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Rabiscos – O Rei e O Cadáver

Rabiscos - O Rei e O Cadáver - Esferográfica vermelha sobre papel - 2012

 

O Rei e o Cadáver foi uma adaptação que gostei de fazer, portanto, de vez em quando ainda surgem imagens dos personagens, mesmo que são raras as que eu desenhe. Essa é uma das versões do Rei.

O Rei e O Cadáver – Completo

Boa noite a todos,

Aqui estão os arquivos com o roteiro completo da peça O Rei e O Cadáver. O primeiro arquivo é referente ao que postei aqui no blog. O segundo é referente ao que o Grupo de Teatro do Colégio Casa do Saber apresentou dia 04/12/2010, no anfiteatro do próprio colégio.

O Rei e o Cadáver – Roteiro

O Rei e o Cadáver – Roteiro 2

Atenciosamente.

PS: Ao converter para PDF a formatação mudou. Portanto o índice está errado.

O Rei e O Cadáver – 7º ATO – Cena 10 PC – FINAL

Narrador: Profundamente curioso e apreensivo, o Rei prosseguiu sua caminhada. Após o longo e sinistro percurso feito dentro do cemitério, (abre-se as cortinas), o Rei chega ao local onde o falso Asceta se encontra, já com todos os preparativos do ritual.

Rei: (Colocando o Cadáver no centro do círculo). Aqui está o Cadáver, venerável Asceta.

Feiticeiro: Mmm. Então sua majestade conseguiu finalizar a tarefa.

Rei: E por algum momento você duvidou das minhas capacidades?

Feiticeiro: (Se aproximando do cadáver e arrumando-o). De modo algum, senhor, mas pelo tempo que demoraste, creio que deve ter sido uma tarefa árdua.

Rei: Concordo que foi, mas esse assunto não é interessante para o momento. (Mudando o rumo da conversa, enquanto observa o Feiticeiro colocar o Cadáver no centro do círculo mágico). Vamos direto ao que devemos fazer agora.

Feiticeiro: Nesse momento, Rei, peço apenas que fique de pé naquele local. (Aponta para um círculo menor, dentro do círculo maior).

Rei: Por que eu devo ficar lá?

Feiticeiro: Pois você será o beneficiado pelo ritual, não eu. Estou aqui apenas para lhe servir. Assim que eu invocar a divindade que tomará conta desse cadáver, é você que terá de fazer o pedido.

Rei: Agora está melhor. Gosto de ter respostas as minhas perguntas. (Diz enquanto se posiciona no local indicado pelo Feiticeiro).

Feiticeiro: Imagino que sim, majestade. (O Feiticeiro toma seu lugar no ritual, próximo ao Rei, recita os cânticos mágicos e o Cadáver levanta-se). Agora, Rei, você deve se prostrar diante da divindade, tocando sua cabeça no chão.

Rei: (Percebendo que é a hora prevista pelo Cadáver). Venerável Asceta, não tenho prática em prostrações. Não sei exatamente como fazer, por favor, me demonstre, para que eu possa fazer corretamente.

Feiticeiro: (Sem perceber a artimanha do Rei). Como quiser, majestade. (E ele se prostra).

Rei: (Quando o Feiticeiro toca sua cabeça no chão, o Rei saca sua espada e tenta cravar nas costas do Feiticeiro, na altura do coração, mas esse percebe a movimentação estranha e se esquiva, levantando-se). Vilão! Você não concluirá seu plano!

Feiticeiro: Então você percebeu? Ahahhaha! Não há mais volta, majestade. Ou você se oferece como sacrifício, ou sua filha morrerá!

Rei: (Atacando o feiticeiro novamente, que se esquiva). Eu irei matá-lo e desfarei sua maldição!

Feiticeiro: (Ironicamente). Uuuu… Calma, majestade. Para que tanta violência? É bom que você saiba que estão tentando te enganar. Se você me matar, a maldição não será desfeita! Hahahahahh!

