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Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 9 (Parte 5)

            O cheiro de fezes e corpos em putrefação agrada a narina do humano Malazir Penaril, principalmente quando esses apreciados odores se misturam com o cheiro de sangue fresco de um recém sacrifício ao seu senhor demoníaco: Shormongur. Ele olha para seu companheiro e irmão de fé, Folkyr, um orog que seria muito belo, se não fossem os escrementos e sebos que encobrem grande parte de seu corpo.

            – Há muito que espero vocês me chamarem. – uma voz cavernosa ressoa por detrás de seus ombros, fazendo com que ambos se virem dando as costas ao altar de sacrifício – O que causou tanta demora?

            – Meu Senhor. Mestre da Degradação, da Destruição, da Corrupção e do Fogo que a tudo consome, nos perdoe pela demora, porém as preparações para o ritual está ocupando muito de nosso tempo. – responde Folkyr ajoelhado aos pés de seu mestre glabrezu, enquanto Malazir complementa.

            – Isso é verdade Grande Senhor. O Grande Ancião está ausente e, em sua ausência, eu e Folkyr somos os dois conjuradores mais competentes. Somos nós que devemos guiar os procedimentos e os preparatórios para o imenso ritual.

            O glabrezu esboça um sorriso no rosto.

            – Provavelmente a serpente está aumentando sua rede de intrigas e colaboradores. – comenta o demônio com contentamento em sua voz – E o meu filho?

            Malazir e Folkyr se olham antes de responder ao seu mestre. O local do altar, onde estão conversando com Shormongur, é uma caverna próxima a Menzoberranzan. O altar foi criado por Zaknafein – o filho de Shormongur – e seus servos orcs com toda a fé que esse possui em seu pai.

            – Tememos que ele possa estragar tudo, Senhor. Até o momento ele está sendo extremamente útil, entretanto, seu filho, sente a liderança do Grande Ancião como uma afronta ao Senhor. – responde Malazyr.

            O glabrezu gargalha.

            – Meu filho me surpreende com a fé que deposita em mim. Porém não permitam que estrague nosso plano. – ordena Shormongur com rispidez, antes mesmo que o eco de sua gargalhada deixasse o ambiente.

            – Não permitiremos, Senhor. – responde ambos conjuradores em uníssono.

            – Não importa o quanto não confiamos na serpente, não podemos de forma alguma encará-lo apenas como um empecilho. – diz o demônio seriamente aos seus seguidores – Não podemos subestimá-lo como um tolo que não sabe a amplitude do que está fazendo. Ele está a mais de um século criando as passagens necessárias para os principais pontos do grande ritual. Seja quais forem seus objetivos, não podemos perder a oportunidade de participar.

            Ambos os fieis concordam com um asceno de cabeça.

            – Se temos até mesmo companheiros de outros planos participando desse imenso ritual, por que nós, não iríamos concordar com o Grande Ancião? – Shormongur sorri e gargalha – Não importa a intenção da serpente, o Abismo abrirá suas portas e aqueles que estiverem preparados reinarão soberanos em todos os planos. A serpente que aguarde.

Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 4 (Parte 5)

            – MOROR! – o grito sai como o urro de um animal enfurecido da garganta de uma criatura grande e negra, com uma volumosa juba branca e focinho semelhante ao de um lobo.

            Os orcs param de trabalhar em suas armas e barracas, e olham temerosos para o draegloth que está posicionado no topo de um barranco, olhando todos de cima para baixo. A cena faz alguns orcs lembrarem da imagem de um grande lobo se preparando para atacar um rebanho de indefesos animais. Eles tremem perante a majestade do filho de seu novo senhor.

            – CADÊ MOROR! – grita novamente o imenso draegloth.

            Os orcs se entreolham confusos. Moror era um antigo general orc que fora capturado pelos drows a muito tempo. Foi um dos principais servos de Zaknafein e de seu pai, mas em seu coração Gruumsh ainda morava. Alguns orcs sabiam disso e temiam que o meio-abissal tivesse descoberto algo.

