorre no local. A clériga que ele havia visto conversando com aquilo que parecia um goblin no Bazaar, está lutando habilmente contra dois orcs, ao lado de um gnoll e alguns kobolds e goblins.

            A batalha é ferrenha. Os orcs urram seus gritos de guerra, enquanto os companheiros da clériga gritam: “Por Lolth!”. Alak sorri por ter encontrado o culto, mas o fato deles estarem combatendo os orcs, deixa tudo ainda mais estranho.

            O eremita fica algum tempo observando e refletindo sobre o que via, quando percebe que dois orcs caem sem sinal de ter sido atingidos pelo gnoll, mas com cortes profundos no corpo. Ao prestar atenção ele vê o meio-goblin-meio-algo furtivo e camuflado como um camaleão, andando livremente no campo de batalha e escolhendo a dedo sua vítima e a hora certa de atingi-la.

            Alak sente uma preocupação surgir em sua mente quando o pequeno goblin-coisa olha de canto de olho em sua direção. “Ele sabe que estou aqui”, conclui o eremita partindo o mais rápido possível.

            Não demora muito para que ele chegue ao seu grupo novamente. Pelo que parece, Brum está dormindo mais a frente enquanto o mago estuda seu grimório, enquanto a clériga e o assassino estão em Reverie. A ladina apenas observa a todos; é ela quem está de vigia.

            Alak se senta perto de uma parede, esperando o momento oportuno para se dirigir a clériga ou ao guerreiro. O tempo se passa e o mago também entra em Reverie. Alak diz para a ladina dormir que ele fica na vigília. Ela recusa e ele apenas sorri dizendo:

            – Me chame quando for a minha vez. – se posiciona comodamente e entra em Reverie.

Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 7 (Parte 5)

            “Oh poderoso Shormongur! Mestre da destruição, corrupção e degradação. Que esse lugar se torne uma extensão de seu lar e que seus inimigos não sejam capazes de adentrá-lo. Que seu poder os destrua!”.

            É a terceira vez que Sol’al Teken’Th’Tlar lê aquela oração que está escrita na parede do imenso túnel onde seu grupo adentrou, logo após encontrar uma passagem no chão da barraca que Brum derrubou a porta. A oração está escrita em abissal e não em goblinóide, ou linguagem orc, o que lhe faz ter cada vez mais certeza que deve ter algum encantamento naquilo. Ele aproxima sua mão da escrita e a segue pela extensão horizontal do muro até chegar próximo a uma runa órquica, ou algo parecido. “Ah! Maldição!”, pragueja mentalmente o mago não conseguindo encontrar nenhum significado palpável para aquilo.

            O mago poderia muito bem utilizar uma magia para detectar as propriedades mágicas daquele local, mas ele não se deteve por muito tempo no estudo delas para essa missão. Achou que apenas precisaria verificar se aqueles que iriam acompanhá-lo e os escravos cultistas de Lolth carregavam algum equipamento mágico. Logo na viagem ao Braeryn ele conseguiu ver a aura mágica de alguns equipamentos de seus aliados – com exceção de Brum – e a intensidade deles, porém o cansaço mental já está exaurindo essa magia de sua mente. Ele sabe que só conseguirá utilizá-la mais uma vez. “Será que esse é o momento?”, se pergunta Sol’al, “Essa missão está obscura demais”.

            – Então mago? Descobriu alguma coisa? – pergunta a Xorlarrin.

            – Isso é uma oração a um tal de Shormongur, minha Senhora. Aparentemente um demônio. – responde o mago incerto.

            – Isso eu sei, imbecil. Você descobriu algo útil? – intima a clériga com um olhar severo ao mago.

            – Há… Há u-uma runa no final da oração, minha Senhora. É uma runa órquica, t-talvez seja algum símbolo de proteção mágico. – responde o mago gaguejando.

            – Talvez!? Você está ai já a bastante tempo olhando para esse muro, mago estúpido! Quero saber o que isso exatamente é, me entendeu!? – ordena a clériga Xorlarrin com fúria em sua voz.

            – Sim, Senhora. – responde o mago com a cabeça baixa.