Rei: É o que veremos! (Ele ataca novamente o Feiticeiro e o corta de raspão. O Feiticeiro se enfurece a ataca o pescoço do Rei, mas esse se esquiva e crava sua espada no feiticeiro).

Cadáver: (Jubilosamente). HAHHAHAHAH! Você salvou bem mais do que sua filha hoje, majestade!

Rei: O que você está dizendo, espectro?

Cadáver: O necromante pretendia ter o poder absoluto sobre as almas, carniçais e sobre todas as outras presenças espirituais do domínio sobrenatural. Esse poder agora será seu, ó Rei, quando sua vida terrena terminar. Por enquanto, você será recompensado por sua virtuosa ação. O que deseja? Diga, e o seu desejo será atendido!

Rei: No momento apenas quero que minha filha, aquela que amo mais do que à minha própria vida, se livre de sua maldição.

Cadáver: Assim será! Hahahhaha!

(A luz diminui).

Narrador: A maldição que haviam imposto a filha do Rei foi desfeita. O Rei retornou ao seu castelo e encontrou sua filha forte e saudável novamente.

(A luz aumenta. O Rei está perto do trono com o Tesoureiro feliz ao lado. Sua filha entra na sala).

Princesa: Pai!!

Rei: Filha!!

(Eles se abraçam com muita felicidade).

Narrador: Essa maravilhosa e sinistra aventura chega ao fim. Todos os deuses se alegraram com a façanha do Rei e o próprio Shiva, pediu para que ele contasse a história para o Tesoureiro e para a Princesa. (A luz diminui). O Tesoureiro e a Princesa contaram para seus amigos. Os amigos desses, para seus amigos, e de boca em boca, essa história chegou aos dias de hoje, passada de geração a geração. Dizem que aonde essa história é narrada os deuses enviam suas bênçãos e todos os espectros e demônios perdem seus poderes. Quem a recitar com devoção sincera ficará livre de todo sofrimento.

O Rei e O Cadáver – 6º ATO – Cena 9 PC

Cadáver: …e não sabiam definir o parentesco que possuíam. Pois o Filho do caçador havia se casado com a mãe da Princesa. (A cortina se abre. Estão o Rei e o Cadáver no palco). Enquanto a filha da Rainha havia se casado com o Pai de seu padrasto. Responda-me, majestade: Qual era o exato parentesco entre os dois meninos que nasceram? Diz com precisão: o que eram e não eram um do outro? Se souber a resposta e não disser, eu voltarei para a árvore e nunca mais sairei de lá.

Rei: (Fica em silêncio, pensando por um bom tempo. Quando ele se dá conta de que não tem a resposta para aquela pergunta, seu rosto se ilumina de alegria e sua postura torna-se ereta).

Cadáver: Hahahahaha! Finalmente percebeu que é limitado? Que não tem a resposta para tudo e é suscetível a falhas?

Rei: (Balançando a cabeça, voltando de seu devaneio). Como?

Cadáver: Não percebeu que todo o tempo que gastou aqui foi guiado por sua arrogância?

Rei: (Abaixa a cabeça envergonhado, como se tivesse entendido o que o Cadáver queria mostrar-lhe).

Cadáver: Me agrada a sua determinação e o amor que tem por sua filha. Pode ficar com esse cadáver. Vou deixá-lo levar. Mas antes, devo lhe avisar. (O tom se torna muito sério. O Rei olha o Cadáver nos olhos). O Asceta é um impostor muito perigoso. Com poderosos encantamentos vai forçar-me a retornar a esse cadáver, que transformará em um ídolo. Ele pretende me colocar no centro de seu círculo mágico, venerar-me como uma divindade, e, durante essa cerimônia, oferecer você como sacrifício. (O Rei demonstra preocupação). Foi ele que amaldiçoou tua filha, para que você fizesse parte do ritual assim como está fazendo!

Rei: Como pude participar disso?

Cadáver: Foi sua soberba que trouxe você a esses campos. O mesmo sentimento de prepotência que faria você perder sua filha.

Rei: Por que não me disse antes que eu estava sendo enganado por estar cego pelo meu orgulho?