            Fazia mais de um ano que os orcs haviam fugido aos poucos de Menzoberranzan, graças ao auxílio de Zaknafein e de seu pai demoníaco. Mas havia apenas algumas semanas, um pouco mais de um mês, que o draegloth tinha se juntado as fileiras orcs para liderá-los. Enquanto isso os orcs estavam se organizando de forma tribal através da liderança de Moror Mão de Machado e Lurk Vento Cortante. Ambos os comandantes tiveram maus momentos durante a administração da nova tribo. Moror insistia em continuar seu culto a Gruumsh enquanto Lurk tinha deixado suas antigas crenças para cultuar o demônio Shormongur.

            De dentro de uma tenda um forte orc, vestido com uma armadura pesada e cheio de cicatrizes no rosto e na cabeça descoberta, sai com um grande machado de batalha nas mãos.

            – Estou aqui demônio! – Zaknafein encara o orc e desce rapidamente o barranco com grande agilidade – Se você quer liderar meu povo ou escolher o comandante que o liderará, terá que me enfrentar e se mostrar digno.

            Desde que Zaknafein chegou ao acampamento, após o silêncio de Lolth ter começado, ele preferiu deixar que os orcs se liderassem, porém sempre seguindo suas ordens e de seu pai. Moror e Lurk demonstraram bastante eficácia nesse papel, porém Lurk, percebendo que não conseguiria convencer o ex-companheiro a deixar de cultuar seu antigo deus, comunicou-se com Zaknafein, que não perde tempo para ir tirar satisfações com o traidor.

            O draegloth atravessa agilmente as cabanas e as poucas tochas mágicas que iluminam o acampamento e se aproxima do orc, que com reflexos rápidos consegue bloquear uma garrada com o cabo de seu machado, logo se recuperando do impacto e desferindo um golpe contra o meio-abissal. Zaknafein se esquiva e segura o cabo do machado com uma de suas mãos dos braços maiores, puxando o orc para perto com tamanha força que esse perde o equilíbrio.

            Uma mordida certeira é desferida, arrancando a orelha e rasgando parte do rosto do guerreiro orc, que não cai e nem desiste de lutar. Levantando-se Moror dá um jogo de corpo em Zaknafein a fim de puxar seu machado novamente para perto do seu corpo e desferir um golpe que atingiria certeiro o pescoço do draegloth, se esse não fosse mais rápido. Com um passo para trás e uma inclinada em sua coluna, Zaknafein se esquiva do golpe e aproveita o movimento do machado para desferir uma garrada no braço direito do orc.

            Moror sente o tranco e cai de joelhos. O draegloth percebe o que o ex-general orc planeja e se aproxima devagar, como se estivesse subestimando-o, exatamente a ação que Moror imaginava que seria feita. O orc puxa seu machado que estava no chão e gira seu corpo visando atingir o tronco do draegloth, que por esperar aquilo simplesmente salta com tamanha força e velocidade que o machado nada atinge. Moror desloca a bacia com seu próprio movimento. Ao cair no chão não há nem tempo para ele sentir dor, pois as garras do draegloth o atingem pelas costas. Zaknafein, perfurando a armadura e o corpo caído de seu adversário segura sua coluna e a arranca, retirando com ela a cabeça do seu oponente. Ele a gira no ar e a bate com extrema força no chão, estraçalhando qualquer vestígio do rosto do falecido comandante orc.

            Zaknafein urra vitorioso e olha ao seu redor, procurando mais algum desafio.

            – QUEM MAIS PRETENDE NÃO SERVIR A MIM E A MEU PAI?! – pergunta esperando que algum orc fosse corajoso o suficiente para enfrentá-lo.

            O meio-abissal havia experimentado sangue e estava excitado com a chance de experimentar mais.

            – NÃO QUERO FRACOS E COVARDES DENTRO DE MEU EXÉRCITO!! NÃO ACEITAREI TRAIDORES!! – grita o draegloth com a respiração ofegante de fúria.