            “Sol’al, acho que você está começando a exagerar na encenação. Isso pode acabar denegrindo a imagem da sua Casa”, se censura mentalmente enquanto volta a observar os escritos. Olhando com mais atenção, Sol’al percebe um pequeno símbolo embaixo do nome Shormongur, “Parece o símbolo sintético do nome do demônio”, comenta consigo, “É o mesmo símbolo do amuleto da humana que matamos fora da barraca”.

            Qualquer mago, principalmente aqueles treinados no Sorcere, sabem que ter o simbolo do nome de um demônio é importante para conseguir tratar com seu dono. Nome é poder, o símbolo não só representa o nome, mas o posto hierárquico, função e influências do demônio em questão. “Já é um grande passo”, diz a si Sol’al mesmo enquanto prossegue com suas reflexões, “Analisarei o símbolo mais tarde”.

            Ele se aproxima da runa orquica e tenta reconhecer os padrões arcanos envolvidos naquilo. Não lhe parece um símbolo divino ou de magia natural, porém a cultura orc nunca foi o forte de Sol’al. Ele observa atentamente e recorda a oração mentalmente enquanto observa de forma fixa a runa. “Palavras de poder”, um insight vem em sua mente fazendo com que ele olhe para o muro do outro lado. Para sua surpresa, sua intuição o guiou corretamente, pois, na outra parede há uma runa idêntica àquela que ele está estudando. “Mesma altura, mesma largura, mesmo desenho. Forma uma espécie de linha horizontal no ar”, pensa enquanto analisa as estruturas da runa que está mais próxima. “Não. Ela parece ocupar mais o espaço. Não uma simples linha horizontal mas…”, tudo parece fazer sentido em sua mente. As runas são desenhadas rudicamente mas suas extremidades se tornam delicadas semelhantes a raízes de árvores que Sol’al já havia visto no subterrâneo próximo a superfície: grossas e rudes quanto mais próximas do tronco e finas e delicadas quanto mais distante dele.

            – Senhora, acho que descobri algo. – diz o mago humildemente, mas sem conseguir esconder seu contentamento.

            – Acha? – pergunta a clériga secamente.

            – Não Senhora, tenho certeza. – responde Sol’al olhando para o pé da Xorlarrin – Essas runas orquicas são armadilhas mágicas. Acredito que elas formem uma espécie de barreira invisível que se passarmos acionará algum efeito, provavelmente destrutível.

            A clériga o encara demonstrando uma certa incredulidade.

            – Ainda não sei o que seria a oração. Acho que pode ser palavras de poder para aumentar o efeito das magias rúnicas. – complementa Sol’al.

            – Sim, são palavras de poder. – comenta a clériga – Você consegue desativar essas runas?

            Sol’al coloca a mão no queixo pensativo, ele sabe que sem conhecer qual magia é conjurada através daquela runa seu trabalho seria bem mais difícil. Além do mais, seria complicado exaurir suas magias para cancelar armadilhas.

            – Acho que não, Senhora. – responde o mago com a cabeça baixa.

            – Inútil! – diz a clériga virando suas costas para ele e se dirigindo ao mercenário Alak – Mercenário, diga para seu companheiro que precisaremos que ele faça um pequeno serviço.

            Alak que se encontra próximo da entrada do túnel, junto a Brum e ao guerreiro Xorlarrin olha em direção a clériga. Sol’al sente uma pontada de ciúme, ao perceber que o mercenário insolente está se tornando mais útil para sua senhora.

            – Sim Senhora. O que você quer que ele faça? – pergunta Alak mantendo a conversa em baixo-drow.

            – Quero que ele ultrapasse aquele limite. – responde a clériga apontando em direção ao local onde as runas estão alinhadas.

            – Senhora, eu escutei a conversa entre você e o mago. Não acho válido sacrificar meu companheiro nesse ponto da missão e… – tenta argumentar o mercenário, mas logo é interrompido pela drow.

            – Eu dei uma ordem! Não pedi sua opinião!

            – Sim, Senhora. – responde Alak com a cabeça baixa voltando-se a Brum.

            Sol’al sorri ao ver a cena.