Cadáver: Ahahahah! Com toda sua arrogância, você acreditaria em um asceta ou em um cadáver? Hahahahhah

Rei: (Fica sem resposta e vira-se envergonhado). O que faço agora?

Cadáver: Para retirar a maldição de sua filha, você deve matá-lo. Saiba como será seu sacrifício: ele vai ordenar que você faça prostrações em reverência, primeiro de joelhos e depois prostrado na mais servil atitude de devoção, tocando o chão com a cabeça, mãos e ombros. Tentará então matá-lo em um só golpe com sua própria espada. Pense!

(Há um grande silêncio e o Cadáver cai próximo a árvore).

Rei: (Preocupado). Cadáver? (O Cadáver não responde. Ele espera um tempo e se aproxima do corpo). Cadáver? Responda-me mais uma coisa, por favor. (Nenhuma resposta vem do corpo). Por que, ele quer fazer esse ritual? (Não há nenhuma resposta).

O Rei e O Cadáver – 6º ATO – Cena única 5ª PP (O Parentesco Indecifrável)

Cadáver: Pai e filho, membros de uma tribo montanhesa de caçadores, estavam rastreando suas presas com todo cuidado e atenção que verdadeiros caçadores devem ter.

(Abrem as cortinas. Ambos caminham de vagar olhando para o chão. Parando de vez em quando para tocar algo que eles encontram, cheirar a mão, etc).

Cadáver: Eles estavam seguindo uma presa que serviria de janta à sua tribo, mas um outro rastro atraiu mais a atenção dos dois caçadores.

Pai: Filho! Veja isso.

Filho: (Analisando com cuidado). São pegadas de pessoas.

Pai: (Com uma pequena pausa). Não de quaisquer pessoas filho. São pegadas de duas mulheres.

Filho: (Olhando mais atentamente). O senhor tem razão!

Pai: (Analisando as pegadas). Pelos traços, elas não aparentam ser muito pesadas e seus passos são determinados e seguros. As pegadas não apontam cada uma para uma direção, como se tivessem pés desleixados, mas apontam seguramente para onde vão.

Filho: (Espantado). O que você acha que isso quer dizer?

Pai: Que são mulheres da nobreza, meu filho.

Cadáver: Não foi a toa que essas pegadas interessaram tanto aos dois. O pai perdeu sua mulher a mais de cinco anos, quando sua tribo fora invadida por inimigos e esses a mataram. O filho era solteiro e não tinha nenhuma pretendente em sua tribo, já que as poucas mulheres que haviam sobrevivido ao ataque inimigo a cinco anos, já estavam prometidas ou já eram casadas, ou eram extremamente novas.

Filho: Vamos atrás delas pai?

Pai: Sim, iremos. Mas para evitar uma disputa entre nós, meu filho, vamos fazer um pacto.

Filho: Sem dúvida, pai.

Pai: Você percebe que uma das pegadas é levemente maior que a outra?

Filho: Sim.

Pai: A da pegada maior aparenta ser a mais madura das duas. Talvez seja uma mãe e uma filha. Assim, façamos o pacto de que a da pegada maior será a minha esposa, enquanto a de pegada menor, será a sua esposa.

Filho: (Apertando a mão do pai). Pacto feito, meu pai.

(A luz diminui).

Cadáver: Em acordo, pai e filho foram atrás de suas novas presas.

(A luz aumenta. No palco estão o Pai e o Filho se aproximando armados das duas mulheres que estão descansando de costas para eles).

Pai: Olá donzelas.

Rainha: (Mostrando tranqüilidade). Quem são vocês?

Pai: Somos caçadores.

Filho: (Sorrindo). E vocês são nossas presas.

Princesa: (Amedrontada). Não nos machuque.

Rainha: (Olhando com advertência para sua filha e depois voltando a olhar para os caçadores). Vocês pretendem nos ferir?

Pai: (Estranhando a postura da mulher). Não pretendemos, a não ser que vocês reajam.

Rainha: E o que querem?

Filho: Queremos tomá-las como nossas esposas!