            Ao ver que ninguém mais responderia seu chamado para uma luta, Zaknafein começa a se concentrar para se acalmar. Ele oferece a vitória a seu pai através de uma prece mental e olha ao seu redor para encarar os orcs que lá se encontram. É um número relativamente pequeno de orcs, por volta de cento e cinqüenta. Lurk está próximo a Zaknafein e se ajoelha ao meio-abissal, os outros orcs o imitam.

            – Ótimo. – sorri o draegloth orgulhoso daquela cena – Agora se preparem, precisamos de mais escravos para ajudar na preparação do ritual.

            Os orcs se levantam e se organizam para a pequena campanha de escravização.

            – Lurk, guie alguns através da passagem que abrimos no Braeryn para conseguir mais soldados em Menzoberranzan. Converse com Sharlanara ela já está avisada. – ordena Zaknafein ao seu único general orc.

            – Sim mestre. – responde Lurk se inclinando e partindo com um grupo de oito orcs.

            Observando o acampamento, o draegloth sorri. Conseguiu unir uma quantidade razoável de orcs, além de uma quantidade considerável de escravos, entre eles drows, gnolls, kobolds e povo-lagarto. Zaknafein se regozija com a situação e prepara um pequeno exército de cinqüenta orcs para partir em busca de mais escravos.

            – Ao Senhor meu pai! – oferece mentalmente tudo aquilo que foi conquistado em homenagem ao seu pai demoníaco.

Outcasts – Livro 1: Párias – Capítulo 3 (Parte 5)

Em uma imensa caverna com vários túneis de acesso, um orog magro, de ossos grandes e com muitas cicatrizes, se encontra meditando próximo a um imenso lago. Folkyr sabe o quão artificial é aquele local e sabe o que foi capaz de criá-lo, mas isso não o intimida. Afinal de contas, o feiticeiro orog já tratou com centenas de demônios e diabos, e atualmente serve de clérigo para um dos que mais o impressionou: Shormongur.

Com os olhos amarelados fixos na água, Folkyr reflete sobre os planos de seu senhor, sabendo que dentro daquele lago artificial o Grande Ancião está refletindo sobre seus próprios planos. Não há como não ter respeito pelo Grande Ancião, afinal foi ele quem abriu os olhos de todos os que participarão do imenso ritual. Foi ele quem conseguiu a aliança com Shormongur e seus seguidores.

Folkyr encerra sua meditação com uma oração ao poderoso demônio. Ele sente que um de seus irmãos de fé está chegando à imensa caverna e, ao fim de sua oração, o orog se levanta e vira para a direção de onde surge um humano sujo e de feições duras.

– Malazir, como estão as preparações? – pergunta o orog a seu irmão de fé.

– Estão caminhando bem, Folkyr. – responde o humano, analisando como sempre seu companheiro orog que divide muitas características em comum consigo: o cabelo comprido e sujo e extremamente embaraçado, pele oleosa com sebos e fungos aparecendo nas linhas de dobras de seu pescoço e de seus braços – Tenho grandes expectativas a respeito de nosso sucesso, porém temos que ser pacientes.

– Sim, compreendo isso. Zaknafein deveria compreender melhor a importância da paciência em nosso trabalho atual. – diz o orog, virando-se em direção ao lago. – Ele virá hoje?

– Creio que não. Ele não dispõe de todo o tempo para dedicar-se a nossa causa diretamente. Seu papel de agente duplo dentro da Casa Xorlarrin requer cautela e dedicação em tempo integral. – responde o mago humano, se aproximando do lago ao lado de seu irmão.

– Imagino. Se ele não fosse filho do próprio Shormongur, eu não confiaria muito naquele híbrido.

– Idem.

Ambos ficam um tempo em silêncio enquanto observam as águas escuras e paradas do grande lago artificial. Folkyr não se espanta por Malazir conseguir enxergar na total escuridão, pois conhece muito bem as capacidades arcanas de seu irmão.

No fundo do lago é perceptível uma imensa sombra do que parece ser uma serpente começando a se mover.

– Ele está vindo. – diz Malazir.

– Sim. E o drider também está chegando. – complementa Folkyr, olhando na direção de onde ele sabe que a abominação aparecerá.

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