            – Senhora, há um pequeno símbolo embaixo do nome do demônio, provavelmente o símbolo de poder dele. – o mago puxa uma nova conversa tentando melhorar sua imagem.

            A Xorlarrin olha para Sol’al com uma sobrancelha erguida.

            – É o mesmo símbolo do amuleto da humana que encontramos lá em cima, fora da cabana. – complementa ele.

            – Àquela gorda da qual você ficou coletando sebo? – pergunta de forma extremamente irônica a clériga com um sorriso no rosto.

            Sol’al, simplesmente abaixa a cabeça e se afasta um pouco – ele sabe o quão vergonhoso pode ser alguns momentos de coleta de componentes materiais para suas magias -, enquanto o mercenário ogro se aproxima do local indicado.

            – Se afastem. – diz o mago em baixo-drow aos seus aliados.

            Todos se juntam próximos à entrada. Quando Brum para lá perto observado os dois lados do muro, Sol’al vê de canto de olho Alak sacar um de seus punhais e arremessar rapidamente em direção a clériga. O mago não consegue ser rápido o suficiente para parar o eremita, mas assim que escuta a clériga resmungando, percebe que o alvo do mercenário era outro.

            – Quem é ela? – pergunta Alak a clériga enquanto de trás dela uma pequena drow sai com seu braço machucado pela adaga.

            A clériga simplesmente olha a drow com desdém e dá um leve tapa na própria testa em sinal de decepção. O guerreiro Xorlarrin sorri e responde a Alak:

            – Suporte.

            Alak olha desconfiado para ele, mas ignora o fato e volta sua atenção a Brum. Sol’al acha tudo aquilo estranhamente ridículo. “Suporte?”, se pergunta Sol’al vendo que Alak faz um sinal para Brum, como se esfaqueasse o próprio peito, enquanto esse olha para trás esperando a ordem para ultrapassar a linha. Brum sorri.

            Sol’al compreende levemente a suspeita dos mercenários e olhando para a expressão da clériga e da pequena drow percebe que eles podem estar certos. “Uma pequena assassina. O ogro será sacrificado no instante que passar pela armadilha, faltaria apenas o outro mercenário. Ou não…”, esse pensamento preocupa o mago, que pensa em utilizar uma das magias de comunicação para falar com os superiores de sua Casa. “Está deixando o medo tomar conta?”, se pergunta Sol’al como uma forma de espantar o pensamento covarde.

            Nesse instante a clériga ordena para que Alak dê o sinal ao seu companheiro. Brum, com uma distância considerável do grupo, dá um passo à frente e ultrapassa a linha. Em um piscar de olhos uma grande explosão de fogo ocorre, mas essa não afeta de forma alguma a estrutura do túnel. Simplesmente espalha uma cortina de chamas em uma área de cinco metros tendo Brum como centro. Todos os drows fecham seus olhos graças a grande claridade gerada. Sol’al sorri, pois estava certa a sua teoria, além do insolente ter provavelmente morrido ou ficado altamente ferido no processo, já que ele é um ogro mago, e esses são sensíveis ao fogo.

            Aos poucos a visão volta ao normal e eles percebem que a claridade se desfez. Nada se incendiou. “Maldição”, pragueja o mago enquanto olha para a direção da armadilha. Para sua surpresa Brum está inteiro e sem nem uma única queimadura leve. Sol’al engole a seco e volta sua atenção para o resto do grupo. A clériga e o guerreiro estão com uma mistura de raiva e decepção em seus rostos, a nova drow está surpresa, enquanto Alak apenas sorri.

            – Por isso ele não usa equipamentos mágicos? – pergunta Sol’al ao eremita.

            – Sim. – responde Alak rindo – Brum nunca foi o forte da magia. Ou seria o contrário?

            Sol’al engole a seco e tenta ignorar o deboche de Alak.

Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 4 (Parte 5)

            – MOROR! – o grito sai como o urro de um animal enfurecido da garganta de uma criatura grande e negra, com uma volumosa juba branca e focinho semelhante ao de um lobo.