Rainha: (Observa por um tempo ambos). Aceitamos. (A filha a olha indignada).

Princesa: Mãe…?

Rainha: (A adverte com o olhar novamente). Com certeza aceitamos.

Pai: (Espantado). Vocês entenderam que faremos de vocês nossas esposas?

Rainha: (Determinada). Sim! Entendemos.

Pai: (Estranhando). Mmm. E mesmo assim, não pretendem resistir a isso?

Rainha: Não temos nada a perder, apenas a ganhar com isso.

Pai: (Suspeito). É muito estranho ouvir isso da boca de uma nobre, quando essa está prestes a ser pega como esposa por caçador tribal.

Rainha: Não temos mais nada. Fomos obrigadas a fugir de nosso reino.

Princesa: (Amargurada). Éramos rainha e princesa daquele reino!

Rainha: (Levanta a mão para sua filha silenciar-se).

Pai: Rainha e princesa?

Rainha: Sim. Fui esposa do falecido rei. Ele foi assassinado e acusação caiu sobre nós!

Pai: Mmmm.

Princesa: (Triste). Agora estamos sem rumo. Sem saber o que fazer. E com certeza perseguidas pelos nossos antigos guardas.

Filho: Não se preocupem, protegeremos vocês.

Pai: (Olhando com curiosidade para o filho). Bem, então vocês virão conosco?

Rainha: Vocês não têm medo de serem atacados pelo reino?

Pai: Nossos inimigos são outras tribos e não o reino. Somos de uma tribo nômade, dificilmente os soldados do reino nos encontrarão.

Rainha: Então a resposta é sim.

Pai: Ótimo. Mas antes, precisamos cumprir um pacto feito entre eu e meu filho. Deixe-nos ver os seus pés.

(A Rainha e a Princesa se olham curiosamente).

Princesa: Se assim deseja. (E mostra o pé para o Filho).

Rainha: Veja. (E mostra o pé para o Pai).

(O Pai, querendo se certificar, olha para o pé da Princesa, e o Filho faz o mesmo com o da Rainha).

Filho: Pai! O pé maior é o da princesa!

Pai: Percebi filho.

Filho: O que faremos agora?

Pai: A palavra dada em um pacto não deve ser quebrada.

Filho: Pois isso pode trazer infortúnio para nós e para nossa tribo, certo pai?

Pai: Sim.

Filho: Então eu casarei com a rainha e o senhor com a princesa.

Pai: Exatamente filho.

(As duas se olham surpresas novamente. A luz diminui).

Cadáver: Um ano se passou após o casamento e cada uma teve um filho de seu respectivo esposo.

(A luz aumenta. Está a Rainha preparando comida, o Filho segurando um bebê e a Princesa ajudando sua mãe).

Filho: (Com cara de nojo). Hey, esse menino ta fedendo!

Rainha: (Sem virar-se). Esse menino é seu filho.

Filho: (Ainda com cara de nojo). Eu sei, mas ele está fedendo.

Rainha: Troque a fralda dele, oras!

Filho: Como?! Putz, isso é nojento!

Princesa: (Virando-se). Deixe que eu troco, seu fresco! Vai chamar seu pai e seu… (Parando de falar com confusão no rosto).

Filho: (Também confuso). Meu? O que ele é meu?

Cadáver: E nesse momento, eles encontraram um paradoxo…

O Rei e O Cadáver – 5º ATO – Cena 8 da PC

Cadáver: Naquela situação, a jovem Esposa não sabia o que fazer. Não sabia quem tomar como esposo. (As cortinas se abrem. Está o Rei e o Cadáver). Agora me responda, majestade: Quem, portanto, a jovem deve tomar como esposo? O que tem o corpo do marido ou o que tem sua cabeça? Se você souber a resposta e não…

Rei: (Respondendo sem pensar e interrompendo o cadáver). Àquele que tem a cabeça do esposo, pois pertence a cabeça a posição suprema sobre os outros membros.