            Os orcs param de trabalhar em suas armas e barracas, e olham temerosos para o draegloth que está posicionado no topo de um barranco, olhando todos de cima para baixo. A cena faz alguns orcs lembrarem da imagem de um grande lobo se preparando para atacar um rebanho de indefesos animais. Eles tremem perante a majestade do filho de seu novo senhor.

            – CADÊ MOROR! – grita novamente o imenso draegloth.

            Os orcs se entreolham confusos. Moror era um antigo general orc que fora capturado pelos drows a muito tempo. Foi um dos principais servos de Zaknafein e de seu pai, mas em seu coração Gruumsh ainda morava. Alguns orcs sabiam disso e temiam que o meio-abissal tivesse descoberto algo.

            Fazia mais de um ano que os orcs haviam fugido aos poucos de Menzoberranzan, graças ao auxílio de Zaknafein e de seu pai demoníaco. Mas havia apenas algumas semanas, um pouco mais de um mês, que o draegloth tinha se juntado as fileiras orcs para liderá-los. Enquanto isso os orcs estavam se organizando de forma tribal através da liderança de Moror Mão de Machado e Lurk Vento Cortante. Ambos os comandantes tiveram maus momentos durante a administração da nova tribo. Moror insistia em continuar seu culto a Gruumsh enquanto Lurk tinha deixado suas antigas crenças para cultuar o demônio Shormongur.

            De dentro de uma tenda um forte orc, vestido com uma armadura pesada e cheio de cicatrizes no rosto e na cabeça descoberta, sai com um grande machado de batalha nas mãos.

            – Estou aqui demônio! – Zaknafein encara o orc e desce rapidamente o barranco com grande agilidade – Se você quer liderar meu povo ou escolher o comandante que o liderará, terá que me enfrentar e se mostrar digno.

            Desde que Zaknafein chegou ao acampamento, após o silêncio de Lolth ter começado, ele preferiu deixar que os orcs se liderassem, porém sempre seguindo suas ordens e de seu pai. Moror e Lurk demonstraram bastante eficácia nesse papel, porém Lurk, percebendo que não conseguiria convencer o ex-companheiro a deixar de cultuar seu antigo deus, comunicou-se com Zaknafein, que não perde tempo para ir tirar satisfações com o traidor.

            O draegloth atravessa agilmente as cabanas e as poucas tochas mágicas que iluminam o acampamento e se aproxima do orc, que com reflexos rápidos consegue bloquear uma garrada com o cabo de seu machado, logo se recuperando do impacto e desferindo um golpe contra o meio-abissal. Zaknafein se esquiva e segura o cabo do machado com uma de suas mãos dos braços maiores, puxando o orc para perto com tamanha força que esse perde o equilíbrio.

            Uma mordida certeira é desferida, arrancando a orelha e rasgando parte do rosto do guerreiro orc, que não cai e nem desiste de lutar. Levantando-se Moror dá um jogo de corpo em Zaknafein a fim de puxar seu machado novamente para perto do seu corpo e desferir um golpe que atingiria certeiro o pescoço do draegloth, se esse não fosse mais rápido. Com um passo para trás e uma inclinada em sua coluna, Zaknafein se esquiva do golpe e aproveita o movimento do machado para desferir uma garrada no braço direito do orc.

            Moror sente o tranco e cai de joelhos. O draegloth percebe o que o ex-general orc planeja e se aproxima devagar, como se estivesse subestimando-o, exatamente a ação que Moror imaginava que seria feita. O orc puxa seu machado que estava no chão e gira seu corpo visando atingir o tronco do draegloth, que por esperar aquilo simplesmente salta com tamanha força e velocidade que o machado nada atinge. Moror desloca a bacia com seu próprio movimento. Ao cair no chão não há nem tempo para ele sentir dor, pois as garras do draegloth o atingem pelas costas. Zaknafein, perfurando a armadura e o corpo caído de seu adversário segura sua coluna e a arranca, retirando com ela a cabeça do seu oponente. Ele a gira no ar e a bate com extrema força no chão, estraçalhando qualquer vestígio do rosto do falecido comandante orc.

            Zaknafein urra vitorioso e olha ao seu redor, procurando mais algum desafio.

            – QUEM MAIS PRETENDE NÃO SERVIR A MIM E A MEU PAI?! – pergunta esperando que algum orc fosse corajoso o suficiente para enfrentá-lo.

            O meio-abissal havia experimentado sangue e estava excitado com a chance de experimentar mais.

            – NÃO QUERO FRACOS E COVARDES DENTRO DE MEU EXÉRCITO!! NÃO ACEITAREI TRAIDORES!! – grita o draegloth com a respiração ofegante de fúria.

            Ao ver que ninguém mais responderia seu chamado para uma luta, Zaknafein começa a se concentrar para se acalmar. Ele oferece a vitória a seu pai através de uma prece mental e olha ao seu redor para encarar os orcs que lá se encontram. É um número relativamente pequeno de orcs, por volta de cento e cinqüenta. Lurk está próximo a Zaknafein e se ajoelha ao meio-abissal, os outros orcs o imitam.

            – Ótimo. – sorri o draegloth orgulhoso daquela cena – Agora se preparem, precisamos de mais escravos para ajudar na preparação do ritual.

            Os orcs se levantam e se organizam para a pequena campanha de escravização.

            – Lurk, guie alguns através da passagem que abrimos no Braeryn para conseguir mais soldados em Menzoberranzan. Converse com Sharlanara ela já está avisada. – ordena Zaknafein ao seu único general orc.

            – Sim mestre. – responde Lurk se inclinando e partindo com um grupo de oito orcs.

            Observando o acampamento, o draegloth sorri. Conseguiu unir uma quantidade razoável de orcs, além de uma quantidade considerável de escravos, entre eles drows, gnolls, kobolds e povo-lagarto. Zaknafein se regozija com a situação e prepara um pequeno exército de cinqüenta orcs para partir em busca de mais escravos.

            – Ao Senhor meu pai! – oferece mentalmente tudo aquilo que foi conquistado em homenagem ao seu pai demoníaco.

Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 3 (Parte 5)

Em uma imensa caverna com vários túneis de acesso, um orog magro, de ossos grandes e com muitas cicatrizes, se encontra meditando próximo a um imenso lago. Folkyr sabe o quão artificial é aquele local e sabe o que foi capaz de criá-lo, mas isso não o intimida. Afinal de contas, o feiticeiro orog já tratou com centenas de demônios e diabos, e atualmente serve de clérigo para um dos que mais o impressionou: Shormongur.

Com os olhos amarelados fixos na água, Folkyr reflete sobre os planos de seu senhor, sabendo que dentro daquele lago artificial o Grande Ancião está refletindo sobre seus próprios planos. Não há como não ter respeito pelo Grande Ancião, afinal foi ele quem abriu os olhos de todos os que participarão do imenso ritual. Foi ele quem conseguiu a aliança com Shormongur e seus seguidores.

Folkyr encerra sua meditação com uma oração ao poderoso demônio. Ele sente que um de seus irmãos de fé está chegando à imensa caverna e, ao fim de sua oração, o orog se levanta e vira para a direção de onde surge um humano sujo e de feições duras.

– Malazir, como estão as preparações? – pergunta o orog a seu irmão de fé.

– Estão caminhando bem, Folkyr. – responde o humano, analisando como sempre seu companheiro orog que divide muitas características em comum consigo: o cabelo comprido e sujo e extremamente embaraçado, pele oleosa com sebos e fungos aparecendo nas linhas de dobras de seu pescoço e de seus braços – Tenho grandes expectativas a respeito de nosso sucesso, porém temos que ser pacientes.

– Sim, compreendo isso. Zaknafein deveria compreender melhor a importância da paciência em nosso trabalho atual. – diz o orog, virando-se em direção ao lago. – Ele virá hoje?

– Creio que não. Ele não dispõe de todo o tempo para dedicar-se a nossa causa diretamente. Seu papel de agente duplo dentro da Casa Xorlarrin requer cautela e dedicação em tempo integral. – responde o mago humano, se aproximando do lago ao lado de seu irmão.

– Imagino. Se ele não fosse filho do próprio Shormongur, eu não confiaria muito naquele híbrido.

– Idem.