Cadáver: Meus parabéns! Você é uma pessoa muito determinada, majestade. (Irônicamente). Sua filha é muito afortunada de tê-lo como pai.

Narrador: E o Rei escutou mais e mais histórias. Para cada uma delas, o Cadáver fazia perguntas e o Rei as respondia. (O cadáver interpreta como se estivesse contando várias histórias e o rei como se estivesse escutando e respondendo repetidas vezes). Parecia não haver nada que o Rei não soubesse responder, ou acreditasse não saber responder.

Cadáver: O senhor já deve estar se cansando de tantas histórias, não é majestade? Já foram 24, o senhor deve amar mesmo sua filha para estar se esforçando tanto, não é? Logo o dia está por vir, o sol vai nascer, os passarinhos vão cantar e a maldição não poderá ser desfeita. Deixe-me então parar de tomar seu tempo e ir direto para a próxima história.

O Rei e O Cadáver – 5º ATO – Cena 2 da 4ª PP (O Conto das Cabeças Invertidas)

Cadáver: Os três viajaram por muitos lugares da Índia. (As cortinas se abrem. Os três estão sentados no chão como se estivessem em um piquenique). Eles resolveram parar para lanchar, quando passavam na frente de um templo em homenagem a deusa Kali. (Eles conversam animadamente. Quando o Amigo e a Esposa não estão olhando para o Esposo, esse deixa a tristeza transparecer em seu rosto). Tudo parecia estar indo muito bem, mas algo ainda entristecia bastante o Esposo. Algo que ele fez quando o casamento não ia bem, pesava em seu coração, e ele não tinha coragem alguma de contar para ninguém; nem para seu melhor amigo.

Esposa: (Fuçando uma das sacolas). Que fome!

Amigo: Eu também estou morrendo de fome! (Começa a mexer na sacola que está com ele).

Esposo: Não gostaria de começar a comer, sem antes entrar no templo de Kali e fazer uma oferenda a ela. (Ele pega um pouco de comida). Eu vou lá e já volto. Não acabem com a comida! (Os três riem. O Esposo se levanta e entra no templo. O Amigo e a Esposa começam a comer).

Cadáver: O tempo passa. Aqueles que ficaram do lado de fora terminam de comer e o Esposo não retorna.

Esposa: (Preocupada). Ele está demorando.

Amigo: Não se preocupe! Entrarei lá para chamá-lo! (Ele se levanta). Provavelmente ele deve estar rezando para Kali.

Esposa: Agradeço. (Sorri).

Amigo: Já volto. (E entra no templo).

Cadáver: Porém, dessa vez, foi o amigo que não retornou. A Esposa ainda mais preocupada resolve, cautelosamente olhar pela porta do templo. A cena que a jovem viu, foi aterrorizante demais para seu coração. (Abre a porta do templo devagar e se assombra com o que viu, dando três passos para trás em desespero e virando-se para correr).

Kali: (Com autoridade). Não vás! (A Esposa para com medo). Venças teus medos e tua tristeza!

Esposa: (Amedrontada). Quem está falando comigo?

Kali: Eu sou a deusa Kali, e te ordeno que deixes teus medos e tristezas de lado!

Esposa: (Incompreendida). Mas acabei de perder meu marido e meu melhor amigo.

Kali: E fugir covardemente trará algum benefício? Volte. Adentre o templo! Junte as cabeças aos corpos e eu os ressuscitarei!

Esposa: (Ainda amedrontada). Mas…

Kali: Sem “mas”! Tu não dizes que amas aqueles que se sacrificaram em meu templo? Proves!

Esposa: (Caminha devagar para o templo, ainda bastante amedrontada e adentra).

(A luz diminui).

Cadáver: E dentro do templo, a deusa Kali cumpriu sua promessa, porém no desespero a jovem cometeu um erro.

(A luz aumenta. No palco está os três. A Esposa no centro e um de cada lado. A cabeça do Esposo se encontra no corpo do Amigo e vice-versa. A esposa fica olhando de um para o outro confusa e, olhando para a platéia levanta as duas mãos em dúvida. As cortinas se fecham).

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