Ambos ficam um tempo em silêncio enquanto observam as águas escuras e paradas do grande lago artificial. Folkyr não se espanta por Malazir conseguir enxergar na total escuridão, pois conhece muito bem as capacidades arcanas de seu irmão.

No fundo do lago é perceptível uma imensa sombra do que parece ser uma serpente começando a se mover.

– Ele está vindo. – diz Malazir.

– Sim. E o drider também está chegando. – complementa Folkyr, olhando na direção de onde ele sabe que a abominação aparecerá.

Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 3 (Parte 1)

Zaknafein Q’Xorlarrin caminha de um canto para o outro em uma crípta nas cavernas próximas a Menzoberranzan. Sua grande juba branca balança acompanhando o movimento inquieto de seu corpo enquanto balbucia algumas palavras de raiva e descontentamento. As suas duas mãos menores se esfregam enquanto as grandes garras das patas maiores tocam no chão como se ele fosse um quadrúpede. É perceptível a fúria controlada em seus olhos.

– Desculpe a demora Zaknafein, surgiu um imprevisto no caminho. – diz um humano de manto vinho e preto, com feições duras, cabelos desgrenhados e sujos.

O draegloth bafeja em sua direção, com seus afiados dentes a mostra. O humano respira o ar fétido sem nem mesmo distorcer seu rosto.

– Sua demora pouco me importa! O que não agüento mais são aquelas chupadoras de aranhas! Quando eu poderei virar as costas para a Puta dos Fossos Demoníacos?!

– Calma! Tudo tem seu tempo. Tenha paciência, não podemos acelerar nada. O que estamos fazendo é um assunto delicado, qualquer atitude imprudente levaria tudo ao chão. – diz severamente o mago sem alterar sua feição, apenas seu olhar.

Com uma respiração forte, como se estivesse tentando se acalmar realmente, Zaknafein encara o mago por alguns instantes, até virar as costas que carregam marcas do flagelo das clérigas da Casa Xorlarrin.

– Sabe o quanto eu tenho que me segurar para não matá-las a cada vez que elas fazem isso?

– Agüente mais alguns anos, Zaknafein, e…

– ALGUNS ANOS??? – o draegloth interrompe o mago humano com um surto de raiva, atingindo um golpe na parede da cripta que deixa uma marca profunda.

– A pedido de seu pai. – complementa o mago mantendo a dura expressão em seu rosto.

Enquanto o draegloth controla sua respiração para se acalmar, o mago prossegue.

– Como anda a formação do exército?

Zaknafein o encara novamente, já com o olhar mais calmo, porém ainda cheio de ódio.

– Estou conseguindo unir vários orcs. Eles serão extremamente úteis em nossos objetivos. Estão dispostos a servir meu pai e se rebelarem contra as chupadoras de aranha. Só não sei se conseguirei segurá-los por “anos”. – responde o draegloth olhando severamente o mago humano.

– Mas assim deve ser. Deixe que alguns desses orcs escapem para formar comunidades fora de Menzoberranzan e esperem o momento em que você os liderará para a glória que é servir ao seu pai. – nesse momento o humano esboça um sorriso gratificante em seu rosto duro.

– Não creio que será muito difícil de fazer isso. Muitos desses orcs são veteranos e me disseram a respeito de um antigo plano de fugir de Menzoberranzan para formarem uma tribo e sobreviverem sozinhos. Na época eles serviam um campeão de Gruumsh, mas esse foi assassinado e o plano não foi em frente. – Zaknafein dá uma pausa e sorri mostrando seus caninos pontudos – Se eu auxiliá-los, eles saberão o que fazer.

O mago se vira e caminha para a entrada da cripta de onde veio.

– Ótimo. Apenas seja cauteloso.

– Sou um clérigo espião dentro de uma das grandes Casas de chupadores de aranhas de Menzoberranzan. Eu sou cauteloso. – responde secamente o draegloth.

Confirmando com um aceno de cabeça, o mago começa a caminhar para fora da cripta.

– E quando falaremos com o tal Drider? – pergunta Zaknafein.

– Em breve. Mais rápido do que imaginei. – responde o mago.